DONA CIÇA DO BARRO CRU VAI SER HOMENAGEADA NO14º CONGRESSO DE HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO DO CEARÁ, DIA 3 DE JUNHO, CRATO, BRASIL por clara castilho

Cícera Maria Araújo, mais conhecida como dona Ciça do Barro Cru. Já passa dos 80 anos, sempre a trabalhar.

Costumava vender na feira do Crato, onde já era conhecida e procurada pelos turistas. Para estes, cujas preferências a artista conhece, eram confeccionados colares e pulseiras de barro, além das peças figurativa tradicionais, apreciadas também pela população local que, no entanto, nem sempre pode adquirí-las. Já não se apresenta nas feiras, pois queixa-se das maleitas do corpo…

dona ciça

As peças que produz são miniaturas de cachorros, cavalos, máscaras, estatuetas figurativas, colares, pulseiras, aneis e brincos. Tudo com uma dosagem exata de tinta, cola, talco, algodão e até cachaça, em uma mistura que justifica seu domínio e reconhecimento.

Nasceu em São José , uma localidade entre Crato e Juazeiro, 580 quilômetros de Fortaleza. QUando adolescente iniciou seu trabalho com barro. Considera-se influenciada pelo seu ”Senhor, o Pai do Céu”.

O documentário “DONA CIÇA DO BARRO CRU”,de 1979, de autoria de Jefferson  Albuquerque Jr, apresenta-a assim:

 “No Vale do Cariri, região mística e fértil do Sul do Ceará, mora Dona Ciça, uma artista popular, ceramista, com uma grande peculiaridade: não leva ao forno a sua cerâmica. Na sua arte representa todos os folguedos populares da região, os tipos característicos e as principais atividades da população. Suas cores são vivas e únicas, as tintas são fabricadas por ela, usando corantes, cola e cachaça (que diz tirar o mau cheiro das tintas). Dona Ciça não só pinta suas peças como faz aplicações com penas, palitos, mola de arame (para o pescoço dos capotes), contas a fio de algodão. O mais interessante em Dona Ciça é o relacionamento dela com os bonecos de barro. Todo ano faz um grande casal de noivos apaixonados acompanhado do padre, testemunhas, garota da salva e realiza uma festa de casamento, regada a galinha e vinho de jurubeba. Faz a representação convidando algumas pessoas para falarem pelos bonecos, que carinhosamente chama de “meus filhos”. Tanto estes, como outros de maior porte ela não vende, pode chegar a dar de presente a alguma pessoa que lhe agrade. Todos os sábados e segundas-feiras, Dona Ciça coloca suas peças dentro de um balaio e se encaminha às feiras de Barganha e Crato. Atualmente as vendas nas feiras são mínimas, as crianças já não usam tanto seus bonecos para brincar, seus maiores compradores são os turistas e as pessoas que vão ao Cariri pesquisar sobre arte popular ou misticismo religioso, tudo que gira em torno da figura de Padre Cícero. O filme retrata o cotidiano de Dona Ciça, o seu relacionamento com o meio em que vive, os personagens da região. A sua alegria e sua tristeza.” (SESC/G68)

O livro “O povo de barro”, de Ricardo Guilherme, fá-a personagem principal, dizendo: “Pela arte dessa artesã-malasartes, apreendeu calungas e estandartes, o bumba e o baticum da zabumba, profecias e crendices, as cirandas, os caretas e tantas gestas ancestrais de índios, missas e missões. A ela credita esse parto de imagens que traduz em palavras.”

Dona Ciça vai ser homenageada no 14º Congresso de História da Educação do Ceará no dia 3 de Junho, em Crato, Brasil.

2 Comments

  1. Veja só, Clara Castilho!
    Você é quem nos dá esta notícia tão bonita sobre a D. Ciça do Barro Cru, do Ceará! Do outro lado do Atlântico, está você em contato com nossas coisas, mais do que muitos brasileiros.
    Obrigada! Abraço solidário.

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