A pintora Helena Lobato, residente em Setúbal, conseguiu viver 44 anos sem ser baptizada. Os primeiros da sua vida. Nem quando casou, aceitou ser baptizada. O matrimónio canónico que o então noivo não dispensou, foi só civil para ela, apesar de presidido pelo pároco. Terá resistido, e bem, à natural pressão ambiente a fazer-se baptizar. Fez todo o seu viver, sem que a água do baptismo católico lhe fizesse a mínima falta. Até que chegou a natural crise dos 40 anos. Uma realidade que, pelos vistos, ela desconheceria. As notícias dos grandes media sobre o papa superstar que, desde há dois anos, não deixam de nos entrar casa dentro, por razões que só o grande poder financeiro conhece – são propriedade dele e ele não dá ponto sem nó! – levam Helena a escrever-lhe uma carta. Desabafa. Ao mais alto nível eclesiástico. Tem o pároco da Cova da Piedade, o bispo de Setúbal, o cardeal de Lisboa, o núncio do Vaticano, ao pé da porta, mas Helena vai directa a Roma, via correio postal. Consegue, até, que a sua carta chegue às mãos do papa, coisa que nem qualquer pároco, bispo, consegue. Mais. Consegue que o papa se ocupe pessoalmente com a sua carta e lhe responda. Não à crise dos 40 anos, dimensões humanas em que o poder, pior se papal, é de todo incompetente. Em vez disso, Francisco acena-lhe, logo, com a tentação do baptismo superstar urbi et orbi na Vigília pascal em Roma. A pintora de 44 anos cai na tentação. Uma vez nas malhas canónicas da multinacional católica romana, gato-sapato dos clérigos, estes impõem-lhe logo 4 sacramentos –valor humano, nenhum – de uma assentada: o baptismo, o crisma, a comunhão da hóstia de trigo com gluten, o casamento canónico que só o marido tinha, ela não. Lá se foi a crise dos 40. É, agora, a baptizada superstar portuguesa VIP. Só não é ordenada sacerdote, bispo, porque é mulher. A menos que sofra de outra crise que só se cura, se for ordenada sacerdote, bispo pelo papa. Quem sabe se ele não cede e decide abrir o sacramento da Ordem às mulheres VIP, como ela?!
8 Abril 2015

