A apatia foi cedendo e abriu um fosso entre nós e os outros, e criou um sentimento de vertigem com a consciência cortada aos pedaços, aniquilada.
Netanyahu confirmou que nunca criará um Estado palestiniano, persistindo na anti-evacuação e tornando impossível o regresso a 1967.
Um ministro sugeriu decapitar os árabes israelitas “desleais” ao Estado, pegando para o efeito num machado.
Estratégia frontal contra a Palestina, um trapo roto roído por mil traças, como diz Alexandra Lucas Coelho.
Cada tom de voz é uma mentira, cada gesto uma falsidade, cada sorriso uma afronta de hitleriana face.
Ficar imóvel, ficar calado sem bater de punho cerrado no muro infame, impede-nos a todos de ser humanidade.
Bansky, artista de rua, esteve em Gaza e disse: “ se lavarmos as mãos do conflito entre os poderosos e os sem-poder, alinhamos com os poderosos, não permanecemos neutrais”.
A Casa Branca pondera apoiar a resolução das Nações Unidas sobre o reconhecimento de dois Estados nas fronteiras de 1967.
Ficar imóvel, ficar calado parece não ser mentir, mas acreditar em falsos gestos pode não ser esconderijo seguro para a consciência de ninguém.
A maldade mete-se em tudo, real ou irreal, e a verdade ou mentira são apenas questões de teatro.

