A China propôs a criação de um novo banco – por Chems Eddine Chitou I

Falareconomia1

Selecção e tradução de Júlio Marques Mota

 

A CHINA PROPÔS A CRIAÇÃO DE UM NOVO BANCO

O declínio de Bretton Woods
Chems Eddine Chitour*

 

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«A Inglaterra não tem amigos ou inimigos, tem apenas interesses permanentes” .Winston Churchill

Uma informação passou despercebida. A China propôs a criação de um novo  Banco (o AIIB), o Asian Infraestrutura Investment Bank, Um Banco asiático de investimento para as infra-estruturas dotado de um capital inicial de 100 mil milhões de dólares. Tem como objectivo responder às necessidades crescentes de infra-estruturas (transportes, barragens, portos, etc. ) da região asiática. Criado  em 2014 a partir de uma  iniciativa da China, é destinada de financiar os projectos de infra-estruturas na região da Ásia-Pacífico.

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A Rússia participará na criação do novo  Banco asiático, anunciou no sábado 29 de Março em  Bo’ ao, na China, o primeiro Vice-Primeiro ministro russo Igor Chouvalov. O AIIB tem sobretudo como objectivo fazer concorrência ao Banco Mundial e ao Banco asiático de desenvolvimento (BAD), as duas organizações que são controladas pelos Ocidentais, que detêm as principais partes em direitos de voto e igualmente os postos – chaves. Tradicionalmente, o Banco Mundial é dirigido por um Americano, o FMI por um Europeu, o BAD por um Japonês.

 

O sistema bancário em síntese 

 

Para ter uma ideia do funcionamento do sistema actual, este,  que gera uma financeirização, leia-se o texto  Le système bancaire en bref, em que se explica o mecanismo e as suas perversões: “o sistema bancário actual baseia-se num princípio muito simples.    Quem quer dinheiro emprestado promete ao banqueiro que o reembolsará e, na base dessa promessa, o banqueiro cria então uma nota de crédito a conceder o dinheiro solicitado. Sobre este crédito o mutuário paga juros.  O Banco Central Europeu (BCE) exige que os  bancos tenham dois cêntimos em reserva por cada euro, para cada euro que eles devam aos seus clientes. Os nossos haveres bancários,  estão agora  cobertos agora por algumas percentagens de dinheiro real, o resto do dinheiro não existe. No nosso caso,  não temos dinheiro no banco, mas um memorando do banco, uma promessa do banqueiro, que nos dará o dinheiro real desde que este  lhe seja pedido . Os bancos contraem empréstimos do dinheiro real junto do  BCE. É o dinheiro, as notas, que temos nas nossas  carteiras. O verdadeiro dinheiro é igualmente utilizado  em formato electrónico nos pagamentos entre os bancos. No tráfico de  pagamentos  interbancários, os bancos anulam  as quantias que elas se devem mutuamente e ao final do dia pagam-se apenas as diferenças entre eles. “Assim, com um pouco de dinheiro apenas os bancos, entre eles, podem estar a pagar milhões.”

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“No dinheiro em circulação, os créditos acumulam-se cada vez mais.   Os juros para os aforradores  são pagos pelos mutuários. Estes interesses também pagam  juros. À taxa de 3%  em juros  a  poupança duplica  em 24 anos, e à taxa de 4% duplica em 18 anos. Então, os   ricos enriquecem  tornam-se rapidamente cada vez mais ricos.  Hoje, 10% dos europeus mais ricos detêm  90% da riqueza. A massa de pseudo-dinheiro  não deixa de  continua a crescer. Por volta de 1970 tinha atingiu o ponto em que o valor dos activos excedia o produto interno bruto, o  PIB. Isto levou ao desenvolvimento de um sector financeiro, onde se ganha dinheiro com dinheiro, com juros e soprando bolhas nos mercados  bolsistas.  (…)Os banqueiros conseguiram convencer os governos, que seria melhor se eles deixassem de contrair empréstimos junto do Banco Central  (que, na prática significava  pedir emprestado sem juros) e, em vez disso, passarem a contrair empréstimos junto dos bancos comerciais, portanto, pagando juros. “

 

“Em todos os países que aceitaram esta sugestão dos banqueiros  a dívida pública cresceu exponencialmente. (…) Os governos devem reduzir as suas despesas públicas  para poder responder ao peso crescente de  juros da dívida pública. Mas não podemos ganhar contra o efeito do crescimento exponencial dos juros da dívida pública com os cortes na despesa pública. Os governos devem vender serviços públicos para pagar as dívidas. Uma longa série de privatizações é pois a consequência. (…) Os países mais frágeis estão endividados, sem possibilidade de sair da situação de endividamento. Os bancos beneficiam destas montanhas de dívidas crescentes e fazem-se cobrar pelos riscos através do  pagamento de impostos pelos contribuintes.”

 

Qual seria a solução ?

A solução para todos estes problemas é tão simples como a sua própria causa. Temos de construir um banco estatal que tenha  o direito exclusivo de criar dinheiro. Nós devemos proibir os empréstimos de dinheiro inexistente. Um banco estatal não precisa de capital ou lucros. Também, os juros  podem permanecer muito baixos ou ser compensados fiscalmente. O governo deixará de estar dependente de bancos.

É trágico ver como os países estão arruinados. Eles laminam os gastos sociais em benefício dos pagamentos de juros e isto ad vitam æternam  uma vez que   o principal  está ainda fora do alcance do reembolso. Por outro lado, e sem  estar a  fazer um proselitismo deslocado, no mecanismo da finança islâmica, a usura, (os juros não existem)  e os riscos são partilhados entre o mutuário e o seu banco.

(continua)

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