Tentar sempre, sempre e sempre para melhor
(conclusão)
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Possivelmente devido à urgência e à complexidade dessa fase da nossa situação alguns dos nossos economistas têm estado ocupados sobre o processo mas com a exclusão de outras fases que são, porém, de grande importância.
Destas outras fases, o que parece mais importante para mim a longo prazo é o problema de controlar através de um planeamento adequado, a criação e distribuição dos produtos que a nossa vasta máquina económica é capaz de produzir e disponibilizar. É verdade que o capital, seja público ou privado, é necessário para a criação de novas empresas, e que tal capital cria emprego.
Mas pensemos com atenção sobre as enormes somas de capital ou de crédito que, na última década, se têm dedicado a empresas que economicamente não se justificam — para o desenvolvimento de bens e serviços não essenciais e a multiplicação de muitos produtos muito além da capacidade de absorção da nação. É a mesma história que mostrámos com a irreflectida situação da existência de demasiados professores e de advogados.
Aqui novamente, no campo da indústria e dos negócios, muitos daqueles cuja preocupação principal é confinada à garantir boas situação para o que chamam de capital falharam ao ler as lições dos últimos anos e ao terem agido menos pela calma análise das necessidades da nação como um todo do que por uma determinação cega para preservar os seus próprios interesses na ordem económica. Eu não quero com isto dizer que penso termos chegado ao fim desse período de expansão. Continuamos a precisar de capital para a produção de novas máquinas recentemente inventadas, para a substituição de equipamento desgastado ou tornado obsoleto pelo nosso progresso técnico; Precisamos de melhores condições de habitação em muitas das nossas cidades e precisamos ainda em muitas partes do país de mais e melhores estradas, canais, parques e outras melhorias. Mas parece-me provável que a nossa estrutura fabril não se vá expandir no futuro à mesma taxa com que se expandiu no passado. Nós podemos construir mais fábricas, mas o facto a reconhecer é que temos suficientes por agora para satisfazer todas as nossas necessidades internas e mesmo mais, se estes equipamentos forem todos utilizados. Com estas fábricas podemos agora fazer mais sapatos, mais têxteis, mais aço, mais rádios, mais automóveis, mais de quase tudo do que precisamos.
Não, o nosso problema básico não foi uma insuficiência de capital. Foi uma insuficiente distribuição do poder de compra conjuntamente com uma excessiva especulação sobre a produção. Enquanto os salários subiram em muitas das nossas indústrias, fizeram-no sim mas de modo nenhum aumentaram na mesma proporção que os ganhos do capital e ao mesmo tempo que o poder de compra de outros grandes grupos da nossa população era obrigado a reduzir-se. Nós acumulámos uma tal superabundância de capital que os nossos maiores banqueiros concorriam fortemente uns contra os outros e em que alguns deles empregaram mesmo métodos questionáveis, nos seus esforços para emprestar este capital quer nos Estados Unidos quer no exterior.
Eu acredito que estamos no limiar de uma mudança fundamental no nosso pensamento económico popular, que, no futuro, vamos pensar menos sobre o produtor e mais sobre o consumidor. Iremos fazer o que pudermos para injectar vida na nossa ordem económica em tão mau estado de saúde, não conseguimos resistir por muito mais tempo, a menos que nos possamos colocar sobre uma visão mais vasta do que é a distribuição e com ela procurar realizar uma mais sábia e mais equitativa distribuição do rendimento nacional,
Este projecto está bem no quadro da capacidade inventiva de homem, que realizou esta grande máquina económica e social que é ela capaz de satisfazer as necessidades de todos nós, de assegurar que todos os que desejam e possam trabalhar recebam da sociedade pelo menos para satisfazer as suas necessidades económicas. Num tal sistema, a recompensa para um dia de trabalho terá que ser maior, em média, do que ela era e a recompensa para o capital, especialmente o capital que é especulativo, terá que ser menor do que era. Mas eu acredito que depois da experiência dos últimos três anos, o cidadão médio receberia um retorno um pouco menor sobre as suas poupanças em troca da maior segurança para o principal, do que ter a experiência por um momento de uma enorme emoção pela perspectiva de ser um milionário e verificar imediatamente a seguir que a sua fortuna, real ou esperada, murchou nas suas mãos mão porque a máquina económica falhou, entrou em ruptura mais uma vez.
É no sentido de alcançar este objectivo que temos de nos mover se nos quisermos aproveitar e aprender com as nossas experiências recentes. Provavelmente poucos discordarão que o objectivo é desejável. Ainda muitos haverá, de coração fraco e com medo da mudança, firmemente sentados com dificuldade nos telhados na enchente, resistirão dificilmente esbracejando para se salvarem e com um medo enorme de o conseguirem fazer. Mesmo entre aqueles que estão prontos para tentar esta viagem há violentas diferenças de opinião sobre como deve tudo deve ser feito. Tão complexo, tão amplamente distribuídos ao longo de toda a nossa sociedade são os problemas com que nos confrontamos que os homens e as mulheres movidos pelo bem comum não estão de acordo quanto às melhores maneiras de os conseguir alcançar. Um tal desacordo leva a que não se faça nada, a ficar à deriva. O consenso pode vir tarde demais.
Não confundamos os objectivos com os métodos. Muitos dos considerados líderes da nação não conseguem ver a floresta por causa das árvores. Muitos deles não reconhecem a necessidade vital do planeamento por objectivos definidos. Uma verdadeira liderança exige que se precisem os objectivos e que se ganhe o apoio generalizado da opinião pública em apoio destes objectivos.
Não confundir objetivos com métodos. Quando a nação se torna substancialmente unida a favor do planeamento dos grandes objectivos da civilização, então a verdadeira liderança deve unir o pensamento que está por trás dos métodos escolhidos.
O país precisa , a menos que eu me engane na sua têmpera, o país exige experimentação audaciosa e persistente. É do senso comum assumir um método e experimentá-lo: se não der certo, se não resultar, admiti-lo francamente e tentar outro. Mas acima de tudo, tentar, tentar sempre alguma coisa. Os milhões que vivem em dificuldade não ficarão em silêncio para sempre e tanto quanto as coisas para satisfazer as suas necessidades são tão fáceis de alcançar.
Precisamos de entusiasmo, de imaginação e de capacidade para encarar os factos, mesmo que desagradáveis, bravamente. Nós precisamos de corrigir, por meios drásticos, se necessário, as falhas no nosso sistema económico, do qual muito sofremos agora. Precisamos da coragem dos jovens. A nós não nos cabe a tarefa de fazer o vosso caminho no mundo, mas sim a tarefa de refazer o mundo que encontrámos antes de nós. Mas a cada um de nós pode ser dada a coragem, a fé e a visão para dar o melhor que há em cada um de nós para o refazer!
APP Note: In the Public Papers and Addresses of Franklin D. Roosevelt, this document is sub-titled, “The Country Needs, the Country Demands Bold, Persistent Experimentation.”
Citation: Franklin D. Roosevelt: “Address at Oglethorpe University in Atlanta, Georgia,” May 22, 1932. Online by Gerhard Peters and John T. Woolley, The American Presidency Project. http://www.presidency.ucsb.edu/ws/?pid=88410
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