Selecção e tradução de Júlio Marques Mota
| Uma pequena nota ainda
Júlio Marques Mota Ainda a propósito de uma peça dedicados aos meus amigos de um dos dois cafés que frequento habitualmente, numa das Avenidas de Coimbra. Amigos que me colocam as questões do seu tempo, dos jornais que lêem, dos telejornais que ouvem, de um ou outro blog que consultam, a crise que rebentou com o referendo e que se tem ampliado mostra que tudo o que se disse nessa peça se mantém pleno de actualidade. Os grandes artigos de fundo sucedem-se agora e sublinho em particular o dossier de Der Spiegel, mas deixem-me colocar-me num plano um pouco mais abaixo, e por um lado publicar um artigo de Bill Mitchell sobre o programa ELA e o referendo, ou seja a segunda peça dedicada a esses meus amigos. Depois, por outro lado, sugiro que leiam um texto que pessoalmente considero muito estranho, muito estranho mesmo, o de Bill Mitchell assinado a 8 de Julho e leiam as suas entrelinhas ou o próprio título, relembrando que Bill Mitchell é um dos mais importantes economistas de hoje. Somos assim conduzidos ao primeiro artigo da série dedicada a esses amigos, ao artigo de Matt O’Brien, segundo o qual andamos a viver um drama, o da destruição da Europa, e uma farsa também, com as notícias que os grandes medias nos comunicam. Sobre esta Europa de agora uma caracterização Dos mercados financeiros e com a data de 1 de Junho uma visão de uma nova moeda: o novo dracma, publicada no site do Wall Street Journal (http://blogs.wsj.com/eurocrisis/2012/06/01/if-europe-went-back-to-its-old-currencies/ ) : By typing XGD on their screens–rather than the GRD legacy code of the erstwhile Greek drachma–Bloomberg users were briefly able to see, among the options listed, a spot exchange rate for a post-euro Greek drachma. Lamento, mas quem anda a brincar com todos nós, afinal? Mas já agora, exigiram a cabeça de Varoufakis. A história repete-se. Um amigo meu mandou-me um pequeno texto a relembrar isso mesma. A história não se repete mas que rima, rima, dizia Mark Twain. E talvez tenha razão. Dizem-nos de Marianne: “Graças à saída de um negociador arrogante, as negociações sérias vão poder começar! DR As negociações do Tratado Versailles têm até agora sido perturbadas pela atitude do negociador britânico, um certo John Maynard Keynes. Este, uma personalidade aberrante, de costumes duvidosos [1], nunca desistiu de um tom arrogante e professoral, para tentar esmagar com o seu desprezo os outros negociadores. Recusando as lições básicas da economia, este senhor pretendia que os países com excedentes, os que fizeram esforços importantes, sejam considerados tão responsáveis quanto os países deficitários dos desequilíbrios económicos, e mesmo que, em período de subemprego, são os países com excedentes que devem gastar mais, incentivando assim a prodigalidade. Pretendia que em período de dificuldades económicas, é necessário aumentar as despesas públicas, desvalorizando as pessoas responsáveis que consideram naturalmente que um país não pode aumentar a sua produção senão gastando menos para poupar mais. Este senhor defendia que é necessário permitir à Alemanha de recomeçar novamente anulando as suas dívidas e que esmagar a Alemanha sob o peso dos reembolsos a mergulharia na miséria, com o risco da tentação da extrema direita, enquanto que é evidente que a anulação mesmo parcial das dívidas de um país é um precedente perigoso, que permitiria todos os desperdícios. Por último, pedia a todos os países que renunciassem à políticas unanimemente decididas e aprovadas de um regresso às paridades de antes da guerra, pretendendo que este objectivo, na sua opinião, seria dispendioso e impraticável, seria igualmente responsável pela fraqueza do crescimento na Europa, O senhor Keynes recusa ver nisso a responsabilidade dos salários demasiado elevados. Depois de ter virado as costas a todas as delegações de comportamentos adequados, o senhor Keynes demitiu-se. ´É uma boa notícia para a paz na Europa “ E a paz foi então a guerra. Keynes caiu, Hitler subiu ao poder. Varoufakis caiu, quem vai agora subir ao poder na Europa? Júlio Marques Mota [1] Depois de ter frequentado a Opera (mais pelos dançarinos do que pela música) casou com uma dançarina. |
Uma saída da Grécia do euro não é alta ciência
Bill Mitchell, 8 de Julho de 2015
Na última quarta-feira (01 de julho de 2015), o apresentador de rádio ABC, Phillip Adams, numa entrevista abrangente sobre o próximo referendo na Grécia e as perspectivas para a Grécia, disse ao ministro das Finanças grego, em seguida: “as minhas piadas sobre a impressão de dracmas nas adegas, permanecem piadas “O ministro das Finanças, em seguida, respondeu:” Claro que sim … não temos a capacidade … porque … Talvez não saiba disso. Mas quando a Grécia entrou no euro no ano de 2000 … uma das coisas que tínhamos de fazer era livrarmo-nos de todas as nossas máquinas de impressão … a fim de impressionar o mundo e mostrar que o euro não seria fenómeno temporário … que todos nós queremos que seja para sempre … nós destruímos as máquinas de impressão, e por isso, hoje, não temos máquinas para imprimir papel-moeda “.A troca de opiniões ocorreu no – programa de rádio disponível no site http://www.abc.net.au/radio/programitem/peBW3Z175D?play=true
Na investigação que fiz para o meu livro sobre a zona euro, publicado em Maio deste ano, estudei com alguns detalhes como é que o euro foi introduzido, como é que foi disseminado, como é que as notas são impressas e as moedas cunhadas e como é que as nações noutros contextos tinha introduzido as suas próprias moedas. Quando ouvi essa entrevista eu questionei-me porque é que o ministro das Finanças grego, em seguida, iria querer enganar os ouvintes australianos, embora entrevistas como esta já não são geograficamente restritas e que ele estava claramente com a intenção de convencer o mundo, poucos dias antes do referendo, que Syriza estava empenhado em querer ficar no euro e que a saída da zona euro não era para ele uma opção. No início da semana, eu tinha protestado contra as mentiras e desinformação que sai da liderança da UE. A bota estava no outro pé, no presente caso. Mas também tudo isto levanta sérias questões sobre como é que uma saída poderia ocorrer no caso de Syriza realmente se levantar para respeitar o seu mandato eleitoral (anti-austeridade) e se recusar em aceitar qualquer outra austeridade. Eu duvido que eles façam isto, mas a esperança é eterna.




