A GALIZA COMO TAREFA – superstições – Ernesto V. Souza

Es adagio vulgar en Galicia, mi patria: “un exempriño acrara muito a vista”. Cartas Eruditas, T.5, II

Política, economia, sociedade, língua, cultura. Grécia, Brasil, Europa, Ásia, África e América, Portugal, Espanha e um sem número de informações locais que destacam a pilhagem do público, a falta de sentido no mundo da alta política e finanças, a desigualdade e a degradação económica e social dos modelos solidários e humanísticos.

Novos cenários económicos, medos apocalípticos e ensaios políticos. Globalização, a academia e a prosa, a universidade em paralise, o mundo do livro e a informação no meio de temporais e a internet recombinando e modificando velhas relações e verdades que pareciam mais seguras.

O fim da história é que não é. E também não é melhor a muita e intoxicada informação, o género humano é bem igual época a época. Os interesses continuam os mesmos e os que em épocas de gordas vendiam vacas a bom preço, são os que agora as compram mais fracas e baratas. Mas tanto tem, porque também têm os alimentos e a especulação como meta.

A maior parte da obra e vida do Padre Feijó (1676- 1764), ocupou-se – nas suas próprias palavras – em andar lidando contra essas sombras (T.C 5 I.) que eram o lugar comum consagrado, o preconceito, as crenças, milagres supostos, ideias arbitrárias, extravagâncias da tradição e as superstições.

Humor, divulgação crítica, explicações e apelos constantes à experimentação e a experiência fizeram e ainda fazem do Reverendo Padre doutíssimo, um mestre na captura do absurdo, hábil polemista, engenhoso figurador de monicreques didáticos, um modelo na análise detetivesca e um exemplo de exposição clara elegante e amena.

Lendo estes velhos textos do XVIII, um compreende que as verdades que se espalham desde os média, as razões económicas, os discursos políticos as estratégias culturais não passam as mais delas de crenças, superstições divulgadas e elevadas da hábil retórica ou na imagem que convence, transmitidas em forma de tópico e repetidas até que parecem conformar um pouso que em nome da “voz do povo”, ou do “sentido comum” devolve-se como confirmação das ideias das classes dirigentes.

É difícil ver o que hoje acontece, arredor; ou talvez não, e o que acontece como diria Feijó, com todas as suas e nossas limitações, é mesmo isso que nos dá nos olhos; o difícil é predizer para onde o mundo está a decorrer. Mas isso, como dizia um sábio do Oriente: melhor pergunta amanhã e explico que passa hoje.

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