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A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.
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«Manoel de Oliveira era mais novo do que o próprio cinema, mas não muito. Treze anos, para sermos precisos, o que é isso diante de vidas que duraram mais de um século e, em comum, mais do que qualquer outro cineasta em qualquer lugar se pode orgulhar? Mas — e Oliveira não se cansava de o dizer — durar muito não é mérito, antes capricho da Natureza bem ajudada pelos genes de um homem a vários títulos de excepção. Não por acaso ele foi atleta emérito, corredor de automóveis, piloto de aviões num tempo em que todas essas coisas eram de difícil alcance. Filho-família de uma burguesia nortenha endinheirada, o cinema apareceu-lhe como um hobby caro, uma inclinação moderna nesses finais dos anos 20 em que a trepidação do novo atravessava uma geração com vontade de futuro. A mesma a que pertenciam António Lopes Ribeiro, Jorge Brum do Canto, Cotinelli Telmo ou Leitão de Barros que, na transição do cinema mudo para o cinema sonoro e no momento em que o Estado Novo se cimentava, tomaram o cinema português nas mãos. Oliveira estreou-se ainda no tempo do mudo, com “Douro, Faina Fluvial”, um documentário financiado pela família e estreado pela mão de Lopes Ribeiro num dos primeiros eventos culturais internacionais que António Ferro organizava na consolidação do novo regime político — o V Congresso Internacional da Crítica Dramática e Musical.