A CANETA MÁGICA – A Literatura grega moderna – uma bela odisseia – 7 – por Carlos Loures

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Anotou Nikos Kazantzákis.no seu caderno com a data de Outubro-Novembro de 1936: «Passeio pelo jardim situado dianta da igreja de Santa Maria dos Cavaleiros, esperando pela hora de bater à porta […]iReflicto sobre as duas grandes perguntas que quero formular a Unamuno: 1) Qual é o dever do intelectual contemporâneo? Deve participar na luta? De que lado? 2 ) O que pensa do período que atravessamos, em Espanha e no mundo inteiro? Uma nova guerra se aproxima e em Espanha já se travam as primeiras batalhas. Podemos, devemos, evitar esta guerra? Fico à espera numa sala comprida, estreita, pouca mobília, poucos livros, duas grandes mesas […] Quando a porta se abre vejo um Unamuno precocemente envelhecido (…)

Mas o seu olhar continua brilhante, vigilante, móvel como o de um toureiro: (—) Estou desesperado(…) você pensa por certo que os espanhóis lutam e se matam, queimam as igrejas ou celebram missas, agitam a bandeira vermelha ou o estandarte de Cristo porque acreditam em alguma coisa? Que metade acredita na religião de Cristo e a outra metade na de Lenine? Não! Preste bem atenção ao que lhe vou dizer, Tudo isto sucede porque os espanhóis não acreditam em nada. (,,,) Estão desesperados. Nienhum outro idioma do mundo tem esta palavra. Desesperado é o que perdeu toda a esperança, o que já não acredita em nada e que, privado da fé, é tomado pela raiva.[…] O odio ao espírito é o que caracteriza a nova geração».Miguel de Unamuno nas respostas à entrevista de Kazantzákis, não esquece o incidente ocorrido em Outubro desse 1936, quando durante a sua lição de sapiência enfrentou o general Millán-Astray, e outros falangistas que deram vivas à morte e gritaram «Morte à inteligência»

Franco decretou a sua destituição do cargo de reitor daa Universidade de Salamanca Nesta entrevista ao  filósofo grego Nikos Kazantzákis afirmou: «Um dia, em breve, levantar-me-ei, e lançar-me-ei na luta pela liberdade, eu sozinho. Não, não sou fascista, nem bolchevista; sou um solitário». Morreu em sua casa em 31 de Dezembro de 1936, de doença súbita.

 

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