LIVRO & LIVROS – “NOUTROS ROSTOS”, poemas de Filipe Marinheiro, hoje na Feira do Livro de Lisboa e dia 6 de Junho em Coimbra

 

 1[1]O novo livro de poesia inédita de Filipe Marinheiro, “Noutros Rostos”, lançado a 29 Novembro em Aveiro na «Casa Do Despacho» da Santa Casa da Misericórdia (ao lado da Igreja da Misericórdia) e a 6 de Dezembro, na Livraria Ler Devagar, na Lx Factory vai ser apresentado numa sessão de autógrafos este sábado na feira do livro em Lisboa às 16h30, espaço chiado: stand D27 | D29 | D31 | D34 | D36 | D38. E na cidade de Coimbra, no dia 6 de Junho pelas 16h00 no Parque Dr.º Manuel Braga, no stand do importador e distribuir José Gomes & Filhos.

Um comunicado de imprensa emitido pela editora, diz;

Em preâmbulo, a abrir a obra, o poeta cita dois mestres da poesia nacional, suas referências literárias: “peço por isso que um qualquer erro de ortografia ou sentido/seja um grão de sal aberto na boca do bom leitor impuro – Herberto Helder, em A Morte Sem Mestre”, e acrescenta, “sinto que há uma estranha eternidade naquilo que amámos e foi destruído – Al Berto, em O Medo”.

 O novo livro inclui 370 poemas inéditos em verso, distribuídos por 400 páginas sem qualquer índice, títulos, letras maiúsculas ou pontuação. Há em “Noutros Rostos” uma reprodução lírica absolutamente contemporânea em verso livre sem qualquer rima ou obedecendo a qualquer uma estrutura rígida ou canónica. “Noutros Rostos” rege-se, na essência, de forma diferente daquela gerada em “Silêncios”, é um livro com uma coerência mais límpida e cristalina, e no qual se destacam pensamentos, sentimentos e linguagens que não estavam patentes com a mesma clareza ou pureza em obras anteriores. Deve-se talvez ao seu amadurecimento e evolução ao nível da reflexão, do seu estado de espírito e do lugar que a sua própria escrita poética conquistou.A obra inicia-se com uma ode à mãe do autor, a todas as mães universais… «e agradeço-te ó mãe bela por te deitares no ninho de lãs/coberta pela verdade assim escondo a ousadia/das visões obscuras e a beleza existente».

Há, nesta magia poética do saber lidar com palavras, versos, ideias, pensamentos abstractos e reais, entre outros aspectos de sintaxe e gramática, um denominador comum: a arte de encantar. O poeta separa corpo, alma e memória. Cria antíteses e descreve momentos. Trabalha espaços e salta tempos. Há analepses e prolepses no pensamento. E são esses recuos e avanços no tempo que criam a acção do eu poético e o movimento nalgumas personagens ou nele próprio! Os olhos descrevem destinos e o corpo acata as decisões ou não! A Natureza cruza-se com a beleza, a astronomia, o amor, o sobrenatural, o bizarro, o oculto, a solidão e a intensa melancolia com que sente as coisas à sua volta, voltando-se para si mesmo, mas também para fora. Uma melancolia sua por natureza mas também fora e dentro do sujeito poético. Filipe Marinheiro transborda por entre os murmúrios – incessante – à procura da expressão viva, sonora e verbal, além-matéria escrita. Um espírito que, inteiro, seja o oposto de si .A linguagem do poeta estanca agora todas as impurezas e outras certezas, no entanto sublima metaforicamente a poética e a sua mensagem. “Noutros Rostos” é uma obra feita de solidões, melancolias, tristezas, mas também alegrias e felicidades conjuntas ao ser poético e à mensagem adjacente, face à corrupção, afastamento e encobrimento dos nossos rostos, máscaras que envergamos no dia-a-dia. Os rostos e as máscaras estão eternamente presentes nalgumas memórias passadas, presentes e futuras, de todos nós, levando os leitores a mergulhar nos esquecimentos e paisagens humanas, anatómicas e cósmicas, sem um fim… como se o leitor tocasse o infinito, a eternidade e o próprio silêncio. O autor faz-nos atravessar toda essa dor e sofrimento num registo genuíno e libertador: catártico.

Assim, por um lado, vivenciam-se pequenos ou grandes acontecimentos que sucedem apenas ao atravessar por rostos e máscaras, como se o ser se transmitisse somente mediante metamorfose ou transfiguração do meio ambiente e corpo.  Registam-se vozes inquietantes e, no centro, o enigma desses mesmos “noutros rostos”: máscaras, rostos, espelhos, fogos, mares e universos dissolvem-se em reflexos. Os contornos libertam-nos, amam-nos. Mas também diz num dos poemas: “um enorme corte na palma da minha mão sem tocar nesse corpo/ meio morto desencadeia viscosos gestos sangrentos com sabor/ a lembranças ilusórias/ e num aconchego guardo-as fervilhantes dentro de mim/ e sobrevivo luminoso à branda destruição do dias“. E, de facto, a poética de Filipe Marinheiro é conseguir ser tão fascinante, intemporal, tão violenta, tão única que cria o seu mesmo universo. Único.

 Citando quatro versos deste livro, “o amor pelos pais é sangue puro/ sangue extraordinário pregado ao rosto” e “imagino-me a vaguear perdido na desolação destes intermináveis rostos” e por último exemplo “então deito-me na baía da luz a cheirar o fogo pouco fresco/ e dispo-a lentamente – a beleza“. O poeta trabalha atualmente na revisão e paginação da sua quarta obra «Escuridões» de cariz autobiográfico, obra escrita em prosa poética com cerca de 600 páginas, aproximadamente, dedicada ao falecido poeta «mestre do silêncio» Herberto Helder (in memoriam).

Estão convidados a aparecer nas feiras do livro em Lisboa e Coimbra.

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