INSTITUTO DE EDUCAÇÃO DE LISBOA ATRIBUI DOIS DOUTRAMENTOS HONORIS CAUSA: A SÉRGIO NIZA E A AGUSTÍN ESCOLANO por clara castilho

A Universidade de Lisboa atribui o título de Doutor Honoris Causa a personalidades com um «curriculum científico, artístico ou cultural de elevada projecção internacional». No dia 23 de Abril, por proposta do Instituto de Educação, receberão este título Sérgio Niza e Agustín Escolano Benito.

Com esta distinção, reservada a personalidades eminentes que se notabilizaram pelo seu curriculum científico, artístico ou cultural de elevada projeção internacional, pretendemos homenagear e reconhecer o contributo de duas figuras marcantes e inspiradoras da Educação e, em particular, da Pedagogia portuguesa e da História da Educação.

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A cerimónia conta com a participação do Professor Doutor António Sampaio da Nóvoa e do Professor Doutor Justino Pereira de Magalhães, que farão o elogio dos doutorandos na qualidade de padrinhos.

SERGIO NIZA

É a personalidade que tem marcado de forma mais constante, mais coerente e inspiradora a pedagogia portuguesa dos últimos cinquenta anos. Desde os alvores da década de 60 até ao presente a sua palavra e ação têm estado na origem de muitas das ideias e propostas que alimentam o debate e o combate em favor de uma escola democrática. Não tanto de uma escola para todos, mas, antes, de uma escola de todos, isto é, de uma instituição onde cada um dos seus membros possa afirmar, nos processos de aprendizagem, organização do conhecimento e vida em relação, a sua própria potência de existir. Iniciou a atividade profissional como professor do ensino primário na cidade de Évora, em 1963, tendo sido de imediato proibido de ensinar nas escolas públicas pelo regime salazarista face à sua defesa de uma pedagogia de matriz democrática, em boa parte subsidiária da herança de António Sérgio e das posições de Rui Grácio, de quem era próximo desde que, anos antes, fora seu aluno no Liceu Francês Charles Lepierre. Em seguida entrou para o Centro Infantil Hellen Keller, onde um grupo de educadores e de médicos ensaiava um projeto, à época pioneiro em Portugal, de integração escolar para crianças cegas, amblíopes e normovisuais, tendo como referência a pedagogia de Freinet e as ideias psico-pedagógicas de Henri Wallon. Aí conheceu o psicanalista João dos Santos com quem passou a ter igualmente uma forte relação de trabalho e de afinidade intelectual. Em 1966, em conjunto com Rosalina Gomes de Almeida, criou o Movimento da Escola Moderna (MEM), organismo associativo destinado não apenas a problematizar criticamente o trabalho docente, mas igualmente a experimentar novas práticas escolares. O esforço vital de Sérgio Niza foi reconhecidamente marcante para transformar o MEM no mais importante movimento pedagógico em Portugal até ao presente.

Agustín Escolano Benito

É um reconhecido académico, humanista e homem de ciência, cuja obra científica e magistral é inseparável da renovação da História da Educação espanhola, europeia e ibero-americana, bem assim como da valorização da Educação e das Ciências da Educação na Universidade, nas Humanidades e no desenvolvimento da sociedade contemporânea. Catedrático da Universidad de Valladolid, Agustín Escolano Benito fundou e dirigiu as revistas Studia Paedagogica e Historia de la Educación; é autor de 21 livros e de 271 artigos, editor e coautor de 17 obras que contaram com a colaboração dos mais prestigiados investigadores; orientou 36 teses doutorais; coordenou e ficou associado a 42 projetos científicos e culturais com âmbito internacional. Os seus trabalhos estão traduzidos em diferentes línguas. Fundou e é Diretor do CEINCE – Centro Internacional de Cultura Escolar, com apoio da Fundación Germán Sánchez Ruipérez e da Consejeria de Educación de la Junta de Castilla. Tem colaborado regularmente com a Universidade de Lisboa.

Sobre Sérgio Niza, cujo trabalho conhecemos, falaremos noutra ocasião.

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