Porque é que a diminuição da população em Espanha é um problema económico? – por Edward Hugh I

Falareconomia1

 

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

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Porque é que a diminuição da população em Espanha é um problema económico?

 

Edward Hugh

Why Is Spain’s Population Loss An Economic Problem?

Author: Edward Hugh  ·  10 de Março de 2015

“A teoria do crescimento foi criada para fornecer de forma sistemática uma maneira de podermos falar e comparar as trajectórias de equilíbrio para a economia. Nesta tarefa as coisas correram razoavelmente bem. Ao fazê-lo, no entanto, não se conseguiu agarrar adequadamente um problema igualmente importante e interessante: a via correcta para se analisarem e se resolverem os desvios relativamente ao crescimento de equilíbrio… se olharmos para bem mais que os desvios trimestrais do crescimento de equilíbrio… é impossível acreditar que o caminho de crescimento de equilíbrio não é em si mesmo afectado pela situação de curto a médio-prazo… então uma análise simultânea de tendência e das flutuações realmente envolve uma integração do longo prazo e do curto prazo, ou do equilíbrio e do desequilíbrio. ”

Robert Solow, Nobel Acceptance Speech

Quando o FMI disse no ano passado que o nível de desemprego da Espanha foi inaceitavelmente elevado, eu era muito crítico relativamente ao facto de que eles não explicitavam as consequências disso mesmo,  nem ofereciam  uma qualquer alternativa política substancial. O mais óbvio impacto dessa falha para encontrar uma alternativa está agora a ser visto , com o aparecimento de movimentos políticos que bem poderiam virar o sistema dos dois principais partidos do país completamente de cabeça para baixo e um enorme fluxo constante de jovens talentosos a abandonarem o país em busca de trabalho fora de Espanha.

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De acordo com a mais recente sondagem de opinião de Metroscopia realizada para o jornal El País (7 de Março de 2015), quatro partidos ( Podemos 22,5%, PSOE 20,2%, PP 18,6%, Ciudadanos 18,4%) estão em competição renhida para o primeiro lugar nas próximas eleições. A mais recente chegada à cena política nacional é Ciudadanos , um movimento que, apesar de ser difícil de definir em termos de políticas específicas, parece estar algures, ao centro, entre PP e PSOE em termos de sua ideologia política. É muito difícil prever que resultado as próximas eleições gerais ( estas serão no final deste ano) nos vão apresentar, mas parece claro que nenhuma das partes terá uma maioria. Assim, a aritmética governamental está prestes a ficar complicada.

O primeiro indício é de que o panorama político poderia começar por ficar parecido com o que irá resultar na Andaluzia, que tem eleições regionais em 22 de Março. Então em Maio haverá eleições regionais em Madrid e Valencia e as municipais nas grandes cidades como Madrid, Valencia e Barcelona. Tais eleições, no entanto, apenas darão uma vaga impressão, já que factores de personalidades e lealdades locais também serão importantes.

Quanto as preocupações que estão a movimentar este terramoto, estas são suficientemente claras a partir das sondagens efectuadas : desemprego, corrupção e as questões relacionadas com a actual situação económica são na verdade as mais importantes questões na cabeça dos eleitores; na verdade apesar de toda a conversa de recuperação a grande maioria deles continua a pensar que a situação económica actual é má (41,8%), ou muito má.(33,8%).

Alianças próximas são difíceis de prever. Ideologicamente, Podemos e Ciudadanos podem parecer distantes, mas as preocupações dos eleitores que estão a ser a base da sua ascensão são muitas vezes surpreendentemente semelhantes, mesmo se as soluções que eles oferecem são bastante diferentes. Por exemplo, sobre a questão da corrupção, deve existir a possibilidade de uma aliança de facto entre os dois movimentos para forçar a reforma importante dos dois principais partidos “tradicionais”.

Uma outra questão que provavelmente os irá unir é a questão da dívida. Muitos cidadãos espanhóis estão muito endividados, e muitos ainda têm dificuldade em pagar as suas hipotecas apesar de taxas de juro muito baixas. Além disso, há a regra tristemente célebre ” de recurso completo”, que significa que as pessoas que não podem pagar não podem simplesmente regressar a sua casa e liquidar a sua dívida. Há um grande sentimento de injustiça associada ao facto de que os promotores imobiliários receberam hipotecas de responsabilidade limitada (muitas das quais agora acabaram no banco ruim Sareb, com perdas que foram pagas pelos contribuintes) enquanto os cidadãos comuns não receberam nenhuma tal cláusula de “escape”[1]. “Resgatar os cidadãos não só os bancos,” é um slogan que muitas vezes se ouve nos dias de hoje.

Não está claro o que os Ciudadanos pretendem fazer sobre o assunto, mas a opinião do movimento Podemos é suficientemente clara, e sobre esta postura gozam de amplo apoio popular, indo bem além daqueles que na verdade vão votar por eles: eles irão revogar o “recurso completo-pagamento integral”. Não se trata de um simples detalhe e que levou Pablo Isglesias a ressaltar na sua entrevista com CNBC Michelle Caruso-Cabrera, “nós podemos ter governos que funcionem para as pessoas e não para os bancos,” como o entrevistador comentou, “uma coisa que aqui é banal… é que em Espanha eles podem-nos expulsar da casa e ainda obrigar-nos a continuar a pagar a hipoteca. É um empréstimo garantido”.

 

(continua)

 

[1] Nota de Tradutor .

Full Liability. The Guarantor is liable for the entire debt should the Borrower default on their mortgage payments and must be able to show that can afford at least 100% of the mortgage, in addition to their own existing commitments. The Guarantor must be at least 25 years of age, and no older than 75 at loan maturity.

Limited Liability. The Guarantor’s liability is limited to the just the Borrower’s shortfall amount (plus an additional 10%) this is expressed as a fixed percentage of the debt (up to a maximum of 30%). Limited liability mortgages opens up new possibilities for those who are willing or able to guarantee only a smaller proportion of the loan. A Limited Liability Guarantor must be a least 25 years of age, but no older that 65 at time of application. The mortgage term will be based on the age of the applicant with this type of Guarantor.

 

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