NESTE DIA.. Em 11 de Março de 1975 – 3

nestedia3Hoje é o dia 11 de Março.

Em 11 de Março de 1975, faz hoje quarenta anos, quase onze meses decorridos sobre a Revolução, aconteceu o que se previa desde que o regime ditatorial foi derrubado: uma reacção revanchista da direita. Sentia-se que essa reacção estava iminente, pois a instabilidade social, a luta entre partidos, a deriva para a esquerda… de dia para dia, a Revolução assumia contornos que os conservadores consideravam de um esquerdismo radical. Mas a Revolução resistiu à agressão spinolista. Vejamos como.

14:30 – De Tancos descolaram para Lisboa dois T-6, armados com metralhadoras e ninhos de foguetes anti-pessoal, pilotados pelo segundo-sargento Jordão e segundo-sargento Carvalho, tendo a missão de ataque a objectivos não apurados. A mesma hora, descolaram dois aviões Noratlas, transportando uma companhia de pára-quedistas (75 homens) para Lisboa, para reforço da companhia anterior. Ainda à mesma hora, descolaram dois aviões Aviocar, transportando 25 pára-quedistas para a B.A.5.

Às 14:40 , as forças pára-quedistas levantaram o cerco ao RAL 1. Militares e civis confraternizaram. Ricardo Durão deslocou-se com Salgueiro Maia a Tancos para dialogar com Spínola. O general admitiu o malogro do golpe.

Às 14:45 a E.N. emitiu o primeiro comunicado do Gabinete do Primeiro-Ministro: “Esclarece-se a população terem-se verificado hoje, de manhã, incidentes envolvendo forças militares reaccionárias em tentativa desesperada de travar o processo revolucionário Iniciado a 25 de Abril. Tais incidentes consistiram numa tentativa de ocupação do R.A.L.1, envolvendo meios aéreos e terrestres. A situação encontra-se sob controle, pelo que se apela para que a população se mantenha calma, sem abrandar contudo a sua vigilância. A aliança entre o Povo e as Forças Armadas demonstrará, agora como sempre, que a revolução é irreversível”.

15:00: Em Tancos descolou um Allouette III, armado com canhão, tendo como missão o ataque às antenas da Emissora Nacional. Era pilotado pelo segundo-sargento Souto e Silva e levava ao canhão o capitão Jordão. À mesma hora, descolaram dois T-6, desarmados, pilotados pelo alferes Melo e alferes Correia, com a missão de intimidação.

O Diário de Lisboa foi o primeiro jornal a sair com a cobertura dos acontecimentos. Faria três edições. Em Tancos, soldados e sargentos da B.A.3 amotinaram-se contra os conspiradores, atacando as viaturas civis utilizadas pelos golpistas e encontrando armamento. O general Tavares Monteiro foi depois preso naquela unidade por soldados, sargentos e oficiais milicianos.

15:10: a Radiotelevisão Portuguesa noticiou a síntese dos acontecimentos.

15:15 – Os pára-quedistas que atacaram o R.A.L.1 depuseram as armas, juntando-se aos militares da unidade.

15:30 — Em Tancos, descolaram dois aviões T-6, armados com metralhadoras e ninhos de foguetes anti-pessoal, pilotados pelo segundo-sargento Brandão e pelo furriel Bragança, para ataque a alvos não identificados..

À mesma hora, descolaram dois Allouette III, um transportando para o Regimento de Pára-quedistas o general Spínola e alguns elementos e outro armado com canhão para protecção daquele oficial durante a sua permanência naquela unidade. Eram pilotados pelo major Zuquete e major Godinho.

15.25 – Entrevista com Otelo Saraiva de Carvalho na televisão: A situação está perfeitamente calma. Os responsáveis do sucedido serão exemplarmente castigados. As Forças Armadas, estão totalmente serenas e com o MFA.

16:00: – Mensagem do Presidente da República: “que desta lamentável aventura saia mais uma vez reforçada a unidade Povo-MFA e que a população portuguesa dê mais uma vez ao mundo um exemplo da sua maturidade cívica”.

16:20 – De Tancos descolaram quatro Allouette III, um equipado com canhão, protegendo os restantes e nos quais alguns militares efectuaram a evasão.

17:00 – Renderam-se, libertando os oficiais detidos, os revoltosos do Carmo. O general Freire Damião, o tenente-coronel Xavier de Brito, o major Rosa Garoupa e o tenente Gomes, pediram asilo político na Embaixada da RFA.

(Continua)

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