ESCRITOS NA AREIA – ENTRE A FLEXIBILIZAÇÃO E O TAYLORISMO . por António Mão de Ferro

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Os debates sobre o futuro do mundo do trabalho, apontam normalmente para aspetos como a importância dos trabalhadores possuírem um alto grau de flexibilidade. De criatividade. De autonomia. De cooperação. De capacidade para trabalhar em equipa. De auto motivação para levarem por diante os desafios com que as organizações são confrontadas cada vez mais. Muito mais podia ser referido, mas ficamos por aqui.

Argumenta-se que só detendo caraterísticas como as referidas, é possível acompanhar sem dificuldade, as reestruturações no sector da produção e contribuir para uma maior interligação entre as tarefas produtivas e as administrativas.

Tornam-se assim necessárias novas qualificações profissionais, que exigem por sua vez perfis inovadores e imaginativos.

Na conceção das empresas com maior sucesso a que temos assistido nos últimos anos, está um grupo de profissionais criativos, com capacidade de comunicação e um entusiasmo que deitam por terra todos os obstáculos que se vão sucedendo, até conseguirem criar produtos com sucesso a nível mundial.

Porém há uma outra realidade que parece escapar aos defensores dos novos perfis. São os milhares de trabalhadores nos callcenters, nas caixas de supermercados enoutras superfícies comerciais que desenvolvem um trabalho muito semelhante ao dos métodos tayloristas..

Se quisermos ser um pouco mais abrangentes, podemos também dar o exemplo dos fiscais da água. Acabou de bater um, à porta da minha empresa, para ler o contador, leu, contou e foi-se embora, para fazer o mesmo na porta seguinte e na outra e na outra. Quem fala no contador da água, pode falar nodo gás ou da eletricidade que embora diferentes dos doscallcenters e das caixas de supermercadofazem um trabalho que requer muito pouca criatividade

O mesmo se passa com a maior parte dos colaboradores de multinacionais, que na maior parte dos casos nem sequer têm autorização para mudar o que quer que seja no local onde trabalham. Tudo é definido noutros países. Eles limitam-se a cumprir as normas para as quais a empresa lhes deu orientações, sem qualquer autonomia e obrigados a cumprir condições rígidas de trabalho.

Há muita contradição entre os discursos e as práticas!

 

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