EDITORIAL – Escândalo político-financeiro no Brasil

Imagem2Os partidos políticos constituem a base do sistema de democracia representativa. No entanto, há partidos políticos cuja existência e razão de ser em nada se relaciona com a democracia, funcionando como meras centrais de interesses económicos, quando não mesmo como alfurjas de negócios obscuros. No Brasil, a ditadura militar que vigorou entre 1964 e 1985, fez surgir a Aliança Renovadora Nacional, com o acrónimo de ARENA. 

Na sua declaração de princípios dizia ser uma aliança dos brasileiros «contra a ameaça do caos económico, da corrupção administrativa e da acção radical das minorias activistas». A ARENA, foi extinta em 1979 e rebaptizada de PDS – Partido Democrático Social que, seguindo uma linha genealógica sempre de orientação conservadora, chega aos dias de hoje com a designação de PP – Partido Progressista. De certo modo, como o PSD português, herdeiro da União Nacional e da chamada «ala liberal» da Acção Nacional Popular de Cartano, que desembocou no bando de corruptos que domina a vida política portuguesa.

Com 1,4 milhão de filiados o PP é o quarto maior partido brasileiro, atrás de PMDB, PT e PSDB Agora o PP está envolvido no escândalo da Petrobras, sendo, aliás, o partido que tem mais gente implicada no desvio de activos, embora o PT também não pareça estar isento de culpas. A lista de 54 nomes entregues ao Supremo Tribunal e tornada pública na sexta-feira passada, entre outros, revela os nomes do ex-presidente Fernando Collor de Melo e dos actuais presidentes do Congresso e do Senado, cai como uma bomba na vida brasileira. Dilma Rousseff não pode assobiar e olhar para o lado, pois, além da sua actual responsabilidade como suprema magistrada da nação, presidiu aos destinos da Petrobras entre 2003 e 2010. Tem de tomar medidas contra a corrupção e fazer tudo para esclarecer o escândalo. Sem o que será considerada cúmplice.

Como nota marginal, refira-se que lá como cá, a democracia gerou figuras públicas boçais e que são a negação da própria democracia. Alberto João Jardim disse que «quer que a Assembleia da República se f.” Ciro Nogueira, presidente do PP, e, em nota oficial afirma não estar nada preocupado com as acusações. “Estou cagando e andando, no bom português, na cabeça desses cornos todos. Sou um cara sério, bato no meu peito e não tenho culpa”.

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