EDITORIAL – O ATENTADO CONTRA O CHARLIE HEBDO E A LUTA PELO PODER NA EUROPA

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Pessoas de diferentes quadrantes têm chamado a atenção para que os executores do atentado contra o Charlie Hebdo não actuaram sozinhos. É claro que não. E entretanto, também em vários quadrantes, vai haver quem procure tirar partido da onde de choque que este acto causou para favorecer os seus intentos. O caso de Antonis Samaras, primeiro ministro grego, que, num discurso de campanha eleitoral, mesmo no dia do acontecimento, terá tentado fazer uma aproximação entre as posições do Syriza sobre a imigração clandestina e o atentado, não vai ser o último (ver link abaixo).

Talvez os executores da carnificina acreditem nalguma coisa do que proclama a propaganda jihadista. Será difícil chegar a uma conclusão exacta sobre essa questão. O plano em que se colocaram não deixa espaço para análises detalhadas. Mas há tempos que se fala do grave problema que constitui o número elevado de jovens, oriundos de diferentes partes do mundo, que são aliciados para, em nome de uma fé religiosa, irem travar guerras com cujos motivos, pelo menos à primeira vista, pouco têm a ver. Outros, ficam nos seus países de origem, ou ali regressam após participações em guerras, no Médio Oriente ou noutras regiões, e então alguns cometem actos de grande violência, como este ataque ao Charlie Hebdo. Terão interiorizado uma noção de distância, e mesmo de rejeição e revolta, em relação à sociedade onde nasceram.

Sem dúvida que a sua relação com essa sociedade onde nasceram terá sido muitas vezes difícil. É urgente prestar atenção a esta situação, uma atenção mais profunda e constante. Pensar a sério nas raízes deste problema. Não se diga que proceder assim é mostrar laxismo ou indulgência perante o terrorismo e a criminalidade. É precisamente o contrário.

http://www.politis.fr/Charlie-Hebdo-l-indecente,29599.html

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