BISCATES – As celebrações do Benfica, a mecânica e a química – por Carlos de Matos Gomes

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Isto vem nas enciclopédias, e num livro muito conhecido – Motores – de um espanhol chamado Arias Paz, mas alguns condutores não fazem ideia do que está por detrás do gesto de dar à chave de ignição do carro: O motor de combustão interna é uma máquina térmica que transforma a energia proveniente de uma reação química em energia mecânica. O processo de conversão ocorre através de ciclos termomecânicos que envolvem expansão, compressão e mudança de temperatura de gases.

Os motores de combustão interna também são popularmente chamados de motores a explosão. O que impulsiona os pistões é o aumento da pressão interna na câmara, decorrente da combustão dos gases.

Já quanto aos explosivos, e ainda segundo as enciclopédias: um explosivo é uma substância ou conjunto de substâncias que podem sofrer o processo de explosão, libertando grandes quantidades de gases e calor em curto espaço de tempo. Com o calor, os gases expandem-se e, se estiverem num espaço pequeno, a pressão exercida é enorme até chegar ao ponto de ruptura, com grande onda de choque. No sentido muito amplo, o explosivo é um material extremamente instável que se pode decompor rapidamente. Os produtos da explosão são acompanhados da libertação de energia sob diversas formas, entre as quais: uma violenta expansão dos gases, elevação brusca da temperatura, luz, ruído…tiros e cacetadas, digo eu.

Enfim, quem durante uma semana acumulou combustível e explosivo nas intermináveis horas de reportagem, comentário, dissecação, previsão, acompanhamento, de náusea sobre o jogo de futebol, quem, por fim, promoveu, autorizou, organizou as celebrações do bicampeonato e quem nelas participou não percebia patavina de física, nem de química.

A ideia de colocar a polícia a resolver um problema de física e de química tem a mesma probabilidade de sucesso do bruxo de Fafe acertar no totobola, ou da política da troika de diminuir a dívida pública. Ou então os organizadores das celebrações e os acólitos açuladores das turbas na comunicação social estavam à espera de que, do meio das multidões de Guimarães e do Marquês, surgisse uma Santa Isabel montada num burrico branco a distribuir rosas às senhoras e Água das Pedras aos cavalheiros e estamos na presença de inconscientes que andam a brincar com o fogo!

Se não tivesse acontecido o que aconteceu em Guimarães e naquela que em Lisboa é a nossa Étoile sem Arco do Triunfo, estaríamos hoje perante um milagre, aquela ocorrência extraordinária e sem explicação científica, que contrariaria todas as regras de causa e efeito conhecidas. Neste caso, que a compressão de um combustível altamente inflamável como uma multidão embebida em álcool, não daria origem a uma explosão de gases à menor faísca, com o concomitante (bela palavra) espectáculo de luz, movimento e cor! Para bem da ciência e descanso dos céticos, tudo decorreu dentro da normalidade:

Ir hoje à bola, na Europa do Sul, é um ato de desespero violento para uns e de inconsciência para outros. Na Europa do Sul há muito sangue a ferver, os estádios são cada vez mais as praças Tahrir do Cairo e Maidan de Kiev. Só se lá vai para a porrada, de camuflado, barba pelo peito e Kalashnikov. Por muito que os incendiários agora venham carpir lágrimas pelas tristes cenas, a coisa (a pacata ida à bola) já não está nem para pais de família, nem para polícias….

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