EDITORIAL – A ETERNA REPETIÇÃO

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O problema dos migrantes e refugiados que procuram atravessar o Mediterrâneo para chegarem à Europa, onde esperam encontrar uma vida melhor, não começou agora. E ocorre também noutras partes do mundo. Dizer isto não visa preparar as pessoas que nos lêem para se conformarem perante a continuação e muito provável agravamento do problema. É sim uma chamada de atenção para a dimensão dos esforços que são necessários.

Esses esforços terão de ser desenvolvidos dos mais variados ângulos, incluindo  os que se costumam arrumar sob a designação de política. Mais do que nunca, se torna necessário uma intervenção junto dos países de onde as pessoas partem. A ONU deveria encabeçar essa intervenção, mas a pouca dimensão dos seus responsáveis, e a sua crónica escassez de meios disso a impedem. Por outro lado, os líderes das nações mais poderosas nunca quereriam perder o seu protagonismo, nem deixar que aos interesses que defendem (melhor dito, aos interesses que os colocaram no poder) se sobreponham outros quaisquer, por muito justas que sejam as causas que defendem.

Falhando a ONU, restam as organizações regionais. No Mediterrâneo está na primeira linha a União Europeia. Desesperantemente, não consegue proceder de modo diferente. Está perfeitamente ao seu alcance fazê-lo, mas não dá sinais disso. Os líderes dos países mais afectados pelas vagas dos migrantes e refugiados bem se queixam, mas com pouco êxito. E lendo o que vem na imprensa, parece que não vão conseguir apoios significativos. Pensando bem, quem, já há vários anos, põe em prática políticas de austeridade contra os seus próprios cidadãos, e pretende continuar assim pelos anos fora, seria agora capaz de mostrar mais compaixão ou solidariedade, como se lhe quiser chamar, com migrantes e refugiados que vêm de longe?

Contrariando a eterna repetição deste estado de coisas, propomos a leitura deste texto do Guardian:

http://www.theguardian.com/commentisfree/2015/apr/21/guardian-view-on-mediterranean-migrants-every-life-precious

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