A Liberdade, a cultura, a democracia e a justiça social são as nossas paixões.

A produção poética de Manuel Alegre é por demais conhecida desde que publicou, há cinquenta anos, o seu livro Praça da Canção (1965) que, de algum modo, surpreendeu a crítica pela síntese que a sua poesia evidenciava relativamente à grande tradição, sem excluir a poesia oral ou a veiculada pelo romanceiro popular. Basta pensar no grande número de composições intituladas romances, trovas e baladas, convocando, porém, temas contemporâneos, com a actualização histórica de um presente desamado, profeticamente evocado como “país de Abril”. A par disto, a colectânea representava, no contexto político-social daqueles anos (a ditadura vigilante e ferozmente repressiva), uma ousada intervenção que propunha um novo discurso relativamente ao cânone da poesia portuguesa na segunda metade do século XX.