EDITORIAL – Quem pagou há 97 anos? Quem havia de ser?

logo editorialPassam hoje 97 anos sobre um dos maiores desastres militares sofridos pelos portugueses – a batalha de La Lys. Há mesmo quem considere que foi a maior derrota militar portuguesa depois de Alcácer Quibir. Mas no campeonato das derrotas nem merece a pena entrar – uma coisa é sabida: quem as paga são sempre os mesmos…

D. Sebastião sonhava com um império português que abrangesse Marrocos. A derrota foi paga pelo povo português – 60 anos de ocupação militar estrangeira a que se seguiu uma guerra de quase 30 para restaurar a independência.

O governo da República queria preservar as colónias e procurava evitar que Espanha nos absorvesse. Eram objectivos aceitáveis, pelo menos o segundo, mas talvez houvesse outras soluções – La Lys deu lugar a uma depressão económica e social, a um desgaste político, que facilitou a destruição do regime e a instauração de uma ditadura fascista que durante meio-século oprimiu o povo, esmagando-o com miséria e sobrecarregando-o com mais um sonho – o de um Portugal do Minho a Timor – mais uma guerra, de 13 anos.

Houve quem sonhasse com um Portugal integrado numa Europa unida? Pois houve. E aqui estamos nós a pagar mais um sonho. Desta vez, por enquanto, não há guerra – nem guerra, nem Europa unida.

O sonho comanda a vida, disse António Gedeão. É verdade. Principalmente se o sonho for nosso. No entanto, quando os poderosos sonham, nós mergulhamos em pesadelos – e de pesadelo em pesadelo, lá vamos sonhando e rindo.

1 Comment

  1. Todos quantos morreram no 9 de Abril não gostariam de ouvir dizer que tinham sido derrotados. A ofensiva dos hunos não passou. Essa é a verdade e disso é que o articulista devia falar. A resistência dos portugueses permitiu a reparação dos estragos e os boches voltaram para trás. Quem, especialmente bem colocado no poder político português, é que mandou desguarneceu a frente?

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