REVISTA DA SEMANA por Luís Rocha

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Revista da semana

De 28/06 a 04/07/2015

Entre os vários acontecimentos da semana divulgados na comunicação social destaco, como o mais relevante, as notícias sobre A GRÉCIA começando pela publicação de excertos de um artigo de opinião, da autoria de José Manuel Fernandes/Observador (2015/07/04) cujo conteúdo merece ser lido na íntegra para reflexão. Os excertos que se seguem são os que corroboro e considero mais relevantes.

Só lendo o artigo se entende a razão do título do mesmo

“Seja qual for o resultado, o referendo não é uma vitória da democracia”

“Não se pode falar com verdade em decisões democráticas num país que cedeu muita da sua soberania, que se deixou aprisionar pela dívida e que está integrado num espaço não-democrático, a União Europeia”

Escrevo deliberadamente numa altura em que é muito difícil, senão impossível, prever o resultado do referendo grego. Todas as sondagens conhecidas estão a dar um virtual empate. E todas também indicam que há ainda muitos indecisos.

Escrevo porque há algumas questões que têm a ver com a noção de democracia que quero deixar claras antes de poderem ser contaminadas pela escolha dos gregos que amanhã forem às urnas. Vamos então lá, por pontos.

  1. O referendo grego é legítimo, mas terá sempre a marca negativa de surgir como uma espécie de plebiscito, e com métodos de plebiscito.

Estou entre os que há muito defendem que os temas europeus devem poder ser votados, e referendados, pelos povos europeus. Gostava que Portugal tivesse votado o Tratado de Maastricht e acho intolerável o acordo estabelecido entre os líderes europeus para que o Tratado de Lisboa não fosse referendado em nenhum país, com a excepção da Irlanda, onde tal voto é uma imposição constitucional.

[…]

Mesmo assim, colocadas todas estas reservas, o referendo será clarificador – pelo menos é o que esperamos que aconteça. Apesar de não o fazer nas melhores condições e de acordo com as melhores práticas, o povo grego pronunciar-se-á. E isso, para o melhor ou pior (ou para o mau ou para o péssimo, pois já não há boas opções), ajudará sempre tornar as escolhas mais claras.

  1. A escolha do povo grego será democrática, mas não será uma escolha soberana. Também não terá mais valor do que as escolhas dos outros povos europeus.

Um dos equívocos de toda esta crise é a ideia de que a escolha dos gregos, por ser democrática, não pode ser contestada e só pode ser respeitada. À letra.

[…]

Na verdade, por mais democrática que seja a decisão dos gregos, de sim ou de não, ela começa por não ser uma decisão soberana. Primeiro, porque os gregos transferiram para Bruxelas, ao longo dos anos, muita da sua soberania. Já não podem, por exemplo, imprimir moeda, um recurso que lhes teria permitido evitar as filas para os multibancos ou o desespero dos reformados.

[…]

O cerne do problema é simples de sintetizar: a Grécia já não tem soberania absoluta sobre o seu destino porque não tem dinheiro para pagar as suas escolhas e porque está a lidar com instituições às quais cedeu parte do poder de decidir o tipo de políticas que os seus governos são autorizados seguir. É duro mas é assim, e isso leva-nos ao terceiro equívoco.

  1. Na União Europeia vive-se numa espécie de limbo pós-soberano, onde não se sabe bem onde reside o poder real, algo que nos conduz a um pesadelo bem pior: caminhar-nos como zombies para o tempo de uma imprevisível pós-soberania.

A criação do euro, podemos começar a afirmá-lo sem receio de errar, foi muito mais do que um erro: foi uma tragédia que pode fazer ruir uma União Europeia que só tem sentido se resultar da união voluntária dos seus povos. O euro foi a armadilha em que os “grandes europeus” do passado, os que tinham “uma visão”, quiseram aprisionar quase todo um continente em torno de uma utopia: uma integração cada vez maior que conduzisse inevitavelmente a uma qualquer forma de “Estados Unidos da Europa”.

[…]

É por isso que abro a boca de espanto quando leio, vejo e ouço tudo quanto é dirigente europeu e português a defender que a cura dos males do euro – que hoje todos reconhecem – exige ainda mais transferências de soberania dos Estados para a União. O que nos estão a dizer é que querem mais do que já hoje consideramos intolerável, isto é, que mais e mais decisões que implicam com a nossa vida de portugueses, franceses, espanhóis, italianos e, claro, gregos, sem esquecer todos os outros, saiam da esfera de competência dos nossos parlamentos e dos nossos governos e sejam entregues a um poder centralizado que não controlamos e cujo problema não é apenas um défice de democracia, é ser na sua essência não-democrático (um dia escreverei sobre este tema com mais detalhe, pois é importante e sei que estou totalmente isolado em Portugal).

Felizmente que hoje temos poucos políticos “visionários” capazes de darem o passo nesse desconhecido que seria uma Europa irremediavelmente divorciada dos seus cidadãos – porque esse divórcio é cada vez mais evidente.

Não deixo por isso de simpatizar com os gregos quando eles se queixam de quererem mandar neles. Só lamento que não tirem disso a necessária consequência, pois enquanto dependerem do dinheiro dos outros, como esta semana ficou demonstrado sem qualquer sombra de dúvida, terão de aceitar as regras desses outros. Essa é também a razão porque penso que seria melhor para os gregos e melhor para a Europa que saíssem do euro, votem sim ou votem não (se votarem não isso tornar-se-á inevitável, agora ou daqui por alguns meses).

[…]

A crise grega e o próximo referendo britânico fazem com que esta seja, provavelmente, a melhor altura para o discutirmos seriamente, e não em torno de mais “visões” e “ambições”.

Até lá, referendos ou plebiscitos como os da Grécia nunca serão verdadeiras vitórias da democracia. Vença quem vença, pois como vimos o destino dos gregos está cada vez menos nas suas mãos.

Ler em:

http://observador.pt/opiniao/seja-qual-for-o-resultado-o-referendo-nao-e-uma-vitoria-da-democracia/

Na última noite de campanha antes do referendo do próximo domingo, centenas de milhares de gregos saíram às ruas de Atenas para gritar ‘Sim’ ou ‘Não’. Tsipras repetiu que o voto pelo ‘Não’ é um voto para “viver em dignidade dentro da União Europeia”, e os apoiantes do ‘Sim’ insistiram que um resultado negativo põe a Grécia de fora da Zona Euro.

Apesar das diferentes origens políticas, Pacheco Pereira, Manuel Alegre, Francisco Louçã e Freitas do Amaral falaram em uníssono: é preciso apoiar a Grécia do Syriza e combater a ditadura da Europa.

Hoje (05/07/2015) vamos conhecer o resultado do referendo. Na semana que se segue conheceremos as suas consequências para os gregos, para a zona Euro em geral e em particular para Portugal.

Entretanto em Portugal quem governa e os restantes partidos apenas se preocupam com as eleições legislativas que se aproximam, tentando tirar dividendos de tudo o que podem. Veja-se o aproveitamento da trasladacção de Eusébio para o Panteão Nacional e o protagonismo do Presidente da República e do Governo.

Hugo Amaral/ Observador

Eusébio da Silva Ferreira, que no dia 5 de Janeiro de 2014 morreu. Tinha 71 anos.

Eusébio vai ficar na mesma sala onde estão sepultados Sophia de Mello Breyner, Aquilino Ribeiro e o general Humberto Delgado.

O público que assiste à cerimónia junto à fachada principal é escasso. Há mais pessoas em ruas paralelas.

Assobios, gritos de “Eusébio” e “gatuno” ouvem-se enquanto Cavaco Silva fala.

Discursa Cavaco Silva

“Como desportista, como ser humano, Eusébio esteve sempre muito acima das querelas e controvérsias que marcam o nosso quotidiano”

 “É a homenagem de todos os deputados à força e talento de Eusébio. É a homenagem de um povo inteiro” – Assunção Esteves

Assobios e gritos a Assunção Esteves.

A escritora Sophia de Mello Breyner foi a última personalidade a ir para o Panteão Nacional. Os restos mortais de Sophia juntaram-se aos dos ex-presidentes da República Manuel de Arriaga, trasladado em 2004, Teófilo Braga, Sidónio Pais e Óscar Carmona, dos escritores João de Deus, Almeida Garrett e Guerra Junqueiro e à fadista Amália Rodrigues. No Panteão encontram-se ainda arcas tumulares sem corpo, que evocam as figuras de Luís de Camões, do Infante D. Henrique, de D. Afonso de Albuquerque, Vasco da Gama e Pedro Álvares Cabral.

Mas a realidade sobrepõe-se a todos as homenagens e festejos, como é o caso em aberto do “Novo Banco”

Veja-se o artigo de Edgar Caetano/Agência Lusa/Observador (2015/07/04)

Novo Banco pode elevar o défice para quase 6%

Défice de 2014 poderá aproximar-se de 6%, já que o preço final da venda do Novo Banco – a negociar nas próximas semanas – poderá resultar numa perda de mil milhões. Que pode duplicar, diz o Expresso.

André Kosters/LUSA

O processo de venda do Novo Banco, que está a entrar na reta final, deverá terminar com uma perda a rondar os mil milhões de euros face aos 4,9 mil milhões que o Fundo de Resolução injetou no banco (com 3,9 mil milhões emprestados pelo Estado). As três ofertas selecionadas – da Fosun, da Anbang e da Apollo – contêm, contudo, contingências que podem tornar o preço mais baixo no futuro.

[…]

Aí, será registada a “diferença entre o valor da injeção de capital e o valor da venda”, explicou o INE. Se a perda for entre 2.000 milhões e 2.500 milhões o défice do ano passado (que foi de 4,5% do PIB) poderá subir para entre 5,7% e 5,9%, pelas contas do Expresso. A decisão terá de ser tomada na reta final do ano, depois das eleições legislativas.

Ler em:

http://observador.pt/2015/07/04/novo-banco-pode-elevar-o-defice-para-quase-6/

Mais uma conta que o “zé povinho” vai pagar

Continua ainda é aberto toda a polémica das últimas privatizações como se pode ver nas greves e eventos marcados para as próximas semanas:

Greves nos transportes marcam próximas duas semanas

Autor: Económico à Uma (2015/07/03)

RITA PAZ

Representantes de trabalhadores de várias empresas públicas do sector dos transportes agendaram dez dias de luta contra a privatização e a subconcessão de empresas. Os protestos arrancam na segunda-feira, dia 6, e terminam na semana seguinte, dia 16.

As acções de protesto dos trabalhadores dos transportes têm incluído a realização de plenários, marchas e greves. O sindicalista Paulo Machado, da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (Fectrans), associa o crescente número de acções à luta dos trabalhadores contra a concessão das empresas, numa altura em que o Governo está a acelerar os processos de privatização dos transportes públicos.

O Executivo aprovou a 26 de Fevereiro a subconcessão do Metro de Lisboa e da Carris, deixando de fora a Soflusa. Nas intenções do Governo estão também as privatizações da TAP, da CP Carga (sector ferroviário) e da EMEF – Empresa de Manutenção de Equipamento Ferroviário.

Já a concessão da Metro do Porto (MP) e da Sociedade de Transportes Colectivos do Porto (STCP) está prestes a chegar às mãos do consórcio espanhol TCC (constituído pela Transportes Metropolitanos de Barcelona e Moventis).

As paralisações marcadas para as próximas duas semanas são as seguintes:

Dia 06 – Vigília de dirigentes sindicais do sector ferroviário nas estações do Lisboa – Rossio e Porto – Campanhã, na parte da manhã

Dia 07 – Reunião de organizações de trabalhadores que representam trabalhadores do sector, para a qual estão convidadas todos os Sindicatos e Comissões de Trabalhadores, às 10 horas.

Dia 08 – Vigília de dirigentes sindicais do sector ferroviário nas estações do Porto S. Bento e Lisboa – Entrecampos, na parte da manhã

Greve na EMEF do Entroncamento – 2 horas na parte da manhã

Dia 10 – Vigília de dirigentes sindicais do sector ferroviário na estação Lisboa Santa Apolónia, na parte da manhã

Greve na EMEF do Entroncamento – duas horas na parte da manhã

Dia 13 – Plenário dos trabalhadores da Exploração do Metropolitano de Lisboa

Greve na EMEF do Entroncamento – duas horas da parte da tarde

Dia 14 – Plenário dos trabalhadores Oficinais do Metropolitano de Lisboa

Dia 15 – Greve dos trabalhadores da Carris, 24 horas

Greve na EMEF do Entroncamento, duas horas de tarde

Greve na SPdh, escala de Lisboa, das 15h às 18h

Dia 16 – Greve na CP-Carga, 24 horas

Concentração de trabalhadores e reformados ferroviários, em frente à sede da CP, às 10,30

Ler em:

http://auma.economico.sapo.pt/noticias/greves-nos-transportes-marcam-proximas-duas-semanas_222721?_swa_cname=newsletter&_swa_csource=afiliado&_swa_cmedium=email&cpid=economicot3

A nível internacional as chamadas acções de “Terrorismo” têm-se acentuado, provocando a morte de inocentes. A comunicação social dos países ocidentais, vai publicando notícias como se estivéssemos a assistir a cenas de cinema. A realidade que nos é dada a conhecer, apesar de manipulada não deixa de ser preocupante dado que se matam inocentes.

Um artigo da autoria de João Dias Miguel/Visão (2015/07/03), dá conta dos atentados terroristas do primeiro semestre de 2015

Planeta do terror

Os primeiros seis meses de 2015 foram marcados por milhares de atentados terroristas que, em muitos casos, nem sequer chegaram a ser notícia. VEJA A INFOGRAFIA E CRONOLOGIA destes meses de terror

CRONOLOGIA DE SEIS MESES DE TERROR

Ler em:

http://visao.sapo.pt/planeta-do-terror=f824522#ixzz3ewONFKDv

Ontem dia 4/07/2015 e de acordo com notícia da agência Lusa

Estado Islâmico divulga vídeo de execução coletiva na cidade síria de Palmira

O Estado Islâmico divulgou um vídeo na internet que mostra a execução de 25 soldados sírios por jihadistas, aparentemente adolescentes, no teatro romano da cidade histórica de Palmira, na Síria.

AFP/Getty Images

O grupo extremista Estado Islâmico divulgou este sábado um vídeo na internet que mostra a execução de 25 soldados sírios por jihadistas, aparentemente adolescentes, no teatro romano da cidade histórica de Palmira, no centro da Síria.

[…]

As execuções, com tiros na nuca disparados por jihadistas que parecem ser crianças ou adolescentes, são realizadas perante uma audiência relativamente pequena.

Ler em:

http://observador.pt/2015/07/04/estado-islamico-divulga-video-de-execucao-coletiva-na-cidade-siria-de-palmira/

No desporto é de referir a vitória do Chile na Copa América (ganhou na final à Argentina na marcação de grandes penalidades).

De referir também o inicio (ontem – 4/07/2015) da volta à França em Bicicleta, da recordação de Joaquim Agostinho e dos outros portugueses que participaram naquela prova.

A primeira etapa foi ganha por Rohan Dennis (Agência Lusa)

Utrecht, Holanda, 04 jul (Lusa) — O ciclista australiano Rohan Dennis (BMC) é o primeiro camisola amarela da 102.ª edição da Volta a França, depois de vencer o contrarrelógio inaugural de 13,8 quilómetros na cidade holandesa de Utrecht.

No domingo, os 198 ciclistas em prova vão disputar a segunda etapa do Tour, uma ligação de 166 quilómetros entre Utrecht e Zélande.

Ler em:

http://visao.sapo.pt/tour-rohan-dennis-e-o-primeiro-camisola-amarela=f824639#ixzz3ewPMSx1q

Quanto aos portugueses, Rui Costa (Lampre), campeão mundial em 2013 e recente campeão nacional de estrada, assume a liderança do grupo que vai participar, representando a principal esperança na conquista de etapas e de visibilidade, mas também lá estão Nelson Oliveira, Tiago Machado e José Mendes. Como de costume não faltarão emoções, sofrimento, dor e glória numa prova sempre diferente, mas com uma característica principal que não se altera: o desafio aos limites da capacidade humana.

Ler em:

http://auma.economico.sapo.pt/noticias/uma-volta-a-franca-diferente_222720?_swa_cname=newsletter&_swa_csource=afiliado&_swa_cmedium=email&cpid=economicot3

PORTUGUESES NA VOLTA À FRANÇA

MIGUEL ANDRADE/Público

De Alves Barbosa a Rui Costa, de Joaquim Agostinho a Sérgio Paulinho. A Volta à França teve vários ciclistas portugueses a competir nas suas 99 edições. E muitos deles marcaram a ouro a sua passagem pelo Tour.

Apesar de Alves Barbosa ter sido o primeiro português a participar na Volta à França, em 1956, o nome que mais se destaca quando se fala de presenças de portugueses é o de Joaquim Agostinho. O corredor detém o recorde de presenças de um ciclista luso na corrida (13), de vitórias em etapas (5), de onde se destaca o triunfo em 1979, ano em que terminou o Tour em terceiro lugar pelo segundo ano consecutivo.

Agostinho venceu a mítica chegada ao topo do Alpe d’Huez e para relembrar este feito, Agostinho tem mesmo uma estátua na 14.ª curva dessa subida.

Acácio da Silva foi outro dos portugueses que se destacou no Tour. O corredor foi o único português que conseguiu envergar a camisola amarela, símbolo de liderança da prova. Em 1989, o corredor foi líder durante cinco etapas e, em sete presenças no Tour, venceu três tiradas.

[…]

Na classificação geral, Joaquim Agostinho é, até agora, o português mais bem classificado de sempre, com o 3.º lugar em 1978. Segue-se José Azevedo com um 5.º posto em 2004 e Alves Barbosa 10.º em 1956.

Em números de etapas ganhas, 2011 marcou o ano em que Rui Costa conseguiu vencer uma etapa da Volta à França e juntou-se a um grupo restrito de mais quatro portugueses a conseguir este feito, depois de Sérgio Paulinho (2010), Joaquim Agostinho (cinco triunfos em etapas, entre 1969 e 79), Paulo Ferreira (uma, em 1984) e Acácio da Silva (três, de 1987 a 89).

Outros portugueses como Marco Chagas, Fernando Mendes ou José Martins também participaram e concluíram a prova de três semanas.

[…]

Apesar de Alves Barbosa ter sido o primeiro português a participar na Volta à França, em 1956, o nome que mais se destaca quando se fala de presenças de portugueses é o de Joaquim Agostinho. O corredor detém o recorde de presenças de um ciclista luso na corrida (13), de vitórias em etapas (5), de onde se destaca o triunfo em 1979, ano em que terminou o Tour em terceiro lugar pelo segundo ano consecutivo.

Agostinho venceu a mítica chegada ao topo do Alpe d’Huez e para relembrar este feito, Agostinho tem mesmo uma estátua na 14.ª curva dessa subida.

Como curiosidade, Joaquim Agostinho foi o segundo ciclista de sempre a vencer uma etapa na Volta à França, com 37 anos e 108 dias e terminou o seu último Tour em 1983, quando tinha já 40 anos.

Acácio da Silva foi outro dos portugueses que se destacou no Tour. O corredor foi o único português que conseguiu envergar a camisola amarela, símbolo de liderança da prova. Em 1989, o corredor foi líder durante cinco etapas e, em sete presenças no Tour, venceu três tiradas.

Na classificação geral, Joaquim Agostinho é, até agora, o português mais bem classificado de sempre, com o 3.º lugar em 1978. Segue-se José Azevedo com um 5.º posto em 2004 e Alves Barbosa 10.º em 1956.

Em números de etapas ganhas, 2011 marcou o ano em que Rui Costa conseguiu vencer uma etapa da Volta à França e juntou-se a um grupo restrito de mais quatro portugueses a conseguir este feito, depois de Sérgio Paulinho (2010), Joaquim Agostinho (cinco triunfos em etapas, entre 1969 e 79), Paulo Ferreira (uma, em 1984) e Acácio da Silva (três, de 1987 a 89).

Outros portugueses como Marco Chagas, Fernando Mendes ou José Martins também participaram e concluíram a prova de três semanas.

[…]

Até 2010, nenhum outro português voltou a vencer tiradas na Volta à França. Contudo, Orlando Rodrigues, foi companheiro de equipa do ciclista espanhol Miguel Indurain, ao serviço da

Banesto, em 1996, e em 2002 chegou José Azevedo. O último conseguiu logo no ano de estreia um 6.º lugar na geral e dois anos depois arrecadou um 5.º lugar.

Após 21 anos sem qualquer vitória lusa, eis que surge Sérgio Paulinho, em 2010, para vencer a 10.ª etapa entre Chámbery e Gap. O português ganhou ao sprint, após 179km. Paulinho, vice-campeão olímpico em Atenas 2004, terminou com um quarto de roda à frente do bielorrusso Vasil Kiryienka (Caísse d’Epargne).

Sérgio Paulinho

Rui Costa foi o último português, até agora, a vencer uma etapa no Tour. O ciclista da Póvoa de Varzim, na sua terceira participação na prova francesa, integrou uma fuga bem sucedida e fugiu do grupo quando faltavam 5km para o fim, vencendo os 189km entre Aigurende e Super-Besse Sancy

Rui Costa

Ler todo o artigo em:

http://www.publico.pt/desporto/volta-a-franca/portugueses-na-volta

Por último um artigo muito interessante sobre

Editoras indie, um roteiro para livros alternativos

Autor: Joana Emídio Marques/Observador (04/07/2015)

Não há apenas música e cinema independente. Há também livros. O setor das editoras independentes está a crescer e o futuro da literatura portuguesa vai passar por aqui.

Estamos em Fahrenheit 451, de Ray Bradbury. Queimam-se os livros e o pensamento dissidente. A felicidade é um imperativo do povo e dos políticos. O pensamento crítico foi abolido. Esse futuro distópico inventado nos anos 50 é agora. Apenas não há fogo, papel a arder a 451 graus fahrenheit. Há livros guilhotinados, outros amontoados em armazéns com o rótulo “não se vende”, e muitos outros condenados para sempre ao silêncio de serem “complexos”, “elípticos”, “metafísicos”, “antissociais”, “violentos”. O povo, as minorias e as maiorias, querem a felicidade, o entretenimento, o prazer infinito. Os políticos gostam deles assim.

Os livros a arderem, no filme que François Truffaut realizou a partir do romance de Ray Bradbury

[…]

Em tempos em que a democracia serve de máscara para tudo e mais alguma coisa, eles são ainda mais necessários. Quem não conhece Vítor Silva Tavares da &etc, Paulo da Costa Domingos da Frenesi, Rui Martiniano da Hiena, Vasco Santos da Fenda, não sabe como editar livros pode ser um trabalho feito sempre no fio da navalha e estar sempre destinado a ocupar as prateleiras mais baixas das livrarias, “aquelas junto ao chão”, como conta ao Observador Paulo da Costa Domingos.

À exceção da &etc, nenhuma destas editoras se mantém em atividade. Hoje, a comunidade de heróis silenciosos que procuram fazer salvar a poesia, a BD, a fotografia, o conto, tem outros nomes, outros projetos (talvez menos abertamente ideológicos), mas o seu trabalho em torno do livro como um objeto total continua a ser feito e continua a encontrar as suas praias no coração de alguns leitores, como escreveu o poeta Paul Celan.

[…]

Romance de António Cabrita (uma ficção sobre as circunstâncias da morte do alfarrabista Ricarte Dácio) numa plaquete da 50Kg

É pouco provável que os tenha visto na Feira do Livro de Lisboa num pavilhão próprio, que os veja nas revistas sociais ou nas crónicas dominicais do professor Marcelo Rebelo de Sousa. É pouco provável que venham a ser recebidos pelo Presidente da República. Talvez nem sequer os encontremos, no futuro, na Biblioteca Nacional, porque simplesmente não têm dinheiro para pagar o ISBN (cuja atribuição obrigatória começou a custar, desde o início deste ano, entre 15 a 4500 euros).

Ora, a small press é aquela que, por definição, não é feita para dar lucros. As tiragens são muito pequenas, entre 100 e 500 exemplares. Estas editoras são, na sua maioria, mantidas em regime de part-time, e os custos da publicação de livros são muitas vezes pagos com o dinheiro dos salários que estes editores retiram de uma ocupação profissional principal. São edições quase clandestinas, feitas em tempos tirados ao ócio, à família. São um hobby, talvez mais fruto de uma atitude de nostalgia do livro em papel, das máquinas, das tintas e dos carateres móveis, do que uma resistência política consciente.

[…]

Optar pela edição independente é uma atitude artística, não é simplesmente uma falta de alternativa.”

O “Portuguese Small Press Yearbook” é um anuário sobre as pequenas editoras portuguesas, da autoria de Catarina Figueiredo Cardoso e Isabel Baraona

[…]

Livros, esses objetos de luxo

“No caso da Artefacto, ocupamos um pequeno espaço no universo da edição. Publicamos menos de 10 livros por ano e não temos fins lucrativos, como não os têm a maior parte das editoras nas mesmas circunstâncias. O que talvez seja importante esclarecer, mais do que a distinção entre elas, é a distinção entre o seu trabalho e o trabalho das vanity presses, empresas que cobram para publicar livros e se fazem passar por editoras respeitáveis. Estas últimas têm, nos tempos mais recentes, vindo a nascer no nosso país como cogumelos venenosos”, explica ao Observador Paulo Tavares, fundador da Artefacto.

“Uma Fonte no Quintal”,

Antologia de novos poetas americanos, pela Artefacto

[…]

Também professor e investigador, Paulo Tavares explica o trabalho da sua editora e desmistifica a aura de marginalidade associada a algumas chancelas indie: “A Artefacto nasceu no início de 2010 na Sociedade Guilherme Cossul, uma associação cultural que celebra este ano 130 anos de existência.

[…]

De facto, para muitas destas editoras o livro não é pensado apenas no seu conteúdo mas também no seu toque, na sua estética. Especifica Paulo da Costa Domingos, da extinta Frenesi: “O livro deve ser feito como uma ópera, e estas novas editoras congregam a busca de novas vozes a um enorme cuidado na estética do livro. A escolha dos tipos, da mancha gráfica, da capa, do papel, da ilustração, nada é deixado ao acaso. Por isso, o custo final destes livros não é necessariamente barato, mas a ideia é devolver ao livro a sua importância como artigo de culto, de coleção.”

“Sião”, antologia de poesia portuguesa organizada nos anos 80 por Paulo da Costa Domingos, Al Berto e Rui Baião. Foi editada pela Frenesi

“Ser editor independente não é não conseguir ser um grande editor ou não conseguir ser publicado por um grande editor… É uma opção, uma forma de vida”, salienta Catarina Figueiredo Cardoso. Mas não poderá ser também uma resistência aos grandes editores? “Claro, mas duvido que a questão seja colocada pelos editores independentes dessa forma. Ou seja, nem todos os que tivessem a possibilidade de ser grandes, ou de integrar um grande grupo editorial, fariam essa escolha. Os editores são como toda a gente, eles e a sua circunstância. Se a circunstância fosse outra, eles talvez fossem outros. Mas não são outros.”

[…]

Na rota dos escritores alternativos

Há alguns anos, Vítor Silva Tavares, da &etc, dizia, numa entrevista, que os seus livros eram “um luxo táctil”. Mas, ao cabo de 40 anos, Silva Tavares tem no seu catálogo não apenas artigos de luxo, tem também autores de luxo: os consagrados, que ele sabiamente traduziu, e aqueles que o seu olho perspicaz descobriu. Entre eles, claro, Herberto Helder. O mesmo aconteceu com editoras como a Hiena, a Fenda, a Frenesi. Todas elas “descobriram” autores que vieram a tornar-se marcantes para o romance, a poesia, a dramaturgia portuguesa.

As novas editoras indie, muito vocacionadas para a edição da poesia, mas também de BD, teatro e fotografia (géneros que quase só subsistem nas editoras médias como a Tinta-da-China, a Cavalo de Ferro ou a Relógio D’Água) têm muito presente mas pouco passado.

[…]

Apesar do seu curto tempo de vida — quase todas estas editoras têm pouco mais de cinco anos –, algumas já conseguiram fazer com que o meio literário português, sempre sobre-excitado com algumas coqueluches mediáticas, fosse obrigado a olhar para além do próprio umbigo.

Destacam-se aqui a Abysmo, que trouxe de volta os poetas e romancistas Paulo José Miranda e António Cabrita. A Língua Morta, com a publicação de Bonsoir Madame, primeira antologia de poemas Manuel de Castro, um dos poetas mais amados por Herberto Helder, ou, mais recentemente, Misteriosamente Feliz, do poeta catalão Joan Margarit. A Artefacto, com a edição das antologias Uma Fonte no Quintal, de cinco poetas norte-americanos da nova geração, e Estradas Secundárias: doze poetas irlandeses, bem como Agamémnon, a tragédia de Ésquilo, traduzida por José Pedro Moreira.

Primeira antologia da poesia de Manuel de Castro pela Língua Morta

Vale muito a pena passar pela Medula, uma editora de Coimbra, para conhecer a poesia de F. S. Hill, Livro das Coisas Breves, ou pela Douda Correria (do poeta Nuno Moura) para conhecer as bizarrias fulgurantes da brasileira Carla Diacov. A Companhia das Ilhas, sediada na ilha do Pico, no Açores, pertence ao poeta e dramaturgo Carlos Alberto Machado e tem no seu catálogo o novo romance de Conceição Caleiro e a poesia de Luís Quintais.

No conjunto destas editoras destaca-se, naturalmente a Averno, a mais antiga, com a edição, desde 2002, dos seus “poetas sem qualidades”, mas também a sua edição das obras de poetas “com qualidades” como António Barahona, Ernesto Sampaio ou Diogo Vaz Pinto, passando pelos inclassificáveis Rosa Maria Martelo ou Silvina Rodrigues Lopes.

[…]

Encontrar estes livros nem sempre é fácil, pois não são muitas as livrarias e alfarrabistas que os vendem. Muitas vezes, a melhor forma de os comprar é através dos sites das editoras na internet. De qualquer forma, mapeamos algumas em Lisboa, como a Letra Livre, a Pó dos Livros, o Sr. Teste, a Paralelo W. No Porto, a Poetria, a Lumière e a Moreira da Costa; em Coimbra, a Livraria Alfarrabista Miguel de Carvalho; e, em Braga, a Centésima Página. Há ainda a Snob, em Guimarães; a Culsete e a Livraria Uni-verso, em Setúbal; A das Artes, em Sines; a Livraria Arquivo, em Leiria; e a Contracapa, em Castro Verde.

Ler em:

http://observador.pt/especiais/editoras-indie-um-roteiro-livros-alternativos/

 

 

 

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