CRÓNICAS DO QUOTIDIANO – “O suicidio político da ministra” – por Mário de Oliveira

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Com aquela sua tirada, para mais proferida no mesmo tom politicamente gabarola, parolo, mesquinho em que o Salazar da Guerra Colonial, das cadeias políticas, da emigração a salto, das crianças pé descalço, do analfabetismo generalizado, da miséria imerecida, sempre o fazia, de que a maioria da população portuguesa está de tanga, mas os cofres do Estado estão cheios, a ministra das finanças cometeu, perante o país, a Europa do euro, o seu suicídio político. Para cúmulo, o chefe de governo que põe e dispõe dela, deu-lhe, agora, o golpe de misericórdia, precisamente, quando ela já tentava emendar a boca. Fê-lo na deslocação aos Açores, ao servir-se dessa sua tirada para, com ela, atacar o candidato PS à chefia do governo. Para as populações do país, da Europa do euro, a ministra das finanças não é mais do que um cadáver políico insepulto. E enojam-se dela. O poder financeiro tem esse terrível condão de matar os povos das nações, ao mesmo tempo que mata a alma de quantas, quantos politicamente o servem. Avisada andará, pois, Maria Luís Albuquerque, se, como o seu imediato predecessor na pasta, impuser ao chefe do governo que lhe desferiu o golpe de misericórdia, a imediata renúncia ao lugar de ministra. Com isso, pode muito bem arrastar com ela a queda do chefe, quiçá, do próprio governo. Se o fizer, bem se poderá dizer que ela é a Herodíade portuguesa do Governo PP-PC. Quando, como a Herodíade dos Evangelhos Sinópticos, já à beira de apanhar metade do reino a Herodes, ao qual se havia aliado, em detrimento de tudo o mais, até do próprio marido, em lugar de avançar, com o apoio dos grandes da Judeia, reunidos no banquete de aniversário do rei, preferiu exigir-lhe, numa bandeja, a cabeça de João Baptista, já preso, a quem odiava de morte (cf. Marcos 6, 14-28). Sem alma, sem afectos, qualquer mulher, homem, acaba máquina descontrolada contra tudo, contra todos. São assim os grandes financeiros do mundo. E quantas, quantos politicamente os servem. Melhor fora que uns e outros nunca tivessem nascido!

24 Março 2015

 

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