EDITORIAL  –  QUANDO A DEVEDORA ERA A  ALEMANHA

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O peso da  dívida pública tem sido um problema para a maior parte dos países do mundo.  Muitas vezes está associado a fenómenos de corrupção e de sujeição política. Tendo sido assim com muitos países do chamado terceiro mundo, e também com países do primeiro mundo. Veja-se o que se passa hoje em dia na União Europeia (UE). Não é de modo nenhum  exagero dizer que o problema da dívida põe em causa o seu próprio futuro. O peso excessivo da Alemanha na zona euro, com especial reflexo nas balanças comerciais e de transacções correntes, condiciona decisivamente (para não dizer imperialmente) a vida dos outros países, sobretudo dos mais pequenos, como é o caso de Portugal. O caso dos submarinos, tantas vezes tratado ao nível de jornalismo sensacionalista, é apenas um, sem dúvida que dos mais onerosos, mas um entre outros. E que requer outra abordagem, a todos os níveis.

Pessoas amigas recordam-nos que, em 27 de Fevereiro de 1953, faz hoje sessenta e dois anos estabeleceu-se  em Londres um acordo entre várias potências sobre o pagamento das dívidas da Alemanha, na sequência das guerras.  26 países, com particular destaque para os Estados Unidos, Reino Unido, Holanda e Suíça, e incluindo a Espanha e a Grécia, assinaram o acordo. Foi perdoada cerca de metade da dívida alemã, e a restante escalonada. Nos links abaixo, os nossos leitores poderão obter mais elementos sobre esta questão.

Particularmente relevante, em nosso entender, neste Acordo celebrado em 1953, foi a imposição de obrigações tanto aos devedores como aos credores, e não só aos devedores. O montante das prestações de pagamento da dívida alemã em cada ano ficou condicionado ao estado da economia nesse ano. Também não é exagero referir que a situação actual na zona euro beneficiaria muito, incluindo a situação dos credores. Muitas considerações se poderiam fazer acerca deste assunto, começando pelas de carácter político, em nosso entender mais decisivas do que as carácter puramente económico. Pode-se invocar o peso do conflito leste-oeste na altura. Mas, e hoje? Há lugar para considerações semelhantes, talvez de modo ainda mais pertinente.

http://aventar.eu/2013/02/27/acordo-de-londres-sobre-as-dividas-alemas/

http://auditoriaciudadana.net/2013/02/27/aprendiendo-de-la-historia-como-irlanda-y-grecia-perdonaron-la-deuda-alemana-2/

https://mamapress.wordpress.com/2015/02/26/acordo-de-londres-sobre-as-dividas-alemas-ou-quando-rico-ri-a-toa/

 

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