Último dia de 2014. Tento fazer uma análise do ano, e não me sai da mente a peça de Samuel Beckett, “À espera de Godot”.
Podemos ver o nosso país na espera de algo que não chega e não se sabe o que é?
Podemos ver o nosso país representado nesse diálogo interminável entre duas pessoas que só encontram como solução para a sua vida o suicídio, que nunca concretizam, der situações adversas, mas talvez, no fundo, por falta de verdadeira vontade?

Podemos ver o nosso país nesse vazio que não acaba, nessa esperança no que está para vir?
Podemos ver o nosso país, nas discussões para iludir o tédio dos dias vazios e sempre iguais?
Podemos ver o nosso país nessa espera, eterna espera, sem que, no entanto, os intervenientes algo façam?
Podemos ver o nosso país nessa espera? Espera de deus? Espera de liberdade? Espera de morte? Espera de esperança?
Desde 1953, a peça de Samuel Beckett nos deixa estas inquietações, encenação atrás de encenação, leitura atrás de leitura…Num “absurdo” que torna, muitas vezes, a nossa vida absurda.
