Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
A caminho da Grécia, a caminho da libertação da Europa: a luta contra a austeridade
Grécia: Estão finalmente prontos para fazer as coisas certas e saírem do Euro?
A era de viver a pedir dinheiro emprestado chega ao fim na Grécia, e o povo grego tem agora uma escolha.
Charles Hugh Smith, Greece: Are You Finally Ready to Do the Right Thing and Leave the Euro?
CharlesHughSmith.blogspot.pt, 5 de Fevereiro de 2015
Há quase quatro anos escrevi Greece, Please Do The Right Thing: Default Now (June 1, 2011). O incumprimento para a Grécia permanece como sendo a única e verdadeira forma dela seguir em frente assim como a própria Europa. Considerem-se os terríveis “ganhos” quanto à destruição levada a cabo sobre a sociedade sobre a economia grega, uma obra feita ao longo dos quatro anos de mentiras, de predação, de escravidão pela dívida e de austeridade ao serviço dos cleptocratas: um sofrimento tremendo para muitos cidadãos gregos, tudo isto para nada mas desenvolvendo e aprofundando ainda mais o mal da democracia grega que é a escravidão pela dívida, que é a cleptocracia grega e são as remunerações pagas aos mercados financeiros da Europa.
A verdade é que a Grécia desperdiçou quatro anos a sustentar uma ilusão verdadeiramente falsa em que se utiliza o euro como uma moeda que vale tudo, quando verdadeiramente nunca valeu estruturalmente nada Como eu descrevi longamente durante estes quatro longos anos, o euro criou uma breve fantasia (e altamente rentável para os cleptocratas e bancos) que os devedores poderia de forma quase que mágica serem transformados em créditos sólidos em termos de riscos simplesmente porque agora lhes estavam a conceder empréstimos expressos em euros em vez de dracmas.
Não importa o que está a ser emprestado — euros, dracmas, quatloos ( a moeda de um qualquer planeta) ou berlindes.— os empréstimos adicionais comportam ainda elevados riscos de crédito. O fiasco das hipotecas subprime estava todo ele baseado numa fraude financeira semelhante: a bolha imobiliária permitiria aos proprietários sem dinheiro suficiente, rendimento e sem idoneidade creditícia manter enormes hipoteca — as hipotecas foram emitidas com a intenção de defraudar os compradores de títulos garantidos por essas mesmas hipotecas.
O euro é uma das maiores fraudes na história monetária e os seus gestores desencadearam uma das maiores campanhas de terrorismo financeiro de toda a história. Esses gestores têm persuadido (ou enganado) a maioria dos gregos (se as sondagens são feitas para se acreditar nelas com segurança) assim como quase toda a gente no planeta de que a saída do euro seria um completo desastre para o povo grego.
Isto é absolutamente o oposto da verdade: sair do euro e regressar à situação de dispor da sua moeda soberana será o maior bem possível para o povo grego, pela simples razões que 1) eles finalmente poderão controlar o seu próprio destino e 2) a emissão de moeda própria disciplina toda a economia de forma positiva.
Façamos a nós próprios a pergunta do que é que é mais provável ter sucesso no mundo: a criança mimada que carece da autodisciplina mais básica ou a criança que aprendeu que as acções que faça hoje têm consequências a longo prazo?
Não é assim tão difícil de traçar um plano orçamental e monetário que poderia rapidamente levar a que os gregos ganhem confiança na sua nova moeda grega. A parte mais difícil é a de quebrar o ciclo de corrupção e de mentiras que é o Status Quo na economia grega.
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Anunciem que o governo só pode gastar o que recebe em impostos e taxas. O Estado não irá pedir dinheiro emprestado, ponto final.
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Anunciem uma nova estrutura de impostos, simplificada, com taxas muito inferiores às das outras nações europeias. Por exemplo, se o imposto sobre o valor acrescentado (IVA) é de 17% noutros lugares na Europa, a taxa grega de IVA deveria ser definida em 7% a 10%. (Compare com o imposto sobre as vendas na Califórnia, que é de 9%.)
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Expliquem que o futuro da Grécia depende inteiramente de todos os que pagam impostos, desde que o governo deixe de pedir emprestado para gastar.
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Contratem-se 10.000 contabilistas actualmente desempregados (incluindo os recém-formados que têm sido incapazes de encontrar emprego na contabilidade), treinem-nos com segurança e solida formação nas práticas contabilísticas e de auditoria e coloquem-nos a inspeccionar a economia grega, começando pela parte da população mais rica, os 1/10 dos 1% (a classe da Cleptocracia) e trabalhando com alguma flexibilidade na redução de impostos sobre as gentes dos cafés da esquina.
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Façam com que o custo a pagar pela pratica da fraude contabilista ou da não conformidade seja bem maior do que o custo de pagar impostos relativamente baixos.
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Mudem a percepção social de que não pagar impostos é um comportamento aceitável. Mostrem que essa prática é um erro. Divulguem a lista das fraudes fiscais, etc.
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Façam com que os gastos do governo sejam transparentes e auditáveis por qualquer cidadão com uma ligação à Internet.
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Façam cumprir com rigor as leis do sector bancário onde os credores que emprestarem dinheiro sem considerar a gestão de riscos sejam forçados a absorver as suas perdas e a fecharem as suas portas. Incentivar a prudência nos créditos e empréstimos privados.
A moeda de uma nação é uma medida de confiança global na política monetária e orçamental do país. Se essa confiança está baseada numa cultura de corrupção, mentiras, fraudes e de dívida, a moeda perde valor: porque é que se há— de possuir e guardar uma moeda que está constantemente a ser degradada por mentiras e dívidas não cobráveis?
Uma moeda baseada na transparência, na prudência orçamental, na existência de pouca dívida pública e de uma tributação e gestão de riscos restritamente reforçadas farão com que se ganhe confiança e valor. As pessoas que temem ter valores em moeda grega estão realmente receosos que a cultura actual da corrupção, da fraude e da mentira não possa ser transformada. Estão errados. Esta cultura pode ser transformada pela adesão rigorosa às regras simples de transparência, de baixas taxas de imposto, da despesa de um Estado prudente e de um sector bancário privado que seja sobretudo responsável pela sua gestão de riscos (ou pela falta dele).
Em suma, a era de se estar a viver com dinheiro emprestado acabou na Grécia, e o povo grego agora tem uma escolha a fazer: continuarem no caminho da pobreza, deixando a sua cultura de corrupção inalterada, ou alternativamente podem tratar o mal pela raiz e apoiar uma nova cultura baseada na transparência, na prudência orçamental e na estrita adesão às regras básicas de gestão monetária
Charles Hugh Smith, Greece: Are You Finally Ready to Do the Right Thing and Leave the Euro?
Texto disponível em:
http://charleshughsmith.blogspot.pt/2015/02/greece-are-you-finally-ready-to-do.html
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CARTA DE MARICA FRANGAKIS
sobre os números 8, 9, 10 e 11 desta série
De: Marica Frangakis [mailto:frangaki@otenet.gr]
Enviada: sexta-feira, 13 de Fevereiro de 2015 09:22
Para: Júlio Marques Mota
Assunto: Re:
Dear Julio, you honour me by addressing your letter to me. Tough negotiations are ahead. I am sure you and I will be following developments closely! Kind regards, Marica.
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Links para os números 8, 9, e 10 desta série:
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10 –


