ITÁLIA: Clandestinos dos mares e desembarque de islamitas
A compaixão obrigatória contra o princípio da precaução
Jean Bonnevey, CLANDESTINS DES MERS ET DEBARQUEMENTS D’ISLAMISTES
Revista Metamag, 19 de Abril de 2015
Para os meios de comunicação social, as vagas de clandestinos que chegam pelos mares são muito simplesmente migrantes. Trata-se de banalizar o que se passa comparando-o finalmente a estes migrantes europeus vindos povoar, nomeadamente da Itália, os EUA.
O negacionismo mediático da realidade põe-nos em perigo. Vai-se assim desarmar toda a defesa por um viver permanente de compaixão. Mas quem pode avaliar o número de islamitas infiltrados entre os refugiados e que, amanhã, virão atacar os Italianos que os acolheram? , eles estão aí, infiltrados e não identificáveis.
Certas viagens são pagas, se não todas. Como explicar que um Eritreu sem nada, se salve da miséria pela Líbia pagando 2.000 euros a um passador? De que viver um ano no seu país?
E mais significativo ainda: como estas pobres gentes ameaçadas pela morte, pelo afogamento e exsangues em barcos indignos têm, de toda a maneira, ainda a força de durante a noite lançarem fora de borda, para o mar, os…cristãos?
De acordo com os testemunhos de nove sobreviventes de religião cristã, citados pelos meios de comunicação social italianos, 105 migrantes dos quais uma maioria de muçulmanos do Senegal e da Costa do Marfim deixaram as costas líbias a 14 de Abril amontoados numa canoa pneumática. Durante a travessia, ter-se-ia dado uma rixa ter-se-ia entre muçulmanos e cristãos.
Gentes da Nigéria, do Gana e do Mali teria sido várias vezes ameaçados de serem lançados ao mar por causa “da sua religião cristã”. “A origem do seu conflito está ligada à religião”, precisou a polícia. Depois, em plena noite, quinze muçulmanos teriam passado aos actos lançando doze cristãos às vagas marítimas, nas águas internacionais. Os outros migrantes cristãos não teriam podido escapar ao afogamento se não tivessem formado uma verdadeira cadeia humana.
O barco, que estava em dificuldade no canal de Sicília que separa Reggio de Messine, foi socorrido pela marinha militar italiana e logo que os passageiros chegaram a Palermo, os cristãos sobreviventes foram ouvidos pelo ministério público de Palermo. Os quinze presumidos assassinos foram presos e encarcerados sob a acusação “de homicídio agravado pelo ódio religioso”. A miséria não os aproximou e o ódio religioso de certos muçulmanos não conhece nem solidariedade nem compaixão.
O tratamento destas massas descontroladas permite logicamente aos terroristas em potência virem para a Itália, a partir de verdadeiras barcas de desembarque. Estes migrantes permanecem clandestinos e alguns de entre eles são futuros terroristas islamitas agora em Itália.
Onde está o famoso princípio de precaução face ao terrorismo, submerso por uma compaixão ideológica que impede de tratar o problema com um verdadeiro rigor e compatível com o dever de humanidade.
Salvar as pessoas, é um dever. Acolhê-las, deixá-las instalarem-se, é mais que um erro, é um erro que nos coloca a todos nós em perigo.
Quando um sobrevivente infiltrado atacar na Sicília, na Calábria ou noutro qualquer lugar, os meios de comunicação social lamentar-se-ão em face das vítimas daqueles que eles apresentaram como pobres e corajosas pessoas. Alguns são-no, seguramente, mesmo se legalmente nada têm a fazer na Europa e nenhum direito têm para aqui permanecer…. Mas quem nos ameaça são os outros… porque outros também estão aí.
Jean Bonnevey, Revista Metamag, CLANDESTINS DES MERS ET DEBARQUEMENTS D’ISLAMISTES. Texto disponível em :
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Naufrágio de migrantes: a Europa responsável?
A compaixão não salvará nenhuma vida
Hadrien Desuin, Naufrage des migrants: l’Europe responsable? – La compassion ne sauvera aucune vie
Revista Causeur, 20 de Abril de 2015
O novo apelo do Papa para se salvarem os milhares de migrantes que tentam diariamente cruzar o Mar Mediterrâneo é comovente. O chefe da Igreja católica está inegavelmente no seu papel moral e espiritual. Não lhe cabe enviar a sua frota salvar os desesperados da África. “Dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. Desde a unificação de Itália, o Vaticano ficou liberto dos constrangimentos de gestão e é melhor para ele. Os chefes de Estado europeus estão teoricamente numa outra lógica, a do pragmatismo.
A Itália, comovida pelas catástrofes, durante muito tempo tem pago para os outros. A sua operação Mare Nostrum fez reduzir durante alguns meses o número de catástrofes marítimas. Também acelerou consideravelmente as tentativas de passagem. Esgotada por estar na primeira linha, a Itália deixou a União Europeia assumir a responsabilidade com os meios que são os seus, os União Europeia; ou seja, praticamente nenhuns. Com a operação Tritão, a série macabra dos naufrágios retoma o seu curso .
Compreende-se contudo que os nossos chefes de Estado hesitem em aumentar os financiamentos de uma tal operação. O nosso continente não tem os meios para assumir uma imigração subsariana inesgotável. Não tem sobretudo os meios para alimentar fileiras de crápulas, colocando-se em socorro de jangadas abandonadas; barcos de azar tendo como único leme um telefone satélite para pedir socorro. A Europa é apontada a dedo pela sua “indiferença”. Mas ela é, no entanto, a única a agir. E mais a Europa envolve meios para salvar os migrantes, mais são os candidatos a arriscarem a sua vida no mar. É o hospital que não tem nada a ver com a caridade.
A solução não é, por conseguinte, humanitária. É sobretudo jurídica e política; passa pela assinatura de acordos com os países de trânsito. A Austrália fê-lo com a Indonésia, e drenou o mercado dos passadores sem escrúpulos. Todo e qualquer barco de migrantes que deixa irregularmente as águas territoriais indonésias é acompanhado de guarda-costas australianos. Um regresso sistemático dos migrantes, salvos das águas, dissuade-os a arruinarem-se numa vã travessia. Na União europeia, é de resto a regra: um imigrante em situação irregular é expulso para o país que o deixou partir.
Mas alargar este princípio de responsabilidade ao conjunto da margem do sul do Mar Mediterrâneo não é possível sem uma Líbia e uma Síria estáveis, capazes de assinar e respeitar acordos. Hoje, a urgência recomenda primeiro que tudo ajudar as autoridades líbias e sírias a retomarem o controlo do seu país.
Numa Europa económica e social à beira de sufocar, o controlo dos fluxos migratórios é uma questão de sobrevivência. A rejeição da Europa é primeiro que tudo a rejeição de uma Europa de passagem, incapaz de controlar as suas fronteiras de outro modo que não seja pela retórica humanitária.
Hadrien Desuin, Revista Causeur, Naufrage des migrants: l’Europe responsable?–
La compassion ne sauvera aucune vie. Texto disponível em :
http://www.causeur.fr/naufrage-immigration-italie-europe-32434.html
*Photo : Francesco Malavolta/AP/SIPA . AP21722338_000005.
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Naufrágios no Mediterrâneo: porque é que os países europeus hesitam em agir
LORELINE MERELLE, Naufrages en Méditerranée: pourquoi les pays européens renâclent à agir
Le Point, 21 de Abril de 2015
São vários os Estados-Membros que não participam nas operações marítimas de vigilância e de salvamento. As negociações estavam em ponto morto desde Dezembro.

A França é um dos raros países com a Alemanha a conceder equipamentos e a enviar pessoal na maior parte das operações marítimas efectuadas ao nível europeu pela agência de vigilância às fronteiras, Frontex. Porque esta não é a situação dos seus vizinhos. A questão põe-se tanto mais quanto nesta quinta-feira, os Vinte e oito entendem reagir a uma só uma voz durante uma cimeira convocada em urgência, depois da morte de várias centena de migrantes no mar este Domingo, e que poderá conduzir, designadamente, ao reforço dos meios de vigilância e de salvamento no Mar Mediterrâneo.
À primeira vista, a participação de um país numa operação marítima europeia não segue a tradicional segmentação entre países do Norte e do Sul. Separa antes os países conforme estes são ou não são atingidos pelos fluxos migratórios.
Paradoxo
Primeiro paradoxo: certos países do Leste e os países bálticos participam activa e quase que sistematicamente nas operações no Mar Mediterrâneo. A Roménia deu assim mais equipamento e pessoal para as operações de vigilância nas fronteiras que Malta por exemplo, que no entanto viu milhares de migrantes chegarem às suas costas e que faz parte do espaço Schengen, ao contrário de Bucareste. A Eslovénia ou ainda a Letónia participam regularmente nas operações de vigilância, de pequena ou em grande escala, conduzidas pela Agência europeia de vigilância sobre as fronteiras, Frontex.
Outro motivo de admiração: o compromisso dos países-membros também não tem nada a ver com a sua dimensão geográfica ou com o seu PIB. A Irlanda e a Hungria fazem parte dos países que não participam em tais operações ou a elas não se decidem efectivamente. O governo de Vicktor Orban, que beneficia no entanto dos 50 milhões de euros de ajudas financeiras de emergência europeias, recusaria assim tomar parte em tais operações. Pelo contrário, a Noruega ou a Suíça, que não fazem parte da União europeia, mas fazem parte do espaço Schengen, participam nas operações. Um dos principais navios que salvam os migrantes no mar bate assim pavilhão islandês e responde suavemente ao nome de Tyr.
Garantias
Na realidade, esta quinta-feira, os Vinte e oito só se irão colocar de acordo sobre um reforço das operações à custa de intensas negociações. Porque contribuir tem um custo que não se negocia sem contrapartidas, embora as operações europeias efectuadas por Frontex sejam sempre relativamente limitadas[1]. A Polónia espera nomeadamente, em troca de uma contribuição para a operação Tritão, obter garantias sobre as migrações nos Balcãs.
É que explica que as negociações Tritão e Poséidon se arrastam desde Dezembro. A morte de 800 migrantes, mas também os alertas repetidos das organizações internacionais, o alarme dos navios da marinha mercante, privados, cada vez mais implicados nesta crise, acelerou as coisas… Até quando? A vigilância no mar e o salvamento dos náufragos constituem no entanto um dos pontos menos sujeitos à controvérsia e dos mais imediatos. A distribuição dos migrantes entre os países europeus promete negociações ainda mais difíceis.
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[1] Em 2014, quase seis operações de vigilância no mar (Poséidon Sea, EPPN Aenas, Hermes, Minerva, Indalo, Hera) foram efectuadas no Mar Mediterrâneo central e a leste (do lado grego-turco). Tratou-se sobretudo de pequenas operações que não normalmente não utilizaram mais do que um ou dois aviões e alguns barcos, com um orçamento compreendido entre 1 milhão e 6 milhões de euros e que se limita a supervisionar as fronteiras.
Em comparação, a operação Tritão lançada em Outubro de 2014 é mais importante, mas se ela é modesta quando comparada com os meios disponibilizados pela Marinha italiana com a operação Mare Nostrum. Tritão reúne 21 barcos, 4 aviões de patrulha e um helicóptero para supervisionar os mares, e dispõe de um orçamento calibrado ao cêntimo de quase 9 milhões de euros. A França enviou apenas dois ou três guardas-fronteiras em terra e um só avião.
LORELINE MERELLE, jornal Le Point, Naufrages en Méditerranée : pourquoi les pays européens renâclent à agir. Texto disponível em :




