NESTE DIA… 7 de FEVEREIRO de 1812, nasceu CHARLES DICKENS

Neste dia... - João - II

Charles Dickens por Ary Scheffer, retrato a óleo de 1855.
Charles Dickens por Ary Scheffer, retrato a óleo de 1855.

Charles John Huffam Dickens nasceu em Landport, Portsmouth, o segundo de oito irmãos. A sua infância foi feliz até o seu pai, John Dickens, ter sido condenado por dívidas, e detido, com a esposa, Elizabeth Dickens, e os filhos mais pequenos na prisão de Marshalsea, em Londres. Charles Dickens, com doze anos na altura, teve de ir viver com uma amiga da família, e trabalhar numa fábrica para poder pagar o seu sustento. Pôde voltar à escola alguns meses depois, mas continuou a ter uma vida familiar com dificuldades. As experiências da infância e juventude formaram muito as suas convicções e serviram largamente de inspiração para a sua obra. Voltou a trabalhar aos dezasseis anos, para a Doctor’s Commons, uma sociedade de advogados de Londres, o que o estimulou a conhecer melhor a cidade, que tinha de percorrer de lés a lés. O sucesso no seu trabalho para diversas publicações, e o desejo de consolidar a sua posição social, incentivou-o a dedicar-se à carreira de escritor.

Charles Dickens foi sem dúvida o maior famoso escritor inglês do século XIX. Para Walter Allen (1911 – 1995), escritor, ensaísta e crítico literário, autor de The English Novel, ele foi o maior romancista inglês de sempre. Georges Orwell (1903 – 1950) era de opinião que ele não tinha uma ideia clara sobre o funcionamento da sociedade, e descrevia as pessoas e as situações de modo a cativar o lado sentimental das pessoas, transmitindo apenas uma percepção emocional dos vícios da sociedade. Contudo reconhecia-lhe uma capacidade excepcional de cativar o lado humanitário das pessoas de todos os meios e de todas as classes sociais, e que assim contribuiu poderosamente para generalizar o conhecimento do que foi a realidade social inglesa sob a Revolução Industrial, com relevo para o sofrimento da população mais pobre.

O grande sucesso de Dickens deve-se sem dúvida a que conseguiu ser simultaneamente um escritor sério e um escritor que entretinha o público, como também assinala Walter Allen. Começou a sua carreira a escrever histórias curtas para jornais e revistas. A primeira, A Dinner at Poplar Walk saiu em 1833, em The Monthly Magazine, com ilustrações por George Cruikshank, sob o pseudónimo Boz. O seu sucesso foi rapidíssimo. O seu primeiro romance, The Posthumous Papers of the Pickwick Club, foi publicado em 1837, mas tinha saído anteriormente em fascículos numa revista, também o Monthly Magazine, nos doze meses anteriores. A sua popularidade atravessou logo o Atlântico. Os fascículos de The Old Curiosity Shop (1841) eram aguardados em Nova Iorque por multidões no cais. As pessoas em terra perguntavam para o navio se a heroína, a Little Nell, já tinha morrido.  Dickens escreveu ao todo quinze romances, o último dos quais, The Mystery of Edwin Drood (1870), não conseguiu acabar, tendo sido publicados apenas seis dos doze fascículos previstos. De salientar que Barnaby Rudge (1841) e A Tale of Two Cities (1859) são romances históricos.

Para além das histórias curtas e dos romances, Dickens também escreveu para o teatro, inclusive para o teatro musicado. São referidas influências do teatro na sua obra, resultantes sem dúvida de uma tentativa, na sua juventude, de participar numa peça de teatro, de que teve de desistir por motivos de saúde.

Todos os romances de Dickens foram previamente publicados em fascículos, o que permitiu que fossem lidos por largos sectores do público, incluindo alguns que a eles não poderiam ter acesso de outro modo. Alguns críticos referem que era obrigado a planear as suas obras (ele fazia-o com grande cuidado) levando em conta esse facto, e assim tinha de moldar o enredo de modo a, em cada fascículo, o leitor encontrasse como que um enredo menor que encaixasse no mais geral. Mas o mais notável da sua obra, são os personagens. Mesmo os que nunca o leram, ouviram falar de Scrooge, personagem que parece ter sido criado a partir do imaginário popular (provavelmente, foi).  T. S. Elliot (1888 – 1965) afirmou que os personagens de Dickens eram tão reais por serem únicos.

Dickens foi sem dúvida muito influenciado na sua obra pelos problemas da sua infância. Em David Copperfield (1849), talvez o seu romance mais famoso, fez um pouco a sua autobiografia. Leitor entusiasta, foi influenciado por escritores britânicos do século XVIII, como Defoe (1660 – 1731), Fielding (1707 – 1754), e Smollett (1721 – 1771). E mais, alguns críticos assinalam a influência de Cervantes nos Pickwick Papers.

Para além de quinze romances, escreveu cinco novelas e centenas de contos e artigos. Participou activamente na vida social do seu tempo, em numerosas de solidariedade e filantropia. A sua obra foi elogiada por uns e criticada por outros. Karl Marx disse que Dickens deu a conhecer ao mundo mais verdades sobre a vida política e social do que todos os políticos, publicistas e moralistas juntos. George Bernard Shaw, por seu turno, afirmou que Great Expectations era mais sedicioso do que O Capital.

Após uma vida de intenso trabalho, Charles Dickens faleceu a 8 de Junho de 1870 na sua casa em Gad’s Hill Place, no Kent, na sequência de uma trombose.

Propomos que acedam aos links seguintes:

http://aviagemdosargonautas.net/2012/02/25/um-livro-que-eu-li-tempos-dificeis-de-charles-dickens/

http://aviagemdosargonautas.net/2012/02/07/faz-hoje-duzentos-anos-que-nasceu-charles-dickens/

http://www.online-literature.com/dickens/

http://www.biography.com/people/charles-dickens-9274087

http://www.victorianweb.org/victorian/authors/dickens/index.html

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