OLHANDO O QUE SE PASSA NO MEDITERRÂNEO – por JEAN BONNEVEY, HADRIEN DESUIN e LORELINE MERELLE – com selecção e tradução de JÚLIO MARQUES MOTA

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ITÁLIA: Clandestinos dos mares e desembarque de islamitas

Mediterrâneo - I

 A compaixão obrigatória contra o princípio da precaução

Jean Bonnevey, CLANDESTINS DES MERS ET DEBARQUEMENTS D’ISLAMISTES

Revista Metamag, 19 de Abril de 2015

Para os meios de comunicação social, as vagas de clandestinos que chegam pelos  mares são muito simplesmente migrantes. Trata-se de banalizar o  que se passa comparando-o finalmente a estes migrantes europeus vindos povoar, nomeadamente da Itália, os EUA.

O negacionismo mediático da realidade põe-nos em perigo. Vai-se assim  desarmar toda a defesa por um viver  permanente de compaixão. Mas quem pode avaliar o número de islamitas  infiltrados entre os refugiados e que, amanhã, virão atacar  os Italianos que os acolheram? , eles estão aí, infiltrados e não identificáveis.

Certas viagens são pagas, se não todas. Como explicar que um Eritreu sem nada, se salve  da miséria pela Líbia pagando 2.000 euros a um passador? De que  viver um ano no seu país?

E mais significativo ainda: como estas pobres gentes  ameaçadas pela morte, pelo  afogamento e exsangues  em barcos indignos têm, de toda a maneira, ainda   a força de durante a noite  lançarem fora de borda, para o mar,  os…cristãos?

De acordo com os testemunhos de nove sobreviventes de religião cristã, citados pelos meios de comunicação social italianos, 105 migrantes dos quais uma maioria de muçulmanos do Senegal e da Costa do Marfim deixaram  as costas líbias a 14 de Abril amontoados numa canoa pneumática. Durante a travessia, ter-se-ia dado uma rixa ter-se-ia entre muçulmanos e cristãos.

Gentes da Nigéria, do Gana e do Mali  teria sido várias vezes ameaçados de serem lançados ao mar por causa  “da sua religião cristã”. “A origem do seu conflito está ligada à religião”, precisou a polícia. Depois,  em plena noite, quinze muçulmanos teriam passado aos actos  lançando doze cristãos às vagas marítimas, nas águas internacionais. Os outros migrantes cristãos não teriam podido escapar ao afogamento  se não tivessem  formado  uma  verdadeira cadeia humana.

Mediterrâneo - II

O barco, que estava em dificuldade no canal de Sicília que separa Reggio de  Messine, foi socorrido pela marinha militar italiana e logo que os passageiros chegaram a Palermo, os cristãos sobreviventes foram ouvidos  pelo ministério público de Palermo. Os quinze presumidos assassinos foram presos   e encarcerados sob a acusação “de homicídio agravado pelo ódio religioso”. A miséria não os aproximou e o ódio religioso de certos muçulmanos não conhece nem solidariedade nem compaixão.

O tratamento destas massas descontroladas permite logicamente aos  terroristas em potência virem para a Itália, a partir de  verdadeiras barcas de desembarque. Estes migrantes permanecem clandestinos e alguns de entre eles são  futuros terroristas islamitas agora em Itália.

Onde está  o famoso princípio de precaução face ao  terrorismo, submerso  por uma compaixão ideológica que impede de  tratar o problema com um verdadeiro  rigor e compatível com o dever de humanidade.

Salvar as pessoas, é um dever. Acolhê-las, deixá-las instalarem-se, é mais que um erro,  é  um erro que nos coloca a todos nós em  perigo.

Quando um sobrevivente infiltrado  atacar na  Sicília, na Calábria ou noutro qualquer lugar, os meios de comunicação social lamentar-se-ão em face das  vítimas daqueles que eles apresentaram como pobres e corajosas pessoas. Alguns são-no, seguramente, mesmo se  legalmente nada têm a fazer na Europa e nenhum direito  têm para aqui  permanecer…. Mas quem  nos ameaça são os outros… porque outros também estão aí.

Jean Bonnevey, Revista Metamag, CLANDESTINS DES MERS ET DEBARQUEMENTS D’ISLAMISTES. Texto disponível em :

http://metamag.fr/metamag-2838-ITALIE–CLANDESTINS-DES-MERS-ET-DEBARQUEMENTS-D%E2%80%99ISLAMISTES.html

 

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Naufrágio de migrantes: a Europa responsável?

A compaixão não salvará nenhuma vida

Hadrien Desuin, Naufrage des migrants: l’Europe responsable? – La compassion ne sauvera aucune vie

Revista Causeur, 20 de Abril de 2015

Mediterrâneo - III

O novo apelo  do Papa para se salvarem  os milhares de migrantes que tentam  diariamente   cruzar o Mar Mediterrâneo é comovente. O chefe da Igreja católica está inegavelmente no seu papel moral e espiritual. Não lhe cabe  enviar a sua frota salvar os desesperados da África. “Dar a César o que é de  César e a  Deus o que é de  Deus”. Desde a unificação de  Itália, o Vaticano ficou liberto  dos constrangimentos de gestão e é melhor para ele. Os chefes de Estado europeus estão teoricamente numa outra  lógica, a do pragmatismo.

A Itália, comovida pelas catástrofes, durante muito tempo tem pago para os outros. A sua operação Mare Nostrum fez  reduzir durante alguns  meses o número de catástrofes marítimas. Também acelerou consideravelmente as tentativas de passagem. Esgotada  por estar na  primeira linha, a Itália deixou a União Europeia assumir a responsabilidade  com os meios que são os seus, os  União Europeia; ou seja, praticamente nenhuns. Com a operação Tritão, a série macabra dos naufrágios retoma o seu curso .

Compreende-se contudo que os nossos chefes de Estado hesitem em  aumentar os financiamentos de  uma  tal operação. O nosso continente não tem os meios para assumir uma imigração subsariana inesgotável. Não tem sobretudo os meios para alimentar fileiras de crápulas, colocando-se em socorro de jangadas abandonadas; barcos de azar tendo como  único leme um telefone satélite para pedir socorro.  A Europa é apontada a dedo pela  sua “indiferença”. Mas ela é, no entanto,  a única a agir. E mais a Europa envolve meios  para salvar os migrantes, mais são os candidatos a arriscarem  a sua vida no  mar. É o hospital que não tem nada a ver com  a caridade.

A solução não é, por conseguinte, humanitária. É sobretudo jurídica e política; passa pela assinatura de acordos com os países de trânsito.  A Austrália fê-lo  com a Indonésia, e drenou o mercado dos passadores sem escrúpulos. Todo e qualquer barco de migrantes que deixa irregularmente as águas territoriais indonésias é acompanhado de guarda-costas  australianos. Um regresso sistemático dos migrantes, salvos das águas, dissuade-os a arruinarem-se  numa vã   travessia. Na União europeia, é de resto a regra: um imigrante em situação irregular é expulso para o país que o deixou partir.

Mas alargar este princípio de responsabilidade ao conjunto da margem do sul do Mar Mediterrâneo não é possível sem uma Líbia e uma Síria estáveis, capazes de assinar e respeitar acordos. Hoje, a urgência recomenda  primeiro que tudo ajudar as autoridades líbias e sírias a retomarem  o controlo do seu país.

Numa Europa económica e social à beira de sufocar, o controlo dos fluxos migratórios é uma questão de  sobrevivência.  A rejeição da Europa é primeiro que tudo a rejeição de uma Europa de passagem,  incapaz de controlar as suas fronteiras de outro modo que não seja  pela retórica humanitária.

Hadrien Desuin, Revista Causeur, Naufrage des migrants: l’Europe responsable?

La compassion ne sauvera aucune vie. Texto disponível em :

http://www.causeur.fr/naufrage-immigration-italie-europe-32434.html

*Photo : Francesco Malavolta/AP/SIPA . AP21722338_000005.

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Naufrágios no Mediterrâneo: porque é que os países europeus hesitam em agir

LORELINE MERELLE, Naufrages en Méditerranée: pourquoi les pays européens renâclent à agir

Le Point, 21 de Abril de 2015

São vários os Estados-Membros que não participam nas  operações marítimas de vigilância e de salvamento. As negociações estavam em  ponto morto  desde Dezembro.

Mediterrâneo - IV
O navio islandês  Tyr toma parte na operação  Triton. A Islândia  é o único país não membro da União a participar . © Filippo Monteforte/AF

A França é um dos raros países com a Alemanha a conceder equipamentos e a enviar pessoal na maior parte das operações marítimas efectuadas ao nível europeu pela agência de vigilância às fronteiras, Frontex. Porque  esta não é a situação  dos seus vizinhos. A questão  põe-se tanto mais quanto nesta  quinta-feira, os Vinte e oito entendem reagir   a uma  só uma voz durante uma cimeira convocada em urgência, depois da  morte de várias centena de migrantes no  mar este Domingo, e que poderá  conduzir, designadamente, ao reforço dos meios de vigilância e de salvamento no  Mar Mediterrâneo.

À primeira vista, a participação de um país numa operação marítima europeia não segue a tradicional segmentação entre países do Norte e do Sul. Separa antes os países conforme estes são ou não são atingidos pelos fluxos migratórios.

Paradoxo

Primeiro paradoxo: certos países do Leste e os países bálticos participam activa e  quase que sistematicamente  nas  operações no  Mar Mediterrâneo. A Roménia deu assim mais equipamento e pessoal para as operações de vigilância nas  fronteiras que Malta por exemplo, que no entanto viu milhares de migrantes chegarem às suas  costas e que faz parte do espaço Schengen, ao  contrário de Bucareste.  A Eslovénia ou ainda  a  Letónia participam  regularmente nas operações de vigilância, de pequena  ou em grande escala, conduzidas pela Agência europeia de vigilância sobre as fronteiras, Frontex.

Outro motivo de admiração: o compromisso dos países-membros também não tem nada a ver com a sua dimensão geográfica ou com o  seu PIB. A Irlanda e a Hungria fazem parte dos países que não participam em  tais operações  ou a elas não se decidem efectivamente. O governo de Vicktor Orban, que beneficia  no entanto dos 50 milhões de euros de ajudas financeiras de emergência europeias, recusaria assim tomar parte  em tais operações. Pelo contrário, a Noruega ou a Suíça, que não fazem parte da  União europeia, mas fazem parte do espaço Schengen, participam nas operações. Um dos principais navios que salvam os migrantes no mar bate assim pavilhão islandês e responde suavemente  ao nome  de  Tyr.

Garantias

Na realidade,  esta quinta-feira, os Vinte e oito só se irão colocar  de acordo sobre um reforço das operações à custa de  intensas negociações. Porque contribuir tem um custo que não se negocia sem contrapartidas, embora as operações europeias efectuadas por Frontex sejam sempre relativamente limitadas[1].  A Polónia espera nomeadamente, em troca de uma contribuição para a operação Tritão, obter garantias sobre as migrações nos Balcãs.

É que explica que as negociações Tritão e Poséidon se arrastam  desde Dezembro. A morte de 800 migrantes, mas também os alertas repetidos das organizações internacionais, o alarme dos navios da marinha mercante, privados, cada vez mais implicados nesta crise, acelerou as coisas… Até quando? A vigilância no  mar e o salvamento dos náufragos constituem no entanto um dos pontos menos sujeitos à controvérsia e dos mais imediatos. A distribuição dos migrantes entre os países europeus promete negociações ainda mais difíceis.

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[1] Em 2014, quase seis operações de vigilância no mar (Poséidon Sea, EPPN Aenas, Hermes, Minerva, Indalo, Hera) foram efectuadas no  Mar Mediterrâneo central e a leste (do lado grego-turco). Tratou-se sobretudo de pequenas operações que não normalmente não utilizaram mais do que um ou dois aviões e alguns   barcos, com um orçamento compreendido entre 1 milhão e 6 milhões de euros e que se limita a supervisionar as fronteiras.

Em comparação, a operação Tritão lançada em Outubro de 2014 é mais importante, mas se ela é  modesta quando comparada com os meios  disponibilizados  pela Marinha italiana com a operação Mare Nostrum. Tritão reúne 21 barcos, 4 aviões de patrulha e um helicóptero para supervisionar os mares, e dispõe de um orçamento calibrado ao cêntimo de quase 9 milhões de euros. A França enviou apenas dois  ou três guardas-fronteiras em  terra e um só avião.

LORELINE MERELLE, jornal Le Point, Naufrages en Méditerranée : pourquoi les pays européens renâclent à agir. Texto disponível em :

http://www.lepoint.fr/monde/naufrages-en-mediterranee-pourquoi-les-pays-europeens-renaclent-a-agir-21-04-2015-1923046_24.php#xtor=CS4-198

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