Alexis Tsipras tem feito muitos inimigos, tanto entre os seus colegas da política, como na comunicação social, na qual como se sabe abundam os praticantes entusiastas da regra que podemos designar por His Master’s Voice. Este poderoso grupo acusa-o de toda a espécie de felonias, obviamente na sequência de ter incorrido em faltas de respeito como insistir em recordar a enorme dívida de guerra que a Alemanha nunca pagou, embora tenha deixado a Grécia, e não só, em ruínas em 1941-45, querer reestruturar a dívida do seu país em moldes que tornem um pouco mais verosímil a ideia de algum dia ser totalmente paga, convocar um referendo para o seu povo se pronunciar sobre a proposta/ultimato feita no dia 3 de Julho passado por Frau Merkel e Mr. Hollande (que agora quer aparecer como bonzinho), etc. O pior dos crimes de que o primeiro ministro grego é acusado, é claro, é querer acabar com a austeridade e deixar desempregada a troika, acusação muito grave nos tempos que correm, apesar do reconhecimento alargado sobre os seus maus resultados. Entretanto andam pelos corredores das várias instâncias europeias várias personalidades que falam contra um acordo com a Grécia, alegando que o seu governo nunca o cumprirá. Para tal invocam as “faltas de respeito” acima referidas, e vão até buscar alguns termos usados por ministros gregos em declarações públicas, a que atribuem intenções pejorativas. Claro que não querem que lhes recordem as sucessivas invectivas de Wolfgang Schäuble ao longo de todo o processo, ou o primeiro acto oficial de Jean-Claude Juncker, quando iniciou o seu mandato de presidente da Comissão Europeia: foi visitar a Grécia e declarou publicamente ao então primeiro-ministro Samaras que esperava encontrá-lo no mesmo lugar depois das eleições à vista. Para criar confiança, um verdadeiro espectáculo
Independentemente dos resultados do acordo da noite passada (que não parecem nada vantajosos para a Grécia, que corre o risco de se afundar ainda mais, mesmo com um governo sério), o erro que se pode, de boa fé, assinalar a Tsipras é o de só tarde ter percebido que do outro lado tinha interlocutores nada interessados, eles sim, em chegar a um acordo com ele. É óbvio que as negociações foram arrastadas durante cinco meses, e não pelo lado grego. A outra parte teme sobretudo a entrada de actores novos em cena, que escapem ao seu controlo. E que o exemplo grego cresça e se propague.
Do que decorreu em todo estes meses, e sobretudo nos últimos dias, resulta para muita gente uma visão diferente da chamada União Europeia. Ficou mais vista o papel excessivo da Alemanha, fruto de um processo histórico conduzido à margem do objectivo de uma real união dos europeus, e dominado por oligarquias político-financeiras estreitas, ciosas de manter o seu poderio, e jogando com o nacionalismo alemão. Parece que vamos continuar assim.


Totalmente de acordo com o que diz João Machado.
Essa do objectivo “da real união dos europeus” não convence. Direi ser uma interpretação idealista da História que, por necessário, haveria de estar condenada ao fracasso.
Sob o manto diáfano da fantasia tanto os francos como os germânicos imaginaram-se, cada qual, mais dia, menos dia, por outra vez na História, como senhores dos Povos europeus.. Na impossibilidade de, cada qual, só por si, conseguir fazê-lo obrigou-os a inventaram uma formula travestida de democracia e chamaram-lhe união europeia a quem, muito democraticamente, caberia a tarefa imediata de amalgamar, às suas ordens, tudo quanto conseguissem.
A balela da unificação, usada e endeusada como acto de libertação e de pacificação que, bem conhecido, já tinha dado bons negócios na consequência dos inventos – pela força bruta – do Reino Unido, da Espanha, da França, da Alemanha, da Bélgica ou da Rússia merecia estender-se a toda a Europa chamada ocidental mas – toda a cautela era pouca – sem manifestar-se quaisquer vislumbres napoleónicos ou hitlaristas. A ânsia expansionista dos centro-continentais europeus – uma coisa já velha -, tomadas as devidas precauções e subornados os “gauleiteres” mais necessários quis ir longe mas, note-se, a tanto quanto os ianques permitissem. Nestes limites, a tentação de empalmar a Europa que não fosse não tornou-se real. Hoje em dia, já salta à vista que, se cada um dos fundadores, desde sempre, vivia na mira de, tempos depois, um deles ficar com tudo, os francos, mais outra vez, perderam a partida. Quem ganhou, era fácil de adivinhar-se, foram os hunos; maldição!!!. Fique a consolação de ficarem a haver mais inimigos dessa chamada “união europeia/IVReich”.
Os europeus têm o direito legitimo de defender as suas Nacionalidades, garantir-lhes as suas Independências nacionais e viverem no quadro seguro das livres interdependências nacionais,CLV.