
1998 – Encontro entre Alex Januário e Marcus Rogério Salgado, intermediado por Swem Prem Karam. Têm início a cumplicidade sonora e poética e os laboratórios pelo centro de São Paulo (particularmente em torno da Estação da Luz). Leituras: André Breton, Benjamin Péret, Antonin Artaud, Roberto Piva, Sergio Lima e outros. Escrita automática e cadáveres exquisitos.
2000/2001 – Encontro com Deusdédit de Morais e Gustavo Arruda. Premência de atuação em horizonte coletivo. Reuniões semanais no bar Salada Record (avenida São João) e na livraria Móbile (bairro da Liberdade). Deambulações noturnas pelo centro de São Paulo em busca da “iluminação profana”. Presença de Marcio Calixto e Ricardo Rosas em alguns desses encontros e atividades. Atividades editoriais: reedição dos livros Dentro da Noite (João do Rio) e Mundo, Diabo e Carne (José do Patrocínio Filho). Leituras: O camponês de Paris, Nadja, O Amor louco, O Amor sublime, Uma experiência demoníaca, Amore, No Temporal, Paranoia, Volta, A Aventura Surrealista.
2002/2003 – Encontro com Konrad Zeller e Renato Souza, que passam a integrar o grupo. Nessa mesma época, abre-se diálogo com nomes do Surrealismo local e internacional, como Claudio Willer, Nelson de Paula, Fernando F. Fuão, Leila Ferraz, Raul Fiker, Zuca Sardan, Roberto Piva, Aldo Alcota, Enrique Lechuga, Alejandro Puga, Suzana Wald, Ludwig Zeller e Gabriela Trujillo, entre outros. Período de investigações sobre a recepção do Surrealismo no Brasil. Intervenções críticas durante a exposição comemorativa dos 50 anos da revista Noigandres e durante o lançamento do livro Geração 90: Os Transgressores. Leituras: Mário Cesariny, António Maria Lisboa, René Crevel e Michel Leiris.
2004 – Exposição Convocação dos Cúmplices – 80 Anos do Primeiro Manifesto do Surrealismo. Mostra realizada na AAMAM (Associação dos Amigos do Museu de Arte Moderna), que contou com uma série de debates, leituras poéticas e performances sonoras, além de obras de nomes diretamente ligados ao Surrealismo no Brasil e na América Latina dos mais diversos períodos. Realizada sem qualquer tipo de apoio institucional, a Convocação dos cúmplices alcançou seu principal objetivo: propor um amplo debate sobre a importância do manifesto de André Breton, e não a comemoração burocrática de uma efeméride. Encontro com Rodrigo Mota, que passa a integrar o grupo. Reedição de Os ossos do mundo (Flavio de Carvalho). Participações de Alex Januário, Konrad Zeller e Renato Souza em mostras coletivas do movimento surrealista internacional.
2005 – Aproximação com Sergio Lima, de que resultaria uma série de reuniões e ações, como a publicação do boletim não-periódico A Via Queimante, O Baobá de Lautréamont (Edições Móbile), que seria renomeado para A Quimera que passa e a revista A Phala 2. Intenso período de discussões (sobre collage, imagem e poesia) e atividades grupais (jogos e textos de afirmação). Amplia-se o diálogo com outros nomes e grupos internacionais.
2007 – Marcus Rogério Salgado publica A vida vertiginosa dos signos (Editora Antiqua), abordagem das relações genealógicas entre decadentismo e surrealismo enquanto herdeiros do romantismo negro. O livro traz collages de Alex Januário, Rodrigo Mota, Konrad Zeller e Renato Souza; capa de Konrad Zeller; projeto gráfico de Rodrigo Mota. Suspensão das atividades do grupo, embora os integrantes mantenham contato entre si. Ampliam-se os diálogos com outros surrealistas e grupos de diversos países.
2009 – Alex Januário publica o livro de collages Sete Anos (Edições Loplop). Retomadas as ações coletivas, com a participação de Alex Januário, Marcus Rogério Salgado, Rodrigo Mota e Renato Souza. Encontro com Fernando Dellamano, que passa a integrar o grupo. Momento de discussões focadas em questões pertinentes ao homem e à sociedade. Ao mesmo tempo em que se consolida o estudo sobre a obra de André Breton, ocorre também a aproximação às obras de autores dissidentes – principalmente daqueles ligados a Le Grand Jeu, como René Daumal e Roger Gilbert-Lecomte, ou, ainda, Henri Michaux.
2010 – O grupo redige o texto de afirmação Deste Pão não Comeremos, propondo debate e posicionamento no tocante à falsa polarização ideológica em curso nas últimas eleições presidenciais no Brasil. É importante lembrar que o grupo não obteve adesão ou mesmo resposta ao texto por parte dos demais nomes ligados ao Surrealismo no Brasil.
2011 – Publicação de Os deuses falam pelos govis, texto de Pierre Mabille, (Edições Loplop, coleção Ocultura), organizado e traduzido por Marcus Rogério Salgado. Com as Edições Loplop, o grupo objetiva trazer à luz textos fundamentais do Surrealismo.
2012 – Marcus Rogério Salgado organiza e traduz o decadentista francês Jean Lorrain, com o livro intitulado A vingança do mascarado (Editora Antíqua), figura de grande admiração de André Breton e outros surrealistas. Alex Januário publica, Caixa Gris – Collage (Edições Loplop).
2013 – Edições Loplop publica o texto firmado em 2010 Deste Pão não comeremos. De Sergio Lima o livro, Clarice, Cirlot, Kristeva e Duras: a voz do coração selvagem, e Marcus Rogério Salgado, A arqueologia do resíduo: os ossos do mundo sob o olhar selvagem (Editora Antiqua). Rodrigo Mota publica Tinta da China com texto de Marcus Rogério Salgado (Edições Loplop).
2014 – Loplop publica Navalha vestida de Sol, collages e poemas de Renato Souza com texto de Marcos Rogério Salgado.
No momento, para o grupo a Intervenção Surrealista se apresenta como atividade incorporada diretamente à vida, manifesta de forma consciente e constante, como o próprio ato de respirar.
