JOSÉ RODRIGUES MIGUÉIS – por Clara Castilho
José Rodrigues Miguéis, grande escritor português e um dos expoentes da vida cultural portuguesa no século XX, nascido no coração de Lisboa, no bairro de Alfama, filho de emigrantes galegos de Ponte Vedra, pela mão de Clara Castilho, vem hoje a este espaço com que temos estado, diariamente, a chamar a atenção para a edição de amanhã, 17 de Maio, inteiramente dedicada à Galiza, país irmão de Portugal.
1901: José Claudino Rodrigues Miguéis, que virá a ser conhecido por José Rodrigues Miguéis, nasce no popular bairro de Alfama em Lisboa. Estuda no liceu Francês e nos liceus Camões e Gil Vicente.1921: Matricula-se na Faculdade de Direito. 1922: É um dos jovens que fazem parte da equipa da Seara Nova com Jaime Cortesão, José Gomes Ferreira, Irene Lisboa e outros. 1924: Forma-se em Direito na Universidade de Lisboa. 1925: É nomeado procurador-delegado da República em Setúbal. 1926: È admitido como professor no Liceu Gil Vicente. 1929: Parte para Bruxelas para aprofundar os estudos pedagógicos. 1930-31: Após uma polémica interna, discordando do rumo levado pela revista, afasta-se do grupo da Seara Nova. 1932: Estreia-se como escritor com a novela Páscoa Feliz que iria receber o Prémio Literário da Casa da Imprensa. Com o grande matemático Bento de Jesus Caraça, funda o semanário “O Globo”, suspenso ainda em 1932 pela censura. Neste mesmo ano casa com a jovem professora russa Pecia Cogan Portnoi (Pola). 1933: Regressa a Lisboa, mas não consegue fixar-se na capital. Bolseiro da Junta de Educação Nacional, licencia-se em Ciências Pedagógicas na Universidade de Bruxelas. 1935: Incomodado pela situação de opressão em que os portugueses vivem, expatria-se voluntariamente nos Estados Unidos. Aí trabalha como tradutor e como redactor das Selecções do Reader’s Digest. 1940: Casa em segundas núpcias com a luso-americana Camila Pitta Campanella. 1942: Adquire a cidadania norte-americana. 1946: Volta a Portugal, publicando Onde a Noite se Acaba. 1949-50: Está um ano a viver no Brasil 1956: Publica o conto Saudades para D. Genciana.1957: Sai a público o conto O Natal do Clandestino. 1958: Saem os contos e novelas de Léah e Outras Histórias. 1959: Publica o romance Uma Aventura Inquietante e a narrativa Um Homem Sorri à Morte com Meia Cara. Histórias”. 1960: Saem a público o romance A Escola do Paraíso, e a peça de teatro O Passageiro do Expresso. Recebe o Prémio Camilo Castelo Branco, da Sociedade Portuguesa de Escritores pela sua obra Léah e Outras Histórias. 1961: É eleito membro da Hispanic Society of América. 1962: É publicada a obra Gente da Terceira Classe (Contos e Novelas).1964: Edição de É proibido apontar. Reflexões de um burguês – I (Crónicas). 1971: Publicação de A Múmia e de O romanceNikalai! Nikalai!. 1972: É a vez de serem editadas as crónicas de O espelho poliédrico. 1973 : Publicação dos contos de Comércio com o inimigo. 1974: Saem as crónicas de As harmonias do “Canelão”. Reflexões de um burguês – II 1975: São publicados os dois volumes deO Milagre Segundo Salomé. 1976: Eleito académico correspondente da Academia das Ciências de Lisboa. 1979: É agraciado com a Ordem Militar de Santiago da Espada, no Grau de Grande Oficial, 1980: Em 27 de Outubro morre em Nova Iorque vítima de um ataque cardíaco. O corpo é incinerado no crematório de Manhattan.1981: Sai o romance O pão não cai do céu. 1982: Camila, sua viúva, chega a Lisboa com as suas cinzas, as quais são depositadas no Cemitério do Alto de São João num monumento fúnebre erguido em memória de José. Publicam-se os contos de Passos confusos. E prosseguem as publicações póstumas: Em 1983: Arroz do céu (Conto). Em 1984: O Anel de Contrabando. Em 1985: Uma flor na campa de Raul Proença. 1990: Sai a biografia escrita por Mário Neves. Em 1996 :Aforismos Desaforismos de Aparício”.
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Carlos Loures – Vidas Lusófonas – http://www.vidaslusofonas.pt/jrmigueis.htm
“A obra de José Rodrigues Miguéis configura-se predominantemente ao nível da ficção narrativa e da crónica-ensaio. Coetânea do presencismo e do neorrealismo, é relativamente independente do cânone rígido daqueles movimentos, situando-se numa zona de interseção entre ambos, gerando sínteses originais. Leitor atento de Camilo e de Eça, revela-se mestre da ironia e do humor, problematizando as contradições sociais, analisando o sujeito individualmente considerado, não raro em situação limite de amargura e de perda, mas também em busca de identidade, oscilando entre o regresso como forma de esperança e a fuga como expressão de desistência, a que não é alheia a herança brandoniana: «As crónicas da República (tudo ali me lembrava Raul Brandão, que por lá passara) eram talhadas em pleno material do mestre da Farsa. A sua sensibilidade luarenta e espectral coincidia visceralmente com o meu modo de ser.» (in «Nota do Autor» à 2ª ed. de Páscoa Feliz, 1958, p.183).
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Instituto Camoes (http://cvc.instituto-camoes.pt/seculo-xx/jose-rodrigues-migueis-46177.html#.VVZBdvlViko)

