São cada vez menos aquelas, aqueles que ainda dão alguma da sua atenção ao que se passa na igreja católica em Portugal. E no que respeita aos media de referência, a indiferença é ainda mais ruidosa, a não ser quando cheira a escândalos clericais, coisa cada vez mais rara, porque os clérigos estão em extinção. A última conferência dos bispos portugueses trouxe ao de cima a existência de um super-bispo. Não é manchete, porque os media só têm olhos, ouvidos para o super-papa Francisco, ele-só, a igreja católica no mundo. Importa, porém, darmo-nos conta do que está a suceder também na estrutura da igreja católica no país. O poder financeiro global não utiliza apenas o poder político de cada nação, para envenenar/matar a alma dos povos. O poder religioso/eclesiástico, agressivamente deísta/cristão, é o seu outro braço. Em Portugal, o eleito dele é o actual cardeal patriarca de Lisboa, o mesmo do papa Francisco, que o tem como uma espécie de alter-ego, até, potencial sucessor. Acima do próprio núncio apostólico, em Lisboa, mero verbo-de-encher, no novo organigrama do poder da igreja católica. O poder sabe que, ou se concentra em cada vez menos mãos, ou desaparece. A Cúria romana, presidida pelo papa Francisco, também sabe e não perde tempo. A reforma lá em curso visa concentrar ainda mais o poder eclesiástico em cada vez menos mãos. Só assim, o Poder finnanceiro – o Cristo vencedor, no paulino dizer dos cristãos – continuará a impedir os povos de crescerem de dentro para fora, até conduzirem a História. A conferência dos bispos portugueses acaba de fazer de D. Manuel Clemente o super-bispo da igreja católica, o seu interlocutor com o poder político, com o poder financeiro. Junta-se assim ao super-juiz, ao super-presidente ou super-secretário-.geral de cada partido político, ao super-ministro do governo, ao super-rico de Portugal. A total ausência de reacção política por parte das populações a toda esta concentração do poder é suicida. Já que só o Humano organizado é a via para a liberdade. Mas que é dele?!
17 Abril 2015


A igreja católica em Portugal considera-se o supra-sumo de todos os poderes e de todos os saberes. É o exemplo da suprema vaidade e arrogância. Ia eu de fim de semana na minha já habitual viagem semanal de autocarro de Bragança até ao centro do país e oiço, sem que o pudesse evitar, uma conversa entre dois alunos do Instituto Politécnico de Bragança. O assunto era sobre o gabinete de apoio psicológico aos alunos. A questão da indignação dos jovens não era pelo facto de na sua instituição de Ensino Superior haver a possibilidade de os alunos terem acompanhamento psicológico caso necessitassem, a sua revolta era pelo facto de terem que passar por gabinete de triagem e só poderem chegar ao psicólogo se de facto a pessoa responsável pela triagem entendesse que seria necessário. Até aqui nada de extraordinário…meti conversa, perguntei porque não estavam de acordo. A resposta foi disparada como um tiro: porque quem faz a triagem é o f…da p… do padre capelão. Porque é que eu tenho que contar a minha vida ao padre se nem sequer acredito em Deus? Perguntou um dos jovens. O que é que essa igreja maluca tem que se meter na minha vida? O Estado é laico, a igreja católica não tem que se meter nestas coisas. O padre que vá rezar missas, continuou o outro jovem muito irritado. E acrescentou: nós temos muitos colegas que são de outras religiões. Agora, se tiverem um problema vão ser obrigados a contar ao padre católico?
Abri a boca de espanto. Pensei: agora os padres estão acreditados pela faculdade de medicina para fazer encaminhamentos para consultas de psicologia? É que, se eu precisar de consultar um psicólogo é o meu médico de família quem faz o encaminhamento.
Pensei de novo: se calhar o padre até tem um curso de psicologia, ou de medicina, ou de enfermagem…perguntei o nome. Fantástico! Sei quem é, já li alguns artigos dele nos jornais porque o tal padre é jornalista.
Como é que o presidente do Instituto Politécnico de Bragança permite um abuso destes? Não haverá em todo o Instituto ninguém mais isento que o senhor padre/jornalista para ouvir os jovens e fazer o seu encaminhamento para o gabinete de psicologia?