Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
A morte da Europa, a morte de um corrupto – morreu Léon Brittan
Auran Derien, MORT D’UN POURRI – Léon Brittan est parti
Revista Metamag, 1 de Fevereiro de 2015
Era a caricatura da oligarquia globalitária. É responsável por ter destruído as estruturas que enquadravam as práticas comerciais entre a Europa e o resto do mundo. Evidentemente foi membro de grupos de gente infame e estes proliferam na Europa. Seria impossível puni-lo porque não existem poderes capaz de o julgar e de o fazer pagar pelos seus crimes. Mas era a expressão da podridão humana. Chamava-se Léon Brittan e deixou este mundo no 21 de Janeiro.
O papel dos anglo-saxónicos na criminalidade económica
O crime económico e o mundo anglo-saxónico são apenas só uma e a mesma coisa. A Inglaterra, os EUA, o Canadá… estão na ponta do horror depredador contra qualquer forma de civilização. O chamado Brittan participava ao Conselho da Rainha (Queen’ s Council). Era membro do grupo Bilderberg como Kissinger. Estava ligado ao Banco Warburg-UBS, uma das 16 entidades que controlam a economia mundial. Por último, foi um peão importante para destruir a Europa quando foi Vice-Presidente da Comissão Europeia. Foi encarregado especificamente de erradicar todos as regulamentações comerciais. Enquanto que Jacques Delors olhava para outros lugares, Léon Brittan lançou a Europa na mundialização sem que nunca pedisse nada a ninguém e sem que para isso tivesse o mandato. Pertencia a uma cavalariça que, desde os anos 80, tinha levado a colocar na linguagem e na política a expressão dos três D, como o explica claramente Jean-François Gayraud na sua obra “A grande fraude”: desregulação, des-supervisão, descriminalização.
Os ingleses são desde há muito tempo os parceiros, digamos mesmo, são os agentes dos oligarcas americanos nas instituições europeias e agem sempre da mesma forma, flexível e eficiente:
– Colocar um anglo-saxónico como director do pessoal do organismo a dominar. Se isto não for possível, convém instalar um dos seus membros como quadro superior acima do Director ou de um dos seus adjuntos.
– O parasita anglo-saxónico nunca chega sozinho. Ele é acompanhado por colaboradores de confiança, cuja missão é impedir que outros grupos ou países sejam próximos de quem está à frente do centro de decisão. Ao contrário, um responsável não membro da “seita” será referenciado por um assistente ou por um chefe de gabinete ou por um chefe do estado-maior da seita anglo-saxónica.
– A obsessão dos predadores é estar no lugar certo na hora certa. Este foi o caso de Brittan, que organizou o laxismo europeu. Depois foi-se embora e deixou o lugar para um outro produto do mesmo tipo. Obviamente, o poder desses bandidos é aumentado pelo efeito de grupo. Por agir da mesma forma, apoiando o mesmo ponto de vista sobre a economia e Finanças, eles regularmente reforçam o seu poder.
A lei de Gresham

Pela fórmula segundo Gayraud, esta lei exprime que o pior elimina sempre o melhor. A oligarquia começou por promover Reagan, Thatcher, Bush, que acreditavam na nigologia (a estupidez assumida como ciência) revelada pelos mercados perfeitos, omniscientes e capazes de se autogovernarem . Tomaram as decisões que desfizeram as regras, as leis, os quadros de acção económica ao serviço do bem comum das populações que viviam relativamente numa harmonia graças a um fundo cultural semelhante. A expressão antiga que afirma que “embora sejam estrangeiros eles não são desconhecidos” valia tanto para a cultura Europeia que para os países da África, da Ásia ou da América Latina. Eliminando todas as protecções, todas as instituições penais, toda e qualquer fronteira entre o lícito e ilícito, esquecendo de passagem a preocupação europeia para a legitimidade dos comportamentos centrados sobre a medida, as actividades crapulosas saíram legalmente da criminalidade. É assim que o pior dos crimes foi cometido contra os povos da Europa.
Por causa de Léon Brittan, a Europa reduziu os direitos da TEC (tarifa externa comum), sem contrapartida para os outros países. A China, ao mesmo tempo, manteve os seus direitos aduaneiros como necessários ao seu crescimento. A globalização da economia arrastou todos os países da União Europeia para a catástrofe como foi amplamente evidenciado por Maurice Allais, nos seus últimos trabalhos, cujo nível e seriedade fariam corar de vergonha os economistas lyssenkistas. A taxa de desemprego é por todo o lado superior a 10% e continua a crescer. Ninguém hoje consegue saber até que ponto de miséria os povos inteiros irão cair. Certamente, até 2020, pelo menos, a Alemanha vai beneficiar da situação, tanto quanto os países em vias de desenvolvimento, nas costas dos trabalhadores europeus, lhes comprem massivamente as suas máquinas-ferramentas. Mas a técnica aprende-se e a China é um bom aluno. Além disso, os agricultores europeus irão desaparecer porque um outro gang decidiu rebentar com a independência alimentar do continente, copiando o esquema de destruição da autonomia do vestuário. Não restará nada, absolutamente nada. A ruralização da Europa, será então este o resultado final.
Toda a gente compreende que a Europa vai a caminho de ser algo que mais parece ser uma grande derrota. Os políticos que recebem os seus presentes vindos dos lobbies de banksters, sabem que está a acontecer algo de terrível, a morte de uma civilização, aquela que lhes permitiu que eles saíssem do nada, porque ela deixou as portas abertas para todos os tipos de talentos. Como eles não sabem quando a Europa entrará em colapso, eles vão ao espectáculo Charlie, como eles foram ao de Carpentras. As elites desapareceram, deixando no seu lugar aos segundos lugares, tipo Valls ou Cazeneuve. Por preguiça intelectual, por fraqueza de vontade, por estupidez adquirida na escola, as pessoas do Estado são os colaboradores de uma oligarquia infame. Retomando a análise de James K. Galbraith, Gayraud explica que os predadores visam o desvio dos recursos do Estado e de outras organizações em benefício dos seus amigos e protegidos. Trata-se, finalmente, de subtrair todas as riquezas na direcção de um pequeno círculo de plutocratas, a que Brittan se tinha ligado, porque essa era a sua missão, de que ninguém quis bloquear os efeitos.
Eles irão cuspir sobre os seus túmulos
Desde que Leon Brittan e a sua laia destruíram as regras que regem o comércio entre a Europa e o resto do mundo (1), as fábricas fecham porque são transferidas para outros lugares, mas os accionistas continuam a vender na Europa os produtos ou serviços ao mesmo preço. Eles reduzem ferozmente a massa salarial para aumentarem e desmesuradamente a massa de lucros. Toda a produção é deslocada entre várias entidades para que os lucros obtidos não possam ser tributados ou sê-lo no mínimo possível, o que empobrece os Estados, transformando-os depois em assaltantes sobre a população, o que leva à eutanásia de classe média, aqueles que são a base principal da técnica, da cultura e dos costumes. Estes enormes lucros obtidos pela oligarquia cleptocrática permitem-lhes especular sobre todos os tipos de produtos, de manipular as cotações por informações falsas que se difundem pelos media que lhes pertencem, e continuar essa dança de predadores sem fronteiras.
Quando não houver mais nada, os poucos resíduos da população europeia aplicarão certamente o conselho de Boris Vian: vão cuspir no túmulo dos seus progenitores, corruptos negociantes de milagres mediáticos que tudo terão açambarcado. É verdade que os últimos europeus proletarizados continuarão a ter a consolação habitual: o dialecto de Canaan, o sonambulismo da ideia fixa, a luta contra o racismo e o anti-semitismo.
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(1) Il est important de signaler que les archives du Sir Léon Brittan sont fermées pour trente ans. Or, on sait que les dossiers de quelques grosses escroqueries de la finance yankee ont disparu lors de la destruction de l’immeuble nº7 du World Trade Center. Cet immeuble est tombé sans raisons, l’après-midi du 11 septembre 2001. On peut parier que cela arrivera aussi aux principales archives relatant la destruction de l’Europe.
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Auran Derien, Revista Metamag, MORT D’UN POURRI – Léon Brittan est parti.
Texto disponível em:
http://metamag.fr/metamag-2630-MORT-D-UN-POURRI-Leon-Brittan-est-parti.html



