SOBRE A FORMA COMO OS HOMENS QUE ESCREVEM A HISTÓRIA NOS ANOS 30 VÊM A MESQUINHEZ DOS QUE A QUEREM OBSTRUIR NOS DIAS DE HOJE- INTRODUÇÃO – SOBRE O SABER DE QUE OS NOSSOS POLÍTICOS SE ESQUECERAM OU QUE SEMPRE IGNORARAM – por JÚLIO MARQUES MOTA – II

Falareconomia1

Sobre a forma como os Homens que escrevem a História nos anos 30 vêem a mesquinhez dos que a querem destruir nos dias de hoje

 Introdução – Sobre o saber de que os nossos políticos se esqueceram ou que sempre ignoraram

(conclusão)

Um plano de recuperação em cinco pontos

Eccles, em seguida, propôs um plano em cinco pontos ao Congresso para acabar com o desemprego em massa e levar a que a economia viesse a ganhar a trajectória de uma retoma sustentada. Devido à urgência do problema, ele defendeu que este programa de cinco pontos deveria ser aplicado e com o máximo de urgência.

  1. Tornar disponível uma enorme massa de fundos para todos os Estados-membros e serem utilizados para acabar com a indigência e apoiar os desempregados, pendentes da retoma da economia.

  2. Afectar fundos para obras públicas nas cidades, nos condados e nos Estados numa base liberal a baixa taxa de juro.

  3. Adoptar um plano para regular a produção agrícola e aumentar os preços.

  4. refinanciar as hipotecas numa larga escala, a longo prazo e a uma reduzida taxa de juro.

  5. Efectuar uma permanente liquidação das dívidas soberanas mas sobre uma base económica sólida, sendo mesmo preferível o seu cancelamento.

[Sobre o ponto nº 1 vale a pena citar a sua declaração no Congresso em 1933:

“ Redução do desemprego. Sem entrar em qualquer detalhe ou números, é reconhecido por todos que o nosso mais grave e urgente problema do dia-a-dia é o de imediatamente fornecer emprego adequado a milhões de pessoas que são indigentes e desempregados a viverem em todos os cantos do nosso país. É uma vergonha nacional que um tal sofrimento seja permitido no presente e no país mais rico do mundo. A situação presente não é culpa dos desempregados, mas sim das nossas empresas, do nosso sistema financeiro e dos nossos dirigentes políticos. É incompreensível que as pessoas deste país tenham estupidamente que continuar por muito mais tempo a sofrer esta devastação, a viverem da caridade, a suicidarem-se, a viverem desesperadas, a serem levadas a morrer, a roubar ou aceitar uma miserável ninharia na forma de caridade de que eles se ressentem e ressentem-se com toda a razão. Nós devemos adoptar um plano que enfrente esta situação sob o capitalismo, ou um plano será para nós adoptado mas sem o capitalismo …

A caridade privada esta quase que totalmente esgotada. É impossível para a maioria de nossos políticos fornecerem recursos adicionais através de empréstimos ou de impostos. Muitos deles estão em situação de incumprimento no momento presente face ao conjunto  das suas obrigações (dívidas)  e são incapazes de disporem dos fundos necessários para pagar as despesas da escola dos seus filhos e os impostos locais. Pertenço ao Governor’s Executive Unemployment Relief Committee do meu Estado e embora eu tenha a certeza que os desempregados recebem tanto ou talvez um pouco mais do que em muitas partes do país, os fundos disponíveis são totalmente insuficientes para responder à situação que diariamente se torna cada vez mais difícil de controlar.

Eu defendo que o governo deve disponibilizar, e como a mais urgente de todas as medidas de emergência, pelo menos $500.000.000 a serem distribuídos aos Estados como verba necessária, como um presente e não como um empréstimo, numa base per capita em tais quantidades que permitam que as organizações encarregadas da ajuda em cada Estado possam cuidar das necessidades dos desempregados, de forma mais adequada do que até agora tem sido possível. Por esta razão e distribuídos desta forma porque quando é dada como um empréstimo encontramo-nos perante uma resistência ao empréstimo. Há um limite de ruptura a partir do qual se entra na situação de fome generalizada. Quando um Estado tem de contrair empréstimos, esta é a atitude das autoridades públicas do Estado como resultado das exigências dos empresários e dos contribuintes em geral para a economia.”

Marriner Eccles  apelou ao Congresso em especial para lidar com o problema da enorme dívida (entre-aliados), salientando que “o público está mal informado sobre a capacidade dos nossos devedores estrangeiros para cumprir com as nossas exigências” (de reembolso). A sua dívida só pode ser paga através da venda de bens ou serviços, de ouro ou duma combinação das três vias. “Os países devedores deverão assim tentar cumprir as suas obrigações, produzindo e vendendo mais do que eles nos compram a nós.” Isto, no entanto, afecta as nossas indústrias e têm um efeito depressivo sobre a economia nacional . Assim, Eccles defendeu a anulação total da dívida para atenuar este efeito negativo sobre a economia americana “permitindo assim que a nossa economia, bem como a deles, entre numa trajectória de prosperidade.”

Nós devemos ou escolher entre a aceitação de suficientes bens estrangeiros para nos pagarem as dívidas que nos devem ou o cancelamento das suas dívidas. Este não é então um problema moral, mas sim um problema matemático. O cancelamento destas dívidas soberanas que nos são devidas beneficiaria extremamente as nossas economias e ajudaria a reduzir o desemprego tanto nas nações devedoras como nas credoras. Uma parcela comparativamente pequena da nossa população comporia esta perda face Ao Tesouro com o pagamento de impostos sobre rendimentos e dos impostos sucessórios que seria tornados produtivos pelo retomar sustentado da trajectória de crescimento.

Ele incitou igualmente o Congresso a tratar com frontalidade o problema da divida interna e iniciar a reestruturação da dívida interna, também. A sua proposta para a reestruturação da dívida interna reduziria os pagamentos anuais da dívida pelo menos num terço do seu montante e tornaria milhões de activos líquidos que agora não encontram nenhum  mercado. Isto, conjuntamente com o plano para aumentar os preços agrícolas, poderia salvar toda a agro-indústria, que de outra maneira, entraria num colapso geral, e ao mesmo tempo expandir-se-ia assim fortemente o poder de compra no sector agrícola propriamente dito então ajudando a fazer de forma mais sustentada um renascimento da economia geral.

Marriner Eccles sublinhou a finalizar este tema que o Congresso precisava de actuar e muito rapidamente para enfrentar o problema da dívida e do desemprego “ou então nós estamos a caminhar para o colapso de toda a nossa estrutura de crédito ” .

“Nós devemos adoptar um plano que enfrente esta situação sob o capitalismo, ou um plano será para nós adoptado mas sem o capitalismo … Nós simplesmente temos que nos responsabilizar pelos desempregados e cuidar deles ou nós teremos uma revolução neste país”

E sem tradução, deixamos aqui a parte final da audição de Marriner Eccles no Congresso, em 1933:

(…)

Mr. ECCLES. NO; that is not true.

Senator GORE. It seems like every scheme you suggested was for the Government to advance money to somebody.

Mr. ECCLES. YOU have got to take care of the unemployed or you are going to have revolution in this country. Out in Salt Lake City the other day you had an illustration of what occurs.

Senator GORE. YOU noticed that out in Seattle the boys struck and they wanted gasoline. They need gasoline.

Mr. ECCLES. When you get enough unemployed they will control the Government and change our present political, social, and economic system.

Senator GORE. There is the trouble. And that is the danger here. They brought pressure to bear in the House to get tobacco, butter-fat, and goobers included in this domestic allotment. You get enough unemployed in this country organized and there are no brakes you can put on your scheme. That is the history of Rome. The dole destroyed Rome. It is going to destroy England and France and Germany and this country.

The CHAIRMAN. We thank you for your statement, Mr. Eccles. The committee will stand in adjournment until 2 o’clock, when we will meet in executive session, after which we will have an open session.

(Thereupon, at 1.20 o’clock p. m., the committee adjourned to meet in open session at 3 o’clock p. m. the same day, Friday, February, 24, 1933.)

E assim terminou a audição de Marriner Eccles no Congresso em 1933. E assim vos expresso os meus votos de Ano Novo : “Nós devemos adoptar um plano que enfrente esta situação de crise sob o capitalismo, ou um plano será adoptado para nós mas sem o capitalismo”.

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Fontes utilizadas para o presente texto:

Bill Mitchell, There is nothing new under the sun, texto disponível em:

http://bilbo.economicoutlook.net/blog/?p=24825

Eric Dupin, Qui croit encore que nous sommes en 2013?, texto disponível em :

 http://www.slate.fr/story/71615/annee-revolution-guerre-1968-2013

Marriner Eccles, HEARINGS BEFORE THE COMMITTEE ON FINANCE UNITED STATES SENATE SEVENTY-SECOND CONGRESS, texto disponível em:

https://fraser.stlouisfed.org/docs/meltzer/ecctes33.pdf

Marriner Eccles, Address Responding to Criticisms Leveled by Orval Adams, texto disponível em:

//fraser.stlouisfed.org/scribd/?item_id=465651&filepath=/docs/historical/eccles/077_03_0002.pdf#scribd-open

Thorvald Grung Moe, Levy Economics Institute of Bard College, Marriner S. Eccles and the 1951 Treasury – Federal Reserve Accord: Lessons for Central Bank Independence, Working Paper No. 747. Texto disponível em:

http://www.levyinstitute.org/pubs/wp_747.pdf

Warren Mosler, Forgotten (or ignored) wisdom, texto disponível em:

https://alittleecon.wordpress.com/2013/07/

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Ver a primeira parte deste trabalho de Júlio Marques Mota, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, em:

SOBRE A FORMA COMO OS HOMENS QUE ESCREVEM A HISTÓRIA NOS ANOS 30 VÊM A MESQUINHEZ DOS QUE A QUEREM OBSTRUIR NOS DIAS DE HOJE- INTRODUÇÃO – SOBRE O SABER DE QUE OS NOSSOS POLÍTICOS SE ESQUECERAM OU QUE SEMPRE IGNORARAM – por JÚLIO MARQUES MOTA – I

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