CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – BISPOS DIOCESANOS? PARA QUE OS QUEREMOS?! – por Mário de Oliveira

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O Bispo D. António Francisco dos Santos, ex-diocese de Aveiro, abruptamente abandonada por ele, quando lhe acenaram com a do Porto, completou esta semana um ano de mandato. Para nos dar a não-notícia, o semanário Voz Portucalense, que tem a Diocese do Porto como seu proprietário, ocupa quase toda a primeira página com a fotografia do seu patrão. Meio-corpo, batina preta ponteada de botões vermelhos, cruz peitoral de precioso metal, pendente do pescoço apertado pelo romano colarinho branco, as duas mãos à cintura, uma sobre a outra, a direita por cima, para se ver bem o anel no respectivo dedo. O texto, ao lado, recorda o dito e o feito pelo bispo neste seu primeiro ano. “As suas tarefas pastorais – reza um dos três curtos parágrafos – passam pelas mensagens que transmite nas numerosas celebrações a que tem presidido na catedral, nas comunidades e nas paróquias, onde sempre pronuncia homilias cuidadosamente preparadas e muitas vezes escritas”. Conclui-se, assim, que o bispo do Porto e, com ele, todos os outros bispos diocesanos andam aos papéis, sem saber o que fazer. São os mais estéreis dos seres humanos. As dioceses, a que presidem, estão mergulhadas numa apagada e vil tristeza. Um pântano eclesiástico. Nem Lisboa se aproveita. D. Manuel Clemente, ex-diocese do Porto, limita-se a puxar pelos galões de cardeal, o barrete e o anel. Pouco mais. São a prova provada de que o cristianismo católico romano, despojado dos terrores/anátemas do passado, é cada vez mais residual. Felizmente. Dele, tem de se dizer o que Jesus Nazaré diz de Judas/Judaísmo davídico, Melhor fora não ter nascido! Nasceu para negar Jesus Nazaré e o seu Evangelho/Projecto político maiêutico. Dá-nos, em seu lugar, o mítico Cristo/Jesuscristo davídico e o evangelho/projecto de poder monárquico absoluto de S. Paulo, o pai do poder financeiro global, cujo rosto histórico mais visível é o bispo de Roma. Hoje, o papa-show Francisco que anula por completo todos os demais bispos. Daí, a pertinente pergunta: Bispos diocesenos? Para que os queremos?!

28 Fevº 2015

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