A CRISE NA ESPANHA JÁ PERTENCE À HISTÓRIA? por Edward Hugh – V

Temaseconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

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A crise na Espanha já pertence à história?

Edward HughIs The Crisis Now History In Spain?

A Fistful of Euros – European Opinion, 14 de Abril de 2015 

(CONTINUAÇÃO)

As contas externas a degradarem-se?

Enquanto a procura externa tinha estado a dar um contributo positivo para o crescimento económico espanhol desde o início de 2010, no segundo trimestre de 2013 assistiu-se a uma grande mudança, com o saldo da balança comercial a ficar negativo, ao mesmo tempo que a procura interna se tornou um factor positivo. Assim, a retoma recente é quase inteiramente devido ao crescimento na procura interna (e fazendo crescer as importações), apesar do facto de que as exportações se mantiveram bem e continuam a crescer para novos patamares.

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O nível das exportações espanholas é constantemente mais elevado mas as exportações só contribuem para o crescimento do PIB na medida que crescem, e esta taxa tem vindo a diminuir progressivamente desde o pico da crise. Como tal, o contributo das exportações para o crescimento torna-se cada vez menor.

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Por outro lado, o saldo da balança corrente, depois de se ter deteriorado em 2013/14 tem vindo a melhorar desde meados de 2014 graças à forte descida no preço do petróleo e ao impacto da queda do euro no rendimento dos residentes espanhóis (incluindo empresas) derivado das suas aplicações financeiras no exterior da zona euro (investimentos em USD valem mais em euros depois da desvalorização).

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No entanto, a afluência de fundos que tem acompanhado o boom nas obrigações e nas acções de Espanha significou que o saldo da dívida externa líquida se deteriorou novamente. Na verdade, a posição de investimento internacional líquido agora está negativo em quase 100% de PIB. Isto não é um bom desenvolvimento, nem é sustentável. A Espanha não pode simultaneamente estar a desalavancar (desendividar-se) e a ter tem influxos de financiamento líquido positivo. Os números a longo prazo não se adicionam. No curto prazo os influxos são financiamento do défice orçamental do governo.

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Mas desde que as taxas de juros são mais baixas na Europa do que em muitas outras partes do mundo, o fluxo de rendimento líquido realmente melhorou uma vez que os investidores estrangeiros ganham relativamente pouco sobre as suas aplicações financeiras em Espanha e principalmente estão a beneficiar de ganhos de capital. Contudo, a Espanha teve claramente uma grande melhoria no seu saldo da balança corrente, o que é um grande positivo para a economia.

A produção industrial retarda-se relativamente ao PIB

A retoma da economia espanhola já não está a ser conduzida ou dinamizada através das exportações e também não é sequer baseada na expansão industrial. A produção industrial, como pode ser visto no gráfico abaixo, não tem praticamente nada evoluído desde o início da retoma do crescimento e aumentou apenas de 0,6% em comparação com o ano anterior em Fevereiro. Para obter uma recuperação sustentável, a Espanha precisa de crescimento industrial (e não apenas de crescimento nos serviços).

edwardhugh - XXX (continua)

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Para ler a Parte IV deste trabalho de Edward Hugh, publicada ontem em A Viagem dos Argonautas, vá a:

A CRISE NA ESPANHA JÁ PERTENCE À HISTÓRIA? por Edward Hugh – IV

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Edward Hugh, Is The Crisis Now History In Spain? Texto publicado em A Fistful Of Euros-European Opinion, disponível em:

http://fistfulofeuros.net/afoe/is-the-crisis-now-history-in-spain/

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