António Filipe Lopes Ribeiro nasceu em Lisboa. A família incutiu-lhe um interesse invulgar pela cultura, a ele e ao irmão, Francisco Ribeiro, que haveria de ser o actor Ribeirinho. Após o liceu, frequentou o Instituto Superior Técnico, que deixou para ir trabalhar para a revista Sempre Fixe, numa secção de crítica de cinema, Fitas Faladas, assinando com o pseudónimo Retardador, que haveria de usar pela vida fora, noutras publicações, como no Diário Popular, em 1946, onde assinava A Crónica do Retardador. A seguir, no Diário de Lisboa, lançou uma página de cinema, Arte Cinematográfica — O Claro-Escuro Animado, que durou até 1933. Ajudou a criar e dirigiu as revistas de cinema Imagem (1928), Kino (1930) e Animatógrafo (1934). Os seus primeiros filmes foram a curta-metragem Bailando ao Sol (1928) e o documentário Uma Batida em Malpique (1929) (ver a filmografia segundo a IMDB no primeiro link abaixo). Entretanto visitou vários estudos europeus, incluindo em Moscovo, onde contactou Eisenstein e Dziga Vertov. Trabalhou em publicidade, tendo mesmo criado a agência ABE com Chianca Garcia e Bernardo Marques. A sua primeira longa metragem de ficção foi Gado Bravo (1934). Entretanto foi assistente de Leitão de Barros em Nazaré, Praia de Pescadores (1929), Lisboa, Crónica Anedótica (1930) e Maria do Mar (que ajudou a planear, 1930). Mais tarde, em 1938, participou numa missão às colónias portuguesas como director artístico, de que resultaram numerosos documentários e o filme Feitiço do Império (1940). Foi um dos fundadores do Círculo Eça de Queirós (1940), e em 1941 criou as Produções António Lopes Ribeiro, que estariam na origem de filmes como Pai Tirano (1941), O Pátio das Cantigas (de Francisco Ribeiro em 1942), Aniki-Bóbó (de Manoel de Oliveira, também em 1942) e Camões (de Leitão de Barros, em 1946). Responsável pela SPAC – Sociedade Portuguesa de Actividades Cinematográficas, dirigiu o Jornal Português (1938-1941) e as Imagens de Portugal (1953 – 1958). Colaborador da RTP desde 1957, apresentou o famoso programa Museu do Cinema, de 1961 a 1974, com a companhia do maestro António Melo.
Politicamente adepto do regime político anterior ao 25 de Abril de 1974, António Lopes Ribeiro é incontestavelmente um nome grande da cultura portuguesa. Foi tudo no cinema, para além de realizador: argumentista, adaptador, montador, autor de diálogos, etc. Entrou como actor na telenovela Chuva na Areia. Mas também marcou presença no teatro, tendo sido empresário no Teatro da Trindade desde 1944, onde fundou, com o irmão, a Companhia de Declamação “Os Comediantes de Lisboa”. Foi autor de peças como “Leonor Teles”, representada naquele teatro em 1960, pela companhia do Teatro Nacional popular, com direcção e encenação de Francisco Ribeiro. Colaborou com inúmeros jornais portugueses e estrangeiros. Foi autor de letras para canções, como A Procissão, tornada famosa por João Villaret. Foi autor e colaborador de vários livros e traduziu desde a autobiografia de Charles Chaplin até Tchekov, Courteline, Pagnol, Somerset Maugham, Bernard Shaw e vários outros.
Faleceu em Lisboa em 14 de Abril de 1995.
Propomos que visitem estes links, que incluem um documentário de 1948, realizado, escrito e narrado por António Lopes Ribeiro e A Procissão, interpretada por João Villaret:
http://www.imdb.com/name/nm0519845/
http://restosdecoleccao.blogspot.pt/2010/10/antonio-lopes-ribeiro-1908-1995.html
https://www.youtube.com/watch?v=g-5ErZ8UeVI
http://www.dvdpt.com/c/coleccao_grandes_classicos_o_pai_tirano_o_patio_das_cantigas.php
https://www.youtube.com/watch?v=qte6nfanFAk
https://www.youtube.com/watch?v=c9pKhCYZEoQ


![António Lopes Ribeiro_3[2]](https://i0.wp.com/aviagemdosargonautas.net/wp-content/uploads/2015/04/antc3a3c2b3nio-lopes-ribeiro_32.jpg?resize=176%2C249&ssl=1)