DIA DO TEATRO – Teatro de Revista – por Luís Rocha

Nos anos 60/70 (século XX), vivi o ambiente do Parque Mayer: as barracas dos tirinhos, os matraquilhos, os restaurantes, os cafés onde paravam os artistas, as “coristas” e os teatros. Lembro-me do “Capitólio” “ABC”, “Variedades” e o “Maria Vitória” onde se via teatro de Revista “revista portuguesa” que faz parte da nossa cultura popular.

Transcrevo em seguida um artigo colhido na “Net” sobre o Parque Mayer, que o retrata no espaço e no tempo:

“A Catedral da Revista”

Sem dúvida que, nos dias de hoje, quando se fala em Parque Mayer remete-nos para um determinado tipo de teatro, o teatro de revista.

Para se tornar o centro de “revista à portuguesa”, o Parque Mayer teve de se concentrar quase que exclusivamente neste género teatral. No Parque Mayer também se exibiram operetas, comédias e cinema. Acolheu ainda a Companhia Amélia Ray Colaço, após o incêndio no Teatro Nacional Maria D. Maria II.

O título de “Catedral da Revista” foi a conquista progressiva, a partir de 1992. Nas décadas seguintes foi demorada a sua afluência até atingir uma supremacia absoluta, desde os anos 30 até aos anos 60. Esta ascensão foi conseguida sobretudo à custa da redacção gradual do número total de revistas produzidas, inversão esta, registada durante o período da II Guerra Mundial (107, 156, 79, 71 e 66 peças, respectivamente aos anos20 a 60).

Nos últimos anos, o Parque Mayer teve uma lenta recuperação. Por exemplo, na década actual cabem-lhe mais de metade das revistas, embora seja com números baixos, 4 em 7. O Parque Mayer foi responsável por 304 das 651 revistas produzidas entre 1922 e 2002, ou seja, quase metade do total. Daí que o seu contributo para a revista, e para o teatro em geral seja relevante.

A menor quantidade de revistas em palco desde 1994/1995, não significa apenas uma redução da oferta, mas também que, na actualidade, cada espectáculo tem que estar mais tempo em cartaz.

O teatro de revista foi essencialmente uma forma de criticar costumes, muito assente em estereótipos sociais, como saloios de visita à capital, encontros de sopeiras e magalas, de bêbados e galdérias, de fadistas e rufias, etc.

Para além dos trocadilhos de base sexual e das referências machistas, os temas recorrentes foram as obras camarárias, o cinema nacional, os transportes colectivos, o futebol, a carestia de vida, o fado, as touradas, as sogras, os modismos, os programas da RTP, etc. ( Eu acrescento a sátira politica ao regime anos 60/70)

Estas facetas imprimiam actualidade às peças e, simultaneamente, permitiam o riso, a sátira, a crítica e, em menor grau, o conhecimento.

Catarina Evangelista

Na altura via todas as revistas em que entrava uma jovem mulher, que deixava todos a suspirar:

 

Já depois de 1974 vi-a representar uma peça “monólogo” no Instituto Francês de Lisboa, com uma interpretação soberba.

No próximo dia 9 de Maio pelas 17 horas  Io Appolloni traz “Poemas na Minha Vida” a Oeiras

A Câmara Municipal de Oeiras apresenta o espetáculo “Poemas na Minha Vida”, com interpretação de Io Appolloni, no dia 9 de maio, às 17H00, no Auditório Municipal Maestro César Batalha, localizado nas galerias do Alto da Barra, em Oeiras.

A entrada é livre, mediante distribuição de senhas a partir das 15H00.

E quem não se lembra do nosso saudoso Raúl Solnado

Sobre os Restaurantes  (ver foto) lembro o episódio  de um almoço com amigos, já depois de 1974:

– Veio a lista. O prato do dia era “Chicharros fritos com açorda”. Um dos amigos era estrangeiro e não sabia o que era açorda, mas alguém o convenceu a comer. O outro amigo (ele lembrar-se-á) como não gostava de “chicharros” e numa de delicadeza, para não ser o único a não comer o que os outros tinham escolhido, perguntou à empregada (por sinal a patroa do restaurante) se os “chicharros” eram do dia ao que a senhora respondeu de imediato que sim. Então este amigo disse: Então vou ter de escolher outra coisa pois eu “só gosto de chicharros fritos de um dia para o outro”

Segue-se um vídeo com um excerto de uma peça de “Teatro Revista”

VIDEO (EXCERTO DE UMA REVISTA)

 

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