A CANETA MÁGICA – A Literatura grega moderna – uma bela odisseia – 7 – por Carlos Loures

caneta1Ainda sobre a entrevista de Nikos Kazantzákis a Miguel de Unamuno, acrescente-se que apesar de tudo o que se tinha passado, de o terem insultado e mantido sob prisão domiciliária, os falangistas lhe fizeram um funeral com honras militares, como se tivesse sido um deles. Ortega y Gasset escreveu: «A voz de Unamuno ecoava sem parar por toda a Espanha há um quarto de século. Ao cessar para sempre, temo que o nosso país sofra uma era de silêncio atroz». O «silêncio atroz» iria durar até 1975 e os seus ecos, traduzidos na herança que o regime «democrático» recebeu do fascismo, ressoam ainda na imposição de uma Espanha «Una» que sufoca a liberdade na Catalunha, no País Basco e na Galiza. No dia 18 de Julho de 2015, numa igreja do centro de Madrid, foi homenageada a traição dos generais que mergulharam Espanha numa guerra fratricida em que morreram centenas de milhares de pessoas.

O cretense Nikos Kazantzákis tornou-se conhecido pela entrevista que fez a Miguel de Unamuno. Mas veio depois a ser considerado o romancista grego mais famoso internacionalmente. Estreou-se em 1938 com Odésia (Odisseia), poema épico de 33.333 versos Um seu romance publicado em 1946, Víos ke politía tou Aléxi Zorbá (Zorba o grego) foi passado ao cinema em 1964 com realização de Michael Cacoyannis e com uma soberba interpretação de Anthony Quinn, bem coadjuvado por Alan Bates e Irene Pappas, entre outros. O tema musical Sirtaki, de Mikis Theodorakis, tornou-se internacionalmente famoso. Porém, no plano estritamente literário a magnum opus de Kazantzákis é Christos xanastavronete publicada em 1954; (O Cristo recrucificado).

Falarei um pouco sobre este livro,

 

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