CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – TAMBÉM NA IGREJA, NEM TUDO O QUE PARECE, É – por Mário de Oliveira

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Desiluda-se quem pensa que o papa Francisco veio para mudar estruturalmente a Cúria romana. Veio para a reforçar. Também na Igreja, nem tudo o que parece, é. Francisco é a actual máscara com que a Cúria romana se apresenta às populações, suas súbditas. Para que elas sejam confirmadas na sua humilhada condição de súbditas. Quando só a verdade nos faz livres A impotência das populações, perante a Cúria romana, é total. Já nascem súbditas, tal como os pais, avós, todos os demais antepassados. No caso português, bem se pode dizer que, desde o início da nacionalidade, as populações nunca conheceram outra condição, que não a de súbditas da Cúria romana. Nos séculos passados, nem davam por isso. Roma era lá longe, as populações nasciam, cresciam, moriam súbditas, sem chegarem a saber da existência da Cúria romana. Mas a Cúria sabia delas. Os seus tributos chegavam lá. Bastava às populações conhecer o pároco que as baptizava, doutrinava, casava, sepultava. E suas filhas, seus filhos. O paroquial era o único registo que havia. Para as populações, o papa era o pároco. Nunca foi escolhido. Sempre foi imposto. Ainda hoje, é assim. Sem que as populações protestem. Cumpre-lhes acatar as deciões do senhor. Sustentar/enriquecer quem lhes é imposto. Nestes tempos de mediatização, o papa de Roma está mais presente no ser-viver das populações, que o próprio pároco. Quem diz papa, diz Cúria romana. Poucas, ou nenhumas pessoas são católicas romanas por opção. Já nascem católicas. A opção que lhes resta é sair. Não se pense que as igrejas cristãs protestantes são alternativas mais saudáveis. Não são. A matriz do cristianismo é intrinsecamente perversa. É o poder maonárquico absoluto. Francisco é hoje a máscara com que este se apresenta. Quanto mais cativante, mais confirma na condição de súbditas, as populações. Só a igreja dos dois ou três, reunidos clandestinamente em nome de Jesus, nos faz livres, autónomos, sujeitos, protagonistas. Avancem por esta via as, os audazes!

22 Janº 2015

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