EDITORIAL – OS PERIGOS LIGADOS ÀS ERUPÇÕES VULCÂNICAS ESTÃO SUBESTIMADOS

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Hoje podem ler, no primeiro link abaixo, em Le Monde uma entrevista efectuada por Pierre Barthélemy a Jean-Christophe Komorowski, um físico e vulcanólogo do Instituto de Física do Globo de Paris (Institut de Physique du Globe de Paris – IGPG), que recentemente apresentou um relatório sobre os riscos vulcânicos ao nível planetário. Permitimo-nos no título deste editorial reproduzir o do artigo de Pierre Barthélemy, jornalista do Le Monde, que fez a respectiva publicação no seu blogue Passeur de Sciences.

Os problemas do vulcanismo têm alguma presença na fantasia dos povos e até na literatura. Na Odisseia, o ciclope Polifemo  que chega a ter cativos Ulisses e os seus companheiros terá sido inspirado pelo Etna, ou pelos vulcões do mar Tirreno. As pragas do Egipto, que a Bíblia, no Velho Testamento, associa ao Êxodo, terão sido ocorrências motivadas pela erupção do Santorino, no Mar Egeu (ver terceiro e quarto links abaixo). Jean-Christophe Komorowski refere, na entrevista referida, algumas erupções importantes ocorridas nos últimos séculos, e assinala que o número de vítimas (desde 1600 terão morrido 280 000 pessoas devido a erupções vulcânicas) e os estragos que causaram são minimizados pela sua baixa taxa de ocorrência, e pelo elevado potencial agrícola que oferecem os solos vulcânicos. Contudo, assinala que o grande crescimento populacional, e o desenvolvimento industrial e tecnológico aumentaram em muito os riscos potenciais. E que a vulcanologia é uma ciência de desenvolvimento recente. Acrescentamos que neste campo a opinião pública parece pouco atenta ao assunto.

Na entrevista, é referido que, hoje em dia, 800 milhões de pessoas vivem a menos de 100 quilómetros de um vulcão. E, segundo informações prestadas pelo entrevistado, os países em que se calcula haver maior risco, tomando em conta o número de vulcões activos, são a Indonésia, com duas erupções de nível 7 no segundo milénio depois de Cristo, Samalas (1257) e Monte Tambora (1815 – ver último link), Filipinas, Japão, México e Etiópia, com a Itália em oitavo lugar. Tendo em conta a permanência de populações junto a vulcões activos, as Pequenas Antilhas são o local mais perigoso do planeta.

 

http://passeurdesciences.blog.lemonde.fr/2015/04/09/les-dangers-lies-aux-volcans-sont-sous-estimes/

http://en.wikipedia.org/wiki/Decade_Volcanoes

http://www.telegraph.co.uk/news/science/science-news/7530678/Biblical-plagues-really-happened-say-scientists.html

http://aviagemdosargonautas.net/2013/12/01/santorino-uma-ilha-no-mar-egeu/

http://aviagemdosargonautas.net/2014/03/02/monte-tambora-um-vulcao-da-indonesia-1816-o-ano-sem-verao-por-joao-machado/

 

 

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