Mudar de ano é coisa de calendário. Inevitável. Todas as expectativas de mudança, em cada início de ano, só os seres humanos em relação maiêutica, podem concretizá-las. O que não é assim é insensatez, a pior das posturas políticas. Ou crescemos de dentro para fora, ou permanecemos na postura infantil de acreditar em deuses, chefes, partidos políticos, messias/cristos, numa palavra, intermediários. Fora do Humano, organismo vivo, vasos comunicantes, resta-nos o deserto, a esterilidade, a miragem. Os partidos políticos são, hoje, os grandes tentadores das populações. Apresentam-se-lhes como imprescindíveis, quando, como as velhas religiões do passado, são os grandes tentadores. Desde o início da humanidade, que os intermediários a têm impedido de ser o que está constitutivamente vocacionada a ser, organismo vivo, vasos comunicantes. Primeiro, foram as religiões a protagonizar, em exclusivo, este perverso papel. Os sacerdotes, auto-apresentados às populações como os escolhdos por Deus para intermediários entre elas e Ele, eram os detentores do poder, o inimigo n.º 1 do Humano. O religioso sagrado foi, então, o alfa e o ómega, o fundamento e o fim de tudo. Ser ateu do religioso, era blasfêmia punida com a morte, como um maldito. É ainda aqui que a humanidade se encontra, apesar de se dizer secular, laica. O secular, laico, continua tão sagrado quanto o religioso, hoje, já quase só residual. Só teve de mudar de máscara. Os partidos políticos são as novas religiões. Seculares, laicas. Os seus dirigentes, os novos sacerdotes. Seculares, laicos. Deus continua a ser o poder, agora, secular, laico. A Humanidade continua impedida de se assumir na história, ainda mais do que no início. Sabedoria, precisa-se. Só ela nos habilita a perceber este perverso processo histórico e a pôr-lhe termo. O Saber é engodo. Somos humanidade, quando dispensamos, de vez, os intermediários, hoje, seculares, laicos, e nos assumimos organismo vivo, vasos comunicantes. Caminhemos nesta direcção!
2 Janº 2015

