A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.

E o que fez a rádio de serviço público em homenagem a Herberto Helder biografia/bibliografia no site da DGLAB e dossier no “Público”], na hora em que nos deixou? Começando pela Antena 2, há que enaltecer o cuidado de Luís Caetano ao realizar uma edição especial d’ “A Ronda da Noite” [>> RTP-Play] totalmente preenchida com a poesia herbertiana intercalada com alguns dos mais belos trechos da música erudita. Um encanto! Não costumo ouvir o programa do início da manhã, “Império dos Sentidos”, porque não suporto o estilo verborreico, mastigado e silabofágico de Paulo Alves Guerra, mas tenho notícia de ter passado alguns poemas de Herberto ditos pelo autor. Não obstante, mais se podia (e devia) fazer na antena cultural da RDP e uma coisa bem simples, mas de belo efeito, seria resgatarem do arquivo histórico os poemas herbertianos (mais de vinte) que Paulo Rato e Eugénia Bettencourt gravaram para o memorável apontamento “Os Sons Férteis” e transmitirem-nos ao longo do dia. Uma muito lamentável omissão da direcção de programas, portanto. Negligência essa que foi extensiva à Antena 1, que praticamente ignorou aquele que foi um dos maiores vultos da poesia portuguesa contemporânea. Não fosse o zelo de David Ferreira que dedicou a Herberto Helder duas edições da sua rubrica [>> RTP-Play: 26-Mar-2015 / 27-Mar-2015] e nem um verso do genial poeta se teria ouvido no canal de maior audiência da rádio do Estado. Como é possível?! Impunha-se, sem prejuízo de uma acção mais abrangente, que a ocasião fosse aproveitada para a inclusão na ‘playlist’ dos poemas musicados editados em disco – os dois integrantes do CD “Entre Nós e as Palavras” mais os que foram gravados por Vitorino, Luís Portugal, Janita Salomé e Joana Machado. Mas nem essa simplicíssima medida foi tomada! Infelizmente, a incúria e a irresponsabilidade de Rui Pêgo voltaram a reinar, para prejuízo dos ouvintes e da cultura portuguesa. Enfim, mais um deplorável episódio a somar ao já longo historial de incompetência da criatura aos comandos da estação pública.