Depois de pedida a sua intervenção, o Provedor de Justiça analisou a situação e instou a Câmara Municipal de Amadora a suspender as demolições no Bairro 6 de Maio, devido à complicada situação social e à falta de legitimidade e competência para intervir em terrenos privados.
No entanto, a autarquia prosseguiu com o seu plano de despejos, continuando a deixar pessoas, que vivem há anos nessas casas, sem qualquer solução. Tinha sido excluídas do PER, considerado um programa obsoleto e ultrapassado com mais de 20 anos de atraso na sua execução.
A autarquia tem transmitido às instituições que há alternativas adequadas para as populações que têm vindo a desalojar, o que a comunidade considera falso. Também à comunicação social tem sido dito que só casas desabitadas estavam a ser demolidas.
Depois de tornada pública a carta enviada pelo Provedor de Justiça, a Câmara afixou mais um edital para demolir uma casa onde vivem 3 famílias, duas destas são monoparentais, duas mães, uma criança de três anos e outra recém nascida com menos de um mês. Atualmente estas famílias não têm rendimentos e não têm qualquer alternativa de habitação.
Graças à presença dos moradores e de inúmeros activistas, o piquete conseguiu evitar a demolição destas casas.
“Apesar das contrariedades é preciso reconhecer a determinação de todos os moradores e activistas solidários que não arredam pé e conseguem vencer algumas etapas importantes. …. Urge respaldar os interesses especulativos em torno de terrenos privados por parte de grupos financeiros que utilizam a Câmara Municipal para ordenar a barbárie com os braços do aparelho repressivo policial. Quem destrói casas e vidas mas faz valer da força para proteger os lucros de fundos imobiliários como o Fundo Fechado Especial de Investimento Imobiliário VillaFundo, gerido pela Interfundos do Millennium BCP, não tem qualquer outra intenção senão acumular mais-valias à custa de desalojamento. Esta é história dos acontecimentos no bairro de Santa Filomena. De nada vale o direito constitucional à habitação nem a desactualização do Programa Especial de Realojamento que não abrange pessoas que ali fizeram a sua vida depois de 1993. Nem sequer a condenação por parte do Provedor de Justiça fez a Câmara recuar. A autarquia não tem legitimidade para ajudar o negócio de um grupo financeiro que até já foi alvo de recapitalização para salvar-se da falência, mas avança com toda a força.”
Gentalha desta tem sido a causa de imensos problemas para os naturais do pais que os acolheu…. portanto concord com esses despejos