EDITORIAL – A TAP, OS TRABALHADORES, A GREVE DOS PILOTOS E A PRIVATIZAÇÃO 

 

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Começou à meia noite de hoje a greve dos pilotos da TAP. Está marcada até ao dia 10 de Maio. Foi convocada pelo SPAC – Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil, que alega dois grandes motivos: continuação do acordo estabelecido em 1999, que, em caso de privatização, abre caminho ao acesso dos pilotos a 20 % do capital da companhia, e reposição das diuturnidades suspensas desde 2011. O Sindicato insiste em que não está contra a privatização (ver segundo link abaixo).

Hoje, dia 1 de Maio, dia mundial do trabalhador, não serão descabidas algumas considerações. Em primeiro lugar, que os fundamentos alegados para esta greve são de natureza diferente dos de todas as movimentações anteriores dos trabalhadores da empresa, que eram vários, mas todos tinham como pano de fundo a oposição à privatização. E nisto foram secundados por individualidades e sectores exteriores à TAP, que puseram a tónica nos problemas que a eventual privatização implica, para os trabalhadores e para o país em geral.

O governo português continua a bater na mesma tecla, a da irreversibilidade da privatização da TAP. Contudo, perante esta greve dos pilotos, ao não recorrer à requisição civil, tomou uma posição bastante diversa de outra anterior, quando da greve de Dezembro passado. O facto de uma ser no período de Natal e outra a seguir à Páscoa não é explicação suficiente. Será que o governo reputa a greve dos pilotos como menos importante? Contudo, pelo menos à primeira vista, ela complica muito o processo de privatização. Que dirá um eventual comprador, perante a pretensão dos pilotos de ficarem com 20 % do capital? Não será exagero levantar a suposição de que quererá alterar a sua proposta. E o mais provável é pretender arrematar a companhia por um preço mais baixo, e em melhores condições, isto se continuar interessado. Não só por se aperceber que 20 % do capital, nos termos do acordo de 1999,  vai para a mão de outrem, mas porque vai ter de enfrentar constantemente um parceiro exigente, com grande poder negocial, e com experiência de o exercer. A não ser claro, que haja acordos por debaixo da mesa, o que é legítimo pensar perante o actual estado de coisas. E é perfeitamente legítimo levantar a possibilidade de um cenário de entrega da companhia a uma dada entidade por um preço muito baixo. As contradições entre as notícias que têm saído, ao longo dos anos, sobre a situação financeira da companhia, reforçam essa possibilidade.

Ver:

http://www.dn.pt/inicio/economia/interior.aspx?content_id=4543424&page=-1

http://economico.sapo.pt/noticias/sindicato-dos-pilotos-diz-que-sergio-monteiro-fez-acusacao-grave-de-sabotagem-a-operacao-da-tap_217347.html

http://www.naotaposolhos.com/?p=1420

http://www.naotaposolhos.com/?p=1408

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Economia/Interior.aspx?content_id=4529125

 

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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