EM LISBOA, AGUSTÍN ESCOLANO BENITO LEMBROU BERNARDINO MACHADO: “A UNIVERSIDADE DEVE SER A ESCOLA DE TUDO MAS SOBRETUDO DA LIBERDADE” por clara castilho

A Universidade de Lisboa atribuiu, no passado dia 23 de Abril,  o título de Doutor Honoris Causa a Agustín Escolano.Reconhecido académico, humanista e homem de ciência, cuja obra científica e magistral é inseparável da renovação da História da Educação espanhola, europeia e ibero-americana, bem assim como da valorização da Educação e das Ciências da Educação na Universidade, nas Humanidades e no desenvolvimento da sociedade contemporânea. Catedrático da Universidad de Valladolid, Agustín Escolano Benito fundou e dirigiu as revistas Studia Paedagogica e Historia de la Educación; é autor de 21 livros e de 271 artigos, editor e coautor de 17 obras que contaram com a colaboração dos mais prestigiados investigadores; orientou 36 teses doutorais; coordenou e ficou associado a 42 projectos científicos e culturais com âmbito internacional. Os seus trabalhos estão traduzidos em diferentes línguas. Fundou e é Diretor do CEINCE – Centro Internacional de Cultura Escolar, com apoio da Fundación Germán Sánchez Ruipérez e da Consejeria de Educación de la Junta de Castilla. Tem colaborado regularmente com a Universidade de Lisboa.

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Do seu discurso enquanto laureado retiramos algumas partes que nos parecem importantes, por realçar as relações entre intelectuais e escritores de Portugal e Espanha.

“Recentemente vi o académico espanhol António Muñoz Molina (o autor de O inverno em Lisboa) dizer que as viagens a Portugal sempre o tinham educado. Mostraram-me, dizia, a outra face que podem ter as coisas, quando na fenomenologia do quotidiano e no entorno mais próximo não as vemos senão planas e simples.

Entrar em Portugal é abrir uma nova janela à experiência, através da qua as coisas que vemos e ouvimos surgem-nos com outros horizontes, inspirando um subtil jogo de entendimento no que é comum e de enriquecimento na diferença.

… Inevitavelmente, tudo isto me traz à memória as viagens Por terras de Portugal e de Espanha de Miguel Unamuno. O antigo reitor de Salamanca admirava, há um século, a fresca lírica do “regeneracionista” Joâo de Deus, em cuja Cartilha Maternal aprenderam a ler tantas gerações de crianças – e os registos populares da cultura vernácula do país.

Também me fez recordar Rafael María de Labra, reitor da Institución Libre de Enseñaza, que nas suas conferências de Lisboa, realizadas no fim do século XIX, sublinhava o alto valor acrisolado pela civilização portuguesa, resultado do cruzamento entre as suas próprias tradições e as seculares influências recebidas através dos contactos das suas gentes pelo mundo.

….No seu artigo intitulado “A los camaradas portugueses”, Luis Bello recordava com admiração os programas reformistas de António Sérgio e associava-os às tentativas espanholas, igualmente reformistas, promovidas pela Institución Libre de Enseñanza e pelos intelectuais.

 … Bernardino Machado, amigo de Alice pestana e de Giner de los Ríos, afirmava “A universidade deve ser a escola de tudo, mas sobretudo de liberdade”. O saber é, provavelmente, o único espaço de liberdade do ser, escreveria muitos anos depois Michel Foucault, numa das suas últimas conferências ontológicas”.

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