Enquanto não fizermos o êxodo da fé cristã religiosa para a Fé de Jesus, o camponês-artesão de Nazaré, o filho de Maria, não descolamos do Infantil. Permanecemos reféns de tutores, intermediários, chefes. Damo-nos por satisfeitos, quando eles nos permitem escolher entre estes ou aqueles, segundo regras sistemicamente viciadas. O Infantil em que vivemos, impede-nos de conhecer a realidade tal qual ela é. Conhecemo-la, mas ao modo infantil. Crescemos em número de anos, não crescemos em sabedoria. Só em saber. Sabedoria e saber são antónimos, mais do que sinónimos. Temo-los por sinónimos, porque somos-vivemos no Infantil. Vemos de forma nublada, baça, translúcida. Não de forma transparente. O Religioso, primeiro, o Cristão, depois, são duas etapas históricas na caminhada da Humanidade, próprias da etapa infantil dos povos das nações. A passagem do Religioso ao Cristão não é substancial. Pouco mais é do que conceptual. Há o Religioso, em múltiplas religiões, todas más. Há o Cristão/Cristo, em múltiplos cristianismos, todos maus. Porque mantêm os povos no infantil. Impedem-nos de crescer de dentro para fora. Cresce o Poder, diminuem os povos. A importância vai toda para os agentes do Poder, que actuam ao modo de padrinhos, ou de tiranos. No Infantil, é impossível a Liberdade, a Maturidade, a Responsabilidade. Só a obediência ou a simulação, por parte dos povos das nações. A tirania ou o bem-fazer, por parte dos agentes do Poder. Urge passarmos da fé cristã religiosa à Fé de Jesus que, entre meados do ano 28, Abril do ano 30, rompe de vez com o Religioso, o Cristão, pais do Infantil. Pratica/anuncia o Evangelho da Fé antropológica-teológica. Aposta tudo, não num Deus distante com intermediários, mas nos seres humanos, povos das nações, habitados por Deus Abba-Mãe que nunca ninguém viu, nos potencia, de dentro para fora, até sermos plena, integralmente humanos, Liberdade, Autonomia, Maturidade, Maiêutica, Vasos comunicantes, Afectos, Paz desarmada. Sem deuses, nem chefes. Numa Terra, casa comum de todos os povos, sem distinção.
20 Março 2015

