FRATERNIZAR – Recusou presidir ao funeral – O que revela este comportamento de um pároco católico romano? – por Mário de Oliveira

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Foi numa freguesia-paróquia de Mangualde, diocese de Viseu. Poderia ter sido numa outra, de uma outra diocese. Calhou de morrer um residente católico. Contra todos os usos e costumes da aldeia, não houve a presença do pároco no respectivo funeral.

Nem de nenhum outro clérigo católico romano em seu lugar. Então não é que o referido residente católico atreveu-se a morrer, sem, antes, pagar os 375,00 euros que o pároco garante que ele lhe “deve”?! Decisão imediata do pároco, comunicada, na hora das diligências habituais junto dele, em casos semelhantes: Ou os seus familiares mais próximos pagam a “dívida” do defunto, ou o funeral não contará com a presença do pároco. Nem com a presença de um qualquer símbolo religioso, propriedade da paróquia. Nem com o toque dos sinos da torre da igreja. Os paroquianos – mas que néscios, eles são, ahn?! – têm de aprender que, nestes assuntos religiosos, ou têm as contas em dia com os respectivos párocos/pastores, ou arriscam-se a tratamentos como este. O pároco é o único empresário da paróquia, por delegação do bispo da diocese. A população nunca é chamada pelo bispo a pronunciar-se, nem sequer quando ele é nomeado, enviado para lá como o pároco local. A população sempre aceita seja quem for. Nem que seja um comerciante de Deus, melhor, do Religioso, como este. O que lhe importa, é que o indigitado seja nomeado pelo bispo, o patrão-mor da diocese, como de cada uma das suas múltiplas paróquias.

 O mais grave, neste caso que os telejornais da altura noticiaram, com foros de escândalo, é que o próprio bispo de Viseu, que, antes de o ser, também foi pároco, solidarizou-se na hora com o seu funcionário. Não com os paroquianos, fundadamente escandalizados com o comportamento anti-pastoral dele. O bispo D. Leandro sabe que, se os paroquianos não pagam os serviços que reclamam aos párocos ou à diocese, cabe a ele garantir o sustento dos seus funcionários clérigos. Seria, obviamente, a falência da diocese. Ele próprio teria de pensar em exercer uma profissão secular remunerada, para poder ser bispo de graça. Como, de resto, recomenda, quase ordena, o Evangelho de Jesus, o camponês-artesão de Nazaré, o filho de Maria. Certamente, um sonhador. Um utópico, no pensar dos clérigos, dos pastores de igreja. Numa tal situação, lá se iam os clérigos. Lá se ia a diocese. Lá se ia a Cúria romana.

 Tirem o dinheiro à igreja católica, a qualquer das igrejas protestantes. Verão o que acontece. Se já há hoje muito poucos candidatos a clérigos/pastores, então, não haveria nenhum. O que nem era mau. Antes pelo contrário. Era uma barrela geral das mentes-consciências das populações, infectadas, há séculos, de geração em geração pelo vírus mortal do Religioso, do católico romano, do cristão, do cristianismo, do catequético, do bíblico. Se há espécies de seres sobre a terra, cuja extinção é de saudar, uma delas é a dos clérigos/pastores, que o são apenas a troco de dinheiro. Não a troco de um modesto viver, sem acumulação de riqueza, de património. Só mesmo a troco de dinheiro, muito dinheiro. De privilégios, muitos privilégios.

O caso, objectivamente inócuo, em si, não deixa, contudo, de ser profundamente significante. Revelador. Só por isso é que é abordado aqui, à luz da Fé, da Teologia de Jesus. Diz bem quão inumano é o sistema religioso, eclesiástico, clerical. Por causa de 375,00 euro em “dívida”, o pároco deixa simplesmente de existir. Nem o facto de estar perante uma situação que os próprios clerigos, terroristas nas catequeses, nos sermões que transmitem, tratam como de dor, de tristeza, de luto. Nem o próprio chega a dar-se conta de que, depois desta sua recusa, fica manifesto a quem queira ver, que, afinal, o pároco numa freguesia faz tanta falta como a viola num enterro. Nenhuma. As populações podem muito bem prescindir de todos os seus serviços. Verão que o ser-viver delas prossegue, dia após dia, com normalidade. Até, com mais normalidade. É o que este pároco, ao agir como agiu, está a dizer a todas as populações do país, da Europa, do mundo. Mais ainda. Ficou claro, de uma vez por todas, que as populações, sem os párocos, têm, inclusive, a oportunidade de crescer de dentro para fora umas com as outras. Ao ponto de gerarem, gerirem – auto-gerirem – os serviços comuns de que venham a necessitar. Também ao nível da Fé, a mesma de Jesus. Sobretudo, ao nível da Fé. Uma vez estes conseguidos, todos os mais serviços comuns vêm por acréscimo. Experimentem, logo verão os resultados!

De resto, não há igreja-movimento de Jesus, a não ser assim. Ou a igreja é constituída pelas populações que crescem de dentro para fora, umas com as outras, ou não é igreja-movimento de Jesus. É um sistema mais, porventura, o mais perverso de todos os sistemas. Aquele que mais condena as populações a um estado de infantilidade por toda a vida. Geração após geração. A prova de que é o mais perverso, é que, como sucedeu com este caso do pároco comerciante do Religioso, as próprias populações católicas, embora reagissem contra o procedimento dele, fizeram-no pelas mais repugnantes, humilhantes razões. Disseram, “O cadáver foi a enterrar como o de um cão”. Vejam a que grau de humilhação as populações já desceram como seres humanos. Só porque o clérigo comerciante se recusou a presidir ao funeral, devido à “dívida” que ele próprio inventou contra o defunto, as populações, suas súbditas, apressam a dizer, com o aval dos jornalistas de turno, que, sem a presença do clérigo comerciante, o cadáver do seu conterrâneo foi sepultado como o de um cão. Esquecem que, hoje, se se tratar de um cão doméstico, os seus donos sentem a sua morte como uma perda. Choram-na. Enterram o respectivo cadáver, sob forte emoção. O que não aconteceu neste caso.

 Digam lá se fazem alguma falta clérigos párocos, como este da diocese de Viseu. Não se diga que é uma excepção à regra. É a regra. Pode ter algumas excepções. Mesmo essas, a existir, só o são em parte. O próprio clérigo pároco é uma vítima que faz vítimas, todas quantas, todos quantos o reconhecem como o pároco, pagam-lhe regularmente a côngrua ou obrada, reclamam os seus pérfidos serviços religiosos, pagam-lhos na hora. Ele próprio, bem vistas as coisas, é uma vítima do sistema religioso-eclesiástico, que faz vítimas, quantos se têm como seus paroquianos. O sistema fez deste filho de mulher por nascimento, um clérigo, filho do poder. Um crime, numa sociedade laica, liberta do religioso eclesiástico.

Em nome da libertação do Medo, da saúde mental, da nossa dignidade humana, atentemos bem neste tipo de coisas, de comportamentos. Fujamos deste tipo de ambientes eclesiásticos-clericais, quanto antes. De contrário, acabamos tratados abaixo de cão pelo mesmo sistema que faz dos seus próprios clérigos gato-sapato. Os quais acabam, depois, a reproduzir com quantas, quantos recorrem aos seus serviços, idênticos tratamentos. Para pior. Porque sempre uns degraus ainda mais abaixo daquele em que eles próprios são tratados, desde o dia em que renunciaram a ser homens, para se tornarem clérigos celibatários à força. Uma perversão pior do que a da pedofilia, já de si, horrenda q.b.

 

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