A INEFICÁCIA DA QUANTITATIVE EASING? por TEJVAN PETTINGER

Temaseconomia1Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

mapa-reino-unido A ineficácia  da  quantitative easing?

Tejvan Pettinger,  The failure of quantitative easing?

Economics.help, 17 de Novembro de 2014

 

Questão.  Acabo agora de ver   um vídeo chamado “como desperdiçar £375 mil milhões? (A falha da  quantitative easing )” por Positive Money. Eu recentemente comecei a ler o seu  blogue e penso que os  vossos textos são muito informativos. Pessoalmente gostaria de saber  que ideia é que tem  sobre este  vídeo e este grupo em particular

 (Eu não vi o vídeo. Por uma qualquer razão  nunca gosto de ver  vídeos, apenas de ler artigos.)

Eu diria que a quantitative easing foi um certo sucesso. Ou talvez uma maneira bem melhor de avaliar a quantitative easing  – é que a situação poderia ter sido bem pior, se nós não se tivesse utilizado a quantitative easing.

Uma comparação simples a fazer, pode ser  comparar o Reino Unido e os E.U. (que têm ambos utilizado a quantitative easing) com a zona euro  (que a  não tem utilizado). Nos últimos anos, a recuperação económica foi mais forte nos E.U. e no Reino Unido, enquanto a zona euro  vive o perigo de uma recessão em duplo V  ou mesmo de triplo V.  A zona euro  está a caminhar  para um período perigoso de longa deflação. O Reino Unido e os E.U. têm pelo menos uma taxa de inflação melhor.

A inflação na zona euro

quantitative easing - IV

Consequentemente, eu não diria que nós desperdiçamos £375 mil milhões . Em primeiro lugar, “desperdiçar” implica um custo de oportunidade – por exemplo, encontrar o mesmo resultado com impostos mais altos  ou com uma redução na despesa. Foi inteiramente feito. Com todas as suas  falhas e limitações, a quantitative easing que nós aplicámos foi melhor que nada  – dado especialmente o grau de pressão  fiscal levado a cabo desde 2010.

Problemas com a Quantitative easing

Talvez uma melhor descrição da quantitative easing aplicada no Reino Unido é que foi uma oportunidade desperdiçada. Verdade, nós evitamos alguns efeitos deflacionistas, mas há algumas razões para estarmos decepcionados e talvez isto pudesse ter sido melhor.

Os bancos utilizaram o dinheiro criado pela quantitative easing para obterem lucros vendendo títulos ao Banco da Inglaterra e para melhorarem os  seus balanços; devido à retirada, muito pouco deste dinheiro assim criado veio verdadeiramente alimentar a economia real através da concessão de mais empréstimos bancários à economia. O efeito secundário foi que   alguns bancos e o mercado obrigacionista  negociaram muito e as taxas de juro são taxas muito baixas. Na verdade, as baixas taxas são parte do objectivo da  quantitative easing , mas as baixas taxas de juro proporcionam um  benefício limitado, se as empresas são incapazes ou estão pouco dispostas a contraírem e a utilizarem os empréstimos que lhes podem ser concedidos a baixas taxas de juro.

Uma parte dos serviços  financeiros tiraram bem proveito da  quantitative easing. É talvez um  pouco irritante  ver muitos  daqueles responsáveis  por alguns dos  aspectos da crise do crédito a ganharem  bónus pelos lucros obtidos com a quantitative easing.

Contudo, dizer que a quantitative easing beneficiou unicamente os ricos é  estar a  ignorar a contribuição que pode ter dado à  redução do desemprego. O desemprego britânico   desceu  por muitas razões – o pequeno estímulo económico é um factor  importante – nunca esquecer  que a  diminuição do desemprego foi  um dos mais  importantes  factores na redução da  pobreza relativa. A taxa de desemprego britânica é agora 50% mais baixa do  que a muitos países das zona euro.

Quem beneficiou com a  quantitative easing?

A imprimir papel-moeda para financiar o défice

Será uma melhor fórmula para  quantitative easing   seja  a de se  imprimir uma quantidade de papel-moeda mas de utilização directa  para financiar o défice orçamental  e/ou financiar  o investimento do sector público?

Alguns argumentam mesmo   que este conduziria directamente a uma procura mais alta e a uma economia mais forte.

Olhando  para o site Positive Money já mencionado,  encontrei este artigo bem interessante  – Printing money to fund deficit (a imprimir dinheiro  para financiar o deficit)  e uma ligação  a um artigo do FT  escrito por  Lord Adair Turner no  Financial Times, de  10 de Novembro de 2014.

O grande tabu de que se tem muito falado  é a ideia de que aumentar a oferta de moeda  para financiar um défice  governamental  conduz a considerar a s inflação do estilo de Zimbabwe/ou da República de Weimar, na Alemanha.

A diferença é que nós estamos numa armadilha da liquidez e a  enfrentar a perspectiva da deflação/ou de uma muito baixa inflação. Nesta situação, uma taxa de inflação mais alta faz já parte da solução.

Conclusão

Eu não sou um perito em quantitative easing. Os últimos anos são um bom  exemplo da aprendizagem que se tem andado a fazer.  É difícil avaliar globalmente  uma política dados  os exemplos relativamente limitados e as incertezas do que pode acontecer em seguida. É sempre igualmente difícil olhar para uma política isolada do resto  – quando são  muitas as coisas que em simultâneo  afectam a economia.

Mas, quando olhamos para  a economia global – Japão, Europa e numa menor dimensão para o Reino Unido e os Estados Unidos –  há um grande perigo de deflação, de estagnação económica prolongada (e em consequência um aumento no rácio da dívida relativamente ao PIB ). Imprimir papel-moeda  para financiar um deficit podia dar uma mão amiga para ajudar a  economia a regressar a uma trajectória de normalidade. E ainda por cima relativamente indolor e ajudaria a dívida governamental, a inflação e o crescimento económico.

Mas talvez o problema é o de que nós nos habituámos à ideia que toda a solução deve implicar sofrimento – a expressão  “não há ganho sem dor” poderia facilmente ser a ideia central sobre economia  de muitos políticos, especialmente na  Europa. A palavra austeridade mantém um forte e apelativo significado político.

Sim, imprimir papel-moeda  para financiar um défice  podia causar um sério  problema de  inflação em muitas circunstâncias e poderia muito frequentemente ser uma política irresponsável. Mas a situação económica actual é uma situação excepcional e a chamada  “virtude” pode facilmente transformar-se num  vício.

Fontes:

Tejvan Pettinger,  Quantitative Easing Definition, Dezembro de  2012

Tejvan Pettinger,  The failure of quantitative easing? Novembro  November 17

Textos disponíveis em Economics.help cujo endereço é:

http://www.economicshelp.org/blog/

Publicação autorizada pelo autor.

http://www.economicshelp.org/blog/1047/economics/quantitative-easing/

http://www.economicshelp.org/blog/12027/inflation/the-failure-of-quantitative-easing/#more-12027

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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