EDITORIAL – A DEMOCRACIA NÃO PASSA PERANTE O CAPITAL

Alexis Tsipras disse: “A Grécia é e continuará a ser uma parte da Europa, logo editorialmas a Europa não será nada sem a democracia” (26.7.15). E chamou o povo grego a pronunciar-se, no próximo dia 5 de Julho, em referendo, sobre se o país deve ou não aceitar as reformas económicas exigidas pela União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário internacional (FMI). Isto foi interpretado como uma rejeição das últimas propostas dos seus credores e um fechar a porta para novas negociações. Não sabemos os resultados deste referendo, mas ninguém poderá depois dizer que não foi auscultado.

Nós por cá, não tivemos uma palavra directa a dizer, quando, em 1991, foi assinado o Tratado de Maastricht… Não tivemos uma palavra a dizer quando, em 1999, foi a adesão à moeda única… Não tivemos uma palavra a dizer quando, em 2008, foi o Tratado de Lisboa… Não tivemos uma palavra a dizer quando, em 2011, houve o Memorando de Entendimento, sobre o Tratado Orçamental…

Sim, quem disso tratou foram governos eleitos através de eleições livres. Algumas delas com grande número de abstenções. Será que nos vemos retratados nos resultados? Temos um povo que não sabe olhar para o que os governantes fazem? Temos um povo que só sabe resmungar quando lhe vão ao bolso e acaba sempre votando alternadamente nos dois grandes partidos que têm sido poder? Que nos dizem as recentes intenções de voto?

 

 

 

 

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