Acredito que até à próxima quarta-feira viverá dias de profunda angústia e passará todas as noites sem dormir.
Acredito, também, que nem sequer viveu esta Páscoa em toda a sua plenitude e que o seu estado de espírito foi sempre de Sexta Feira Santa.
Mas permita-me o conselho: acalme-se, passeie junto ao “Tejo”, olhe o “Cristo Rei” na outra banda, e acabe o dia na “Pensão Amor”.
É evidente que caso obriguem o dr. a deixar de ser dr. é chato.
Mas garanto-lhe: a sua empregada doméstica, o porteiro do seu prédio, o seu barbeiro, o homem da bomba de gasolina, o carteiro, o caixa do banco, o polícia de giro, o arrumador de carros da sua rua e o empregado da pastelaria onde toma a “bica” continuarão a tratá-lo por dr; também o seu cartão de crédito continuará a ostentar tal título. Pelo menos até à sua renovação.
Eu sei que o prazo para a “Lusófona” declarar nula a sua licenciatura em Ciência Política termina na próxima quarta-feira, dia 8. Mas, c’os diabos, há mais 151 drs. daquela respeitável universidade na mesma situação. E tudo por causa da maldita atribuição irregular de créditos, que o seu ex-colega ministro quer ver clarificada de vez. Caso contrário a “Lusófona”, avisou o dr, Crato em comunicado, tem de fechar portas e contribuir, assim, para engrossar o número de desempregados o que não convém nada ao seu amigo dr. Coelho.
Tenha calma, pois. O mundo não acaba na quarta-feira.
Além do mais, com os muitos e bons conhecimentos que tem Angola e no Brasil, basta-lhe decidir-se por abandonar o conforto da sua Lisboa natal e rumar a um daqueles dois países.
E logo, logo, regressa dr.
Definitivamente dr.
E sem que o seu ex-colega Crato possa meter o bedelho…
E depois é perdoado ?.